Máscara que permite leitura labial tem boa eficácia, diz especialista | Jornal Plural
19 ago 2020 - 18h17

Máscara que permite leitura labial tem boa eficácia, diz especialista

Discussão veio à tona depois de casal ser barrado em mercado de Curitiba

A história de um casal barrado num mercado de Curitiba por estar com máscaras transparentes, que facilitam a leitural labial, relatada pelo Plural nesta terça (18) chamou a atenção para o problema dos deficientes auditivos durante a pandemia e para a eficácia das máscaras de plástico.

O caso aconteceu com o bioquímico Alisson Santos, 43, e sua esposa Aline. Alisson é deficiente auditivo e precisa ler lábios para compreender o que os outros estão lhe dizendo. Na quinta passada (13), porém, os dois não tiveram permissão para entrar num supermercado do Água Verde porque supostamente sua máscara não protegeria contra o coronavírus.

Segundo o professor João Carlos do Amaral Lozovey, da Saúde Coletiva da UFPR, a máscara de acrílico, embora possa não ser tão eficiente quanto a de pano, dá uma boa proteção e pode ser utilizada como barreira contra a contaminação da Covid.

“O acrílico barra a passagem dos vírus nos dois sentidos. Talvez permita a passagem caso a pessoa esteja contaminada e espirre ou tussa”, diz ele. De acordo com Lozovey, porém, o risco é baixo o suficiente para que se considere razoável o uso desse tipo de proteção, ainda mais se tratando de uma pessoa assintomática e pensando que o material pode facilitar a vida de quem precisa da leitura labial.

“Claro que a pessoa no comércio, no mercado, talvez tenha dificuldade para julgar isso. Mas do ponto de vista científico eu diria que é uma prática razoável”, diz ele, concordando com Alisson, inclusive, que seria positivo caso os grandes comércios adotassem como norma ter pelo menos um funcionário usando máscara transparente, para facilitar a comunicação com surdos.

Barrados

Alisson diz que a dificuldade dos deficientes vem de muito tempo. “Os comércios precisam adaptar um certo grupo de funcionários com proteção e utilização de máscara transparente”, afirma ele, em entrevista por escrito ao Plural.

Com o coronavírus, a situação só piorou. “Eu sempre que preciso abastecer o carro ou fazer compras preciso que minha esposa esteja junto para me auxiliar na comunicação, uma vez que a máscara de pano impede que faça a leitura labial das pessoas. Por isso comprei a máscara inclusiva, para que eu e ela possamos nos comunicar ao sair”, afirma. “Mas se somos barrados nos estabelecimentos, como posso fazer então? Onde fica meu direito e independência? Onde está a inclusão?

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21 comentários sobre “Máscara que permite leitura labial tem boa eficácia, diz especialista

  1. A máscara transparente é ótima, não oprime, não fica úmida e impede perdigotos de serem espalhados . Segurança impedir a entrada é ignorância que da’ ate ‘ nojo . Tem gente que não perde a chance de mostrar autoritarismo.

  2. Eu e minha filha temos a máscara, facilita muito nossa comunicação. Independente de sermos ou não deficientes auditivos. Quando estávamos entrando no mercado poupaki na Penha em SP fomos barradas pela funcionária que mede a temperatura e ela me disse que não poderíamos entrar, sequer mediu nossa temperatura, não perguntou em nenhum momento se precisávamos usar aquele tipo de máscara…. poderia ter perguntado se fiz exame e sim fiz e ando com o resultado na bolsa mas ninguém pediu nada, perguntei se eles queriam que mostrasse mas simplesmente fomos barradas. Ela chamou o sub gerente que teve a mesmíssima atitude… eu solicitei uma cópia do documento onde me proibia de entrar com máscara plástica transparente e eles não tinham. Diante disso entrei no mercado, só precisava comprar 3 coisas e já era o 3° comércio que entravamos (nunca fomos barradas), fomos seguidas pela mesma funcionária que nos barrou e quando saímos fomos surpreendidas pela polícia, isso mesmo, dois policiais da 10° delegacia. Não dei meu nome nem documento, me senti humilhada minha filha correu pro carro de vergonha. Dentro do mercado haviam pelo menos 3 pessoas com a máscara no queixo (mais eficiente né?) e quando mostrei ao subgerente e pra polícia nada fizeram… A humilhação foi tão grande que não registrei nada formalmente, só queria tirar minha filha daquele lugar. Não há preparo de inclusão de nenhuma forma imaginem com a pandemia…. Não quero, com meu depoimento, causar nenhuma discussão, que cada um tome sua opinião tentando se colocar no lugar de outro que possui alguma dificuldade.

  3. Utilizo essa máscara de acrílico a pelo menos 3 meses , não consigo utilizar a de pano porque me dá ânsia e falta de ar , entro em todo lugar com essa máscara (bancos , farmácias ,mercados até mesmo em delegacia ) nunca tinha sido ,mas no dia de hoje 21/12/20 fui barrado em um Supermercado (Good bom )onde o gerente disse que dessa vez iria autorizar mas dá próxima não iria passar minhas compras no caixa , observação já fui diversas vezes nesse supermercado utilizando essa máscara , foi muito constrangedor , parecia que estava roubando o mercado .

  4. Gostaria muito de saber onde adquirir esta máscara da ilustração. Não encontrei nas lojas Amazon, Mercado Livre, Americanas, Magazine Luiza e Submarino. Poderiam informar quem é o fabricante? Obrigada

  5. Pelo amor de Deus!!!!! No meio de uma pandemia como essa, com os números alarmantes que se apresentam, vocês estão consideranto “aceitável” o uso de uma máscara com proteção RAZOÁVEL????? Se fosse a única alternativa de modelo inclusivo, eu entenderia perfeitamente, mas basta digitar “máscara inclusiva” no Google para encontrar diversos modelos MUITO mais eficazes na proteção e que propiciam a leitura labial tranquilamente. Além disso, a maioria delas conta com valor mais acessível do que uma totalmente produzida em acrílico. A máscara TEM QUE SER AJUSTADA AO ROSTO.
    E o direito à independência do Airton fica garantido DESDE QUE não fira o direito à saúde e segurança da MAIORIA das pessoas ao redor dele…

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