Golpes virtuais disparam com a pandemia | Jornal Plural
18 maio 2020 - 18h45

Golpes virtuais disparam com a pandemia

Com o isolamento social, e o aumento no uso da internet, criminosos também reinventam crimes on-line

A necessidade de reinvenção nos negócios com a pandemia parece ter migrado para os crimes. Com o isolamento social, aumentou o número de vítimas de crimes on-line em Curitiba. Especialmente aqueles que usam números de telefones conhecidos ou solicitam dados pessoais dos usuários em programas já utilizados por eles.

Quem conta é o delegado Emmanoel David, da Delegacia de Estelionato de Curitiba. “Antes tratávamos muito mais casos praticados diretamente, no qual o estelionatário abordava pessoalmente a vítima, como o golpe do bilhete premiado ou a abordagem de idosos saindo de banco. Como agora as pessoas saem menos de casa, os criminosos estão se adaptando. E com isso houve um aumento significativo em estelionatos praticados por meio virtual, pela internet ou pelo telefone.”

Estão de volta práticas que tinham caído em desuso, como o falso sequestro e as ligações nas quais os bandidos se passam por parentes das vítimas para pedir dinheiro. “Ninguém vai ser sequestrado. Não é uma modalidade criminosa que está acontecendo, como foi na década de 90, mas infelizmente tem pessoas que acabam caindo.”

Outro golpe que ficou comum nos últimos meses são os falsos links enviados via aplicativos, como o WhatsApp. “Eles permitem aos estelionatários acessar dados pessoais da vítima e retirar informações cadastrais e bancárias, realizando até transferências”, alerta o delegado.

Ele lembra que, geralmente, os links são enviados por pessoas próximas, o que dá uma falsa sensação de segurança para quem recebe. “A dica é não enviar, nem clicar em nenhum site desconhecido, mesmo que tenha sido mandado por alguém da sua confiança, como pais e irmãos.”

Clonagem

O crime de clonagem de celulares pode dar muita dor de cabeça pra vítima, já que o criminoso consegue acessar todos os seus contatos. Ele é o mais registrado na Delegacia de Estelionato de Curitiba. Pessoas com produtos à venda na internet, ou com seu número de telefone exposto em redes sociais, como Facebook ou Instagram, podem estar mais suscetíveis.

“O estelionatário se faz passar pela plataforma e envia uma mensagem pedindo pra confirmar seus dados cadastrais e repassar um código enviado. Mas na verdade ele está querendo instalar o WhatsApp com seus dados no celular dele. E para isso é necessário que a vítima forneça o código de acesso (PIN) que aparecerá em seu aparelho”, explica o delegado.  

Para amenizar o perigo, o usuário do aplicativo pode ir nas configurações do WhatsApp e instalar a dupla verificação, que é feita em duas etapas.

Falsos produtos

Também foram presas várias pessoas desde o início da pandemia por venda de produtos falsos, em sites criados especificamente para lesar os consumidores. O problema é que estes produtos, na maioria das vezes, envolvem a covid-19, como remédios milagrosos, álcool em gel, equipamentos de proteção individual (EPIs) e até respiradores, que nunca existiram.

Denúncias

Para denunciar casos como estes, você pode procurar a Delegacia de Estelionato, que fica no Capão da Imbuia, ou o Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber), no Centro de Curitiba. Outra opção é a Delegacia de Crimes contra a Economia e Proteção ao Consumidor (Delcon), no bairro São Francisco.

Denúncias anônimas também podem ser feitas gratuitamente pelo telefone 181. Há ainda a Delegacia Eletrônica, um portal para alguns tipos específicos de registros de Boletim de Ocorrência, como extravios de documentos, desaparecimento de pessoas e furto.

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