Morte de mulheres dentro de casa cresce 38% no país | Plural
8 jun 2019 - 11h07

Morte de mulheres dentro de casa cresce 38% no país

Diariamente, 13 mulheres são assassinadas no país

Cerca de cinco mil mulheres foram assassinadas em 2017 no país. Dados do Atlas da Violência, publicados nesta semana, apontam que o Brasil registra por dia 13 mortes de mulheres vítimas de violência. Os dados do estudo denunciam a violência doméstica como uma das principais causas. Quase um terço dos homicídios de mulheres, aproximadamente 1,4 mil, foram cometidos dentro de casa. “Muito provavelmente estes são casos de feminicídios íntimos, que decorrem de violência doméstica”, aponta o relatório.

Focando os dados de mortes dentro de casa, o relatório do Atlas denúncia crescimento expressivo de mortes por arma de fogo. Em dez anos, o número de mulheres assassinadas em casa por arma de fogo subiu cerca de 40%, sendo que 15% foi o aumento das vitimas de 2016 para 2017.

Os dados do relatório, editado anualmente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta um crescimento de mais de 30% no número de homicídios de mulheres no país entre 2007 e 2017. Em dez anos, 17 estados apresentaram aumento no número de mortes de mulheres vítimas de crimes violentos. No quadro geral, foi um crescimento de 20% na taxa por 100 mil habitantes no país.

Dentro do recorte feito pelo Atlas da Violência, as mulheres negras são as principais vítimas de assassinatos. Na década analisada, a taxa de homicídios de mulheres negras aumentou em cerca de 30%, e as mortes por assassinatos das mulheres não negras aumentaram em 1,6% no mesmo período. “Em números absolutos a diferença é ainda mais brutal, já que entre não negras o crescimento é de 1,7% e entre mulheres negras de 60,5%”, analisar o Ipea no estudo.

“A desigualdade racial pode ser vista também quando verificamos a proporção de mulheres negras entre as vítimas da violência letal: 66% de todas as mulheres assassinadas no país em 2017. O crescimento muito superior da violência letal entre mulheres negras em comparação com as não negras evidencia a enorme dificuldade que o Estado brasileiro tem de garantir a universalidade de suas políticas públicas”, conclui o relatório. Clique aqui e confira a íntegra do Atlas da Violência.

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