Paciente com Covid espera 7h por atendimento | Jornal Plural
24 fev 2021 - 21h18

Paciente com Covid espera 7h por atendimento

Na UPA Pinheirinho houve ainda negativa de transporte ao hospital pelo SAMU, diz família

“Essa é a minha mãe, no chão da UPA Pinheirinho, depois de 7 horas aguardando atendimento, mesmo sendo Covid-19 positiva e estando com 39,2ºC de febre… Isso aconteceu na segunda, 22/02, nós chegamos às 13h30. A UPA estava lotada, tanto de pessoas irresponsáveis, que não entendem quais atendimentos são de urgência, quanto de pessoas realmente muito graves. Fui informada que tinha apenas uma médica para prestar atendimento aos casos de Covid.”

Quem relata é a biomédica Veronica dos Santos Pires, que acompanhava a mãe, Altina Ferreira dos Santos Pires, de 49 anos, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Pinheirinho, em Curitiba.

“Em diversos momentos, eu indaguei sobre quando atenderiam a minha mãe, já que vi pacientes que chegaram depois dela – e que não eram idosos ou com queixas inferiores – serem chamados antes dela, que estava com muita dor, tossindo muito e queimando de febre.”

A filha conta que questionou a demora várias vezes, mas que só às 20h20 foi informada de que “o cadastro da minha mãe foi finalizado às 18h34 pela médica, alegando que a chamou, mas ela não estava mais presente. Minha mãe estava esperando e sequer estava mais na fila.”

Altina só foi atendida às 20h29, depois de muita confusão, com direito à Guarda Municipal para acalmar os ânimos. “Se não bastasse isso, minha mãe teria que fazer um raio-x do tórax no Hospital do Idoso, precisando de deslocamento via ambulância. O serviço de deslocamento da UPA não a levou, já que ela era positiva, sendo aberta uma solicitação para o SAMU. Depois de mais de 12h aguardando a ambulância, fomos informados pelos profissionais da UPA que o SAMU estava recusando o transporte porque a minha mãe era Covid positiva.”

Foi então, 9h do dia seguinte (23), que a família decidiu transportar Altina, no próprio carro, para outra UPA, na cidade vizinha de São José dos Pinhais. “Ela foi muito bem atendida lá, fez exames e tomografia, mas infelizmente está com um comprometimento pulmonar que precisa de acompanhamento, então ela está internada, mas está estável e recebendo um bom atendimento, depois de muita espera. Foi muito melhor, ela foi atendida em menos de 10 minutos.”

A mãe de Verônica foi transferida – pelo SAMU – da UPA Afonso Pena, em São José, para o Instituto de Medicina e Cirurgia do Paraná, em Curitiba, somente hoje (24), por volta de 9h. O quadro dela é estável, “mas está sentido bastante canseira e dificuldade para falar”.

A filha lembra que, uma semana antes, o pai dela, esposo de Altina, também esperou mais de 7 horas por uma ambulância do SAMU para ser transferido da UPA Pinheirinho ao hospital.

“Hoje meu pai está intubado na UTI e a minha mãe internada, ambos com comprometimento pulmonar devido à Covid-19. E aí eu me pergunto, será que essas muitas horas de espera impactaram na evolução da doença?”

Ela recorda que viu muitos pacientes graves chegando na UPA do Pinheirinho. “Eu tenho certeza que a médica estava sobrecarregada, mas ela definitivamente escolheu não atender a minha mãe, da mesma forma que alguns motoristas do SAMU escolheram recusar o atendimento a ela. O sistema está à beira do colapso. Bons profissionais de Saúde não têm condições dignas de trabalho, e os ruins escolhem não o fazer.”

Alta por evasão

Procurada pelo Plural, a Secretaria de Saúde de Curitiba informou que: “Paciente procurou pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Pinheirinho no dia (22/2), foi acolhida recebeu atendimento e assistência médica e de enfermagem durante o período que permaneceu na UPA. Paciente ficou em observação e aguardando exames complementares até a manhã do dia 23, quando houve a alta administrativa da UPA.  Equipe médica conversou com a família e a paciente, que mesmo contra a recomendação médica optou pela alta por evasão.”

Nesta quarta-feira (24), com o aumento rápido nos casos e internações por Covid-19, a Prefeitura de Curitiba voltou a decretar Bandeira Laranja, com restrições mais rígidas para tentar conter o avanço do coronavírus, que até agora vitimou 138.725 pessoas em Curitiba, das quais 2.867 morreram pela doença. Somente hoje, foram registrados 703 novos casos e 15 óbitos por Covid-19 na Capital do Paraná.

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