Pacientes internados ficam sem visitas por causa da pandemia | Jornal Plural
23 set 2020 - 21h30

Pacientes internados ficam sem visitas por causa da pandemia

Risco do coronavírus levou à proibição de visitantes, com poucas exceções

As visitas a pacientes internados em hospitais de Curitiba seguem suspensas nos locais geridos pela Prefeitura e pelo Estado, por conta da pandemia do coronavírus. Em alguns hospitais particulares, as visitas estão limitadas e são analisadas caso a caso. Em outras instituições, ainda não foram liberadas.

As exceções são para os pacientes menores de 18 anos e maiores de 60, além daqueles com necessidades especiais. Os hospitais podem, ainda, considerar outras situações individuais, como os pacientes em estado terminal.

O Decreto Municipal 470/20, não restringe a permanência de acompanhantes de: idosos, crianças, gestantes em trabalho de parto e demais casos avaliados pelo serviço de controle de infecção hospitalar.

Após a Maternidade Bairro Novo se tornar reforço para os pacientes com Covid-19, em março, os atendimentos e partos foram transferidos para o Hospital Evangélico e Maternidade Mater Dei.

O Evangélico suspendeu as visitas, permitindo apenas os casos previstos em lei. As gestantes podem ter um acompanhante durante o trabalho de parto e no pós-parto, com direito a uma troca de acompanhante por dia.

O Hospital Vitória – gerido pela Prefeitura, por meio da Fundação Estatal de Atenção à Saúde (FEAS) – atende apenas casos suspeitos ou confirmados de covid-19. Casos descartados (exame negativo) são encaminhados para o Hospital do Idoso, Centro Médico Bairro Novo ou Casa Irmã Dulce.

Nos hospitais com gestão do Governo do Estado (Hospital do Trabalhador, Hospital de Reabilitação, Hospital Oswaldo Cruz) as visitas também estão suspensas, pela Resolução 338/2020. Porém, os serviços de controle de infecção de cada instituição podem criar protocolos próprios, permitindo as visitas.

Infantil

O hospital pediátrico Pequeno Príncipe, na Capital, impôs restrições de visita em março. Os pacientes possuem direito a um acompanhante, conforme o caso, podendo trocar a cada 24h. Há higienização e medição de temperatura nas portarias. No momento da internação da criança, os pais assinam um termo se comprometendo a não circularem no hospital e permanecer no quarto. A visita é permitida apenas em casos extremos e críticos.

Particulares

O Hospital Vita não proibiu as visitas, apenas ajustou os horários e reforçou os cuidados. Segundo a coordenadora da Psicologia do Vita, Raphaella Ropelato, o hospital quis evitar que pessoas internadas ficassem distantes de seus entes queridos. “A gente acabou reduzindo o número de visitas de rotina e nosso atendimento tem sido personalizado para cada paciente.”

No Hospital Nossa Senhora das Graças as visitas também não foram proibidas mas estão restritas a casos específicos desde o início da pandemia. As flexibilizações das visitas acontecem em casos específicos conforme análise da equipe multiprofissional (Psicologia, Serviço Social, Medicina e Enfermagem).

Entre os cuidados com os pacientes, visitantes e acompanhantes estão questionário de triagem, barreiras térmicas, distanciamento social, obrigatoriedade do uso de máscaras, disponibilização de álcool em gel e orientações constantes.

Foto: Ari Dias/AEN

Covid-19

Nos casos de pacientes com Covid-19 a restrição é total. Não há visitas e os internados não podem ficar nem com o celular. “Eu fico mais de 24h sem ter notícias da minha mãe. Consegui uma amiga que tem um amigo que trabalha lá e me deu notícias, mas hoje passei o dia sem saber se ela dormiu bem, se estava bem, se teve piora, se estava acordada e consciente. E a gente fica preocupada, porque não consegue sequer mandar uma mensagem pra ela no celular”, conta a familiar de um paciente com coronavírus internado no hospital Vitória.

Ela conta que chegou a dizer que assinaria um termo se responsabilizando pelo celular, mas não adiantou. “Isso é uma falta de empatia com as famílias. Minha tia está internada, também com Covid, no Instituto de Medicina e está falando com a família pelo celular, mandando mensagem, então não é uma norma da Prefeitura mas uma situação do hospital em si. Não queremos atrapalhar o trabalho de quem está combatendo a Covid mas de repente tudo foi tirado de nós. Temos notícia uma vez por dia. Não podemos fazer o mínimo, colocar os netos pra falar, animar ela, dizer que estamos aqui, que vai ficar tudo bem e ela vai vencer. Algo que podia ser feito pelo telefone. E hoje me ligaram para dizer que ela foi intubada…”, lamenta a filha.

O hospital Vitória informou que não é permitido ficar com o celular no internamento devido ao risco de extravio ou roubo do aparelho. “Diante da angústia gerada pelo isolamento do paciente na unidade, realizamos reuniões de família incluindo o médico assistente, serviço social e psicologia. Nestas reuniões é apresentado o quadro clínico do paciente e os familiares podem tirar dúvidas. As visitas são realizadas para pacientes que estão internados há mais tempo”, informa a instituição, em nota. Para visitas, há um protocolo de segurança que inclui treinamento, paramentação e um número restrito de visitantes (2).

Visita virtual e objetos

Uma forma de expandir o cuidado humanizado, segundo o Vitória, é com visitas virtuais, realizadas pelo serviço de Psicologia por chamadas de vídeo. “Os profissionais das áreas de Enfermagem e Fisioterapia também são treinados para realizar chamadas de vídeo, aumentando o numero de pacientes que poderão receber a visita virtual.”

O hospital diz que tem ainda uma ação em parceria com o Hospital do Idoso em que voluntários solicitam aos familiares cartas, fotos, desenhos de netos e cartazes com mensagens de otimismo, que são limpos e entregues aos pacientes.

Colaborou: Matheus Koga

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