Pandemia deixa ocupações de Curitiba ainda mais esquecidas | Jornal Plural
10 maio 2020 - 19h15

Pandemia deixa ocupações de Curitiba ainda mais esquecidas

Regiões carentes reclamam do abandono de órgãos oficiais. Comunidades se unem para conseguir doações

Segundo a Companhia de Habitação Popular (Cohab) de Curitiba, há pelo menos 400 ocupações ativas na cidade. Em situação de carência e vulnerabilidade, apenas duas delas recebem auxílio constante e acompanhamento do Centro de Referência e Assistência Social (CRAS).

De acordo com Fundação de Ação Social (FAS), para que as outras ocupações sejam assistidas, os moradores devem solicitar ajuda ao órgão. Hoje, recebem atendimento contínuo as comunidades do Portão e da CIC.

Com base num mapeamento de localidades vulneráveis, a superintendente de gestão da FAS Claudia Estorilio, diz que o órgão tem otimizado esforços para ajudar essa população durante a pandemia. São doações de alimentos, álcool em gel, orientações para solicitação de auxílio emergencial e sobre a criação de novas casas de acolhimento e isolamento para moradores de rua suspeitos de terem contraído o coronavírus.

A superintendente de gestão afirma que o único critério da FAS para o auxílio às famílias é a vulnerabilidade social, não tendo qualquer relação com questões de irregularidade das ocupações.

Ajuda não chega a todos. Foto: Isis Costa

“Nós recebemos muitas doações anônimas ou de ONGs diversas aqui. Mas nunca recebemos da FAS. O único auxílio deles durante a pandemia foi a orientação com relação ao pedido de auxílio emergencial, via telefone, quando nós os procuramos”, diz Carlinda de Almeida, uma das moradoras e lideranças da ocupação Tiradentes. Ela é responsável pela recepção e distribuição das doações para a comunidade.

Eliane de Jesus, líder da ocupação José Baggio, também compartilha a situação da sua comunidade. “Nós não recebemos nada da FAS. Eu cheguei a ligar para o órgão no início da pandemia, solicitando doação de alimentos, mas o pedido não foi atendido”, fala.

“Então, os moradores daqui se uniram. Fizemos, à mão, uma grande faixa pedindo doações desses alimentos, e a colocamos na entrada da rua [José Baggio], o que nos ajudou bastante. Recebemos muitas cestas básicas de fontes anônimas, de ONGs e de moradores das proximidades. Foi o recurso que encontramos nesse momento difícil”, conta Eliane.

Auxílio descontínuo

Já no bairro Parolin, conhecido como uma das maiores e mais carentes regiões de Curitiba, o trabalho da FAS é mais eficiente. O órgão atende a diversas famílias, e a impressão dos moradores é, de forma geral, positiva. Andreia de Lima, fundadora do grupo Usina de Ideias e moradora do bairro, no entanto, acredita que, apesar de existir compromisso da FAS com a região, o mesmo é descontínuo e desatencioso.

“A FAS precisa entender o grau de escassez dos moradores daqui. A maioria das famílias não têm internet em casa, não têm sequer o conhecimento da obrigatoriedade de atualização do próprio RG. De que forma vão dar entrada no auxílio emergencial do governo pelo site, como é orientado? O corpo de bombeiros não aparece na favela há mais de quarenta dias”, diz Andreia.

A FAS explica que, apesar do trabalho intenso para auxiliar as regiões vulneráveis de Curitiba (em média, doze horas diárias de trabalho), a pandemia trouxe mais dificuldades para a realização das medidas de auxílio. Isso se deve a maior demanda de serviço, além da situação psicológica da população e a necessidade de materiais mais caros, como o álcool em gel.

O órgão afirma que, em caso de vulnerabilidade, as regiões e famílias devem fazer contato e solicitar amparo.

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