13 jan 2022 - 14h25

Material escolar está até 30% mais caro em 2022

Aumento foi puxado pela alta da inflação e do dólar

Além dos impostos como IPVA e IPTU, muitos brasileiros possuem uma preocupação a mais no início do ano, o material escolar. Normalmente seguindo a tradicional lista da escola, pais vão às compras e se desdobram para encaixar a despesa no orçamento. E este ano, assim como muitos produtos, o material escolar está mais caro. A estimativa é que os preços variem de 15% a 30% a mais neste início de 2022. Os valores mais salgados são motivados pelas altas da inflação e do dólar. Além disso, matérias-primas como plástico e papel também ficaram mais caras.

“O aumento foi bem visível. Comparado em valores, houve um aumento de R$ 1.000,00 em relação ao ano passado”, conta o administrador Edno Stanger, pai de um aluno do ensino médio técnico. “Alega-se que o material será usado nos 3 anos do ensino médio. Mas sempre tem os adendos…”

Edno explica que só comprou os livros, e que os demais materiais, como cadernos e acessórios, será avaliado a necessidade de compra. Mesmo não adquirindo o material completo, só os livros já pesaram no bolso. “O restante, pesquisando bem, sempre se acha preço bom e até descontos no caixa. Mas os livros não tem choro. São meio que uma exigência. Não importa a quantidade de filhos, tem que pagar o preço do pacote.”

Mãe de três crianças, a administradora Meiry Hoga ainda não comprou o material escolar, mas já pesquisou os preços e viu os aumentos. “É bem pesado, pois são três listas. Mesmo depois da pandemia, quando eles enxugaram bastante, continua pesado.” Meiry conta que a solução é reciclar algumas coisas. “Todos os anos eu reaproveito bastante coisa. Alguns materiais chegam intactos no final de ano. O que eu não consigo reciclar, eu faço cotação em pelo menos três lugares e troco ideia no grupo de mães da sala.”

“O aumento foi bem visível. Comparado em valores, houve um aumento de R$ 1.000,00 em relação ao ano passado.”

Edno Stanger, administrador e pai de um filho.

“Para não ter uma quebra muito grande no orçamento, eu procurei fazer reciclagem de livros”, explica a administradora. “Comprei livros de segunda mão, o que me gerou uma economia de R$ 800,00. Mas é aquele trabalhão, comprar, apagar, tirar cópia do que for necessário. Tudo sobe e os ganhos se mantêm, então para equilibrar, reciclei os livros de um dos meus filhos, que está indo para a segunda série.”

O que fazer para economizar?

“As escolas sofreram bastante em termos de orçamento e receita”, justifica Lucas Dezordi, doutor em Economia, sócio da Valuup Consultoria e economista-chefe da TM3 Capital. Lucas explica que além da inflação e preço da matéria prima, um dos motivos do aumento é o setor de ensino ter ficado reprimido durante a pandemia. 

“Um aumento de 15% está mais alinhado com a inflação. Agora, 30% me parece um reajuste muito forte. Claro que algum item ou outro se justifica, mas um aumento total em torno de 15% a 20% me parece mais fundamentado”, conta o economista.

“Quando estamos com esse período mais forte de inflação e de recomposição de preço, é comum termos essa variação muito grande de preços.”

Lucas Dezordi, economista.

Lucas também dá dicas para quem busca economizar na compra do material escolar. “Além de reutilizar materiais, no final de fevereiro, início de março, os preços começam a ter uma redução. Então se há algo que não é essencial e você puder comprar nesse período, normalmente os descontos são maiores. Dá para verificar com a escola o que necessariamente precisa ser comprado agora e o que dá para comprar após o carnaval.”

O economista também alerta sobre preços abusivos. “Quando estamos com esse período mais forte de inflação e de recomposição de preço, é comum termos essa variação muito grande de preços. Naturalmente algumas lojas aproveitam para fazer ajustes muito acima dos seus custos de produção. A concorrência tende a corrigir isso, então o mais importante é você fazer três orçamentos. É fundamental que o consumidor exerça essa função de buscar os melhores preços e melhores condições de pagamento.”

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