20 out 2021 - 9h11

Gaeco abre inquérito para investigar morte de três pessoas pela PM na região de Maringá

Ao todo, a polícia disparou mais de 50 vezes no carro onde estavam os três suspeitos de cometerem um assalto em Marialva, na região de Maringá

Nesta terça-feira (19), o Ministério Público se manifestou em relação à morte de três pessoas pela Polícia Militar na região de Maringá.  Ao todo, a polícia disparou mais de 50 vezes no carro onde estavam os três suspeitos de cometerem um assalto em Marialva, na região de Maringá. Segundo o coordenador estadual do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e procurador de Justiça Leonir Batisti, um inquérito foi aberto a fim de investigar o que de fato aconteceu no dia:

“Desde ontem já falamos com os colegas de Maringá, Marialva e Sarandi porque há uma ação a respeito de qual local pertenceria à apuração. Em face dessa indefinição, nós solicitamos ao Gaeco de Maringá para abrir um expediente de controle a fim de acompanhar de um lado o próprio inquérito da Polícia Militar e, principalmente, para apurar então sob a ótica do resultado morte esses fatos.”

Segundo Batisti, a PM alegou que os 50 tiros foram feitos em legítima defesa. “A polícia narra que houve três situações de disparos, duas no mesmo lugar e outra anterior [aos vídeos] e é isso que nós devemos apurar, se era justificável ou não a ação policial”, declara. O procurador também explicou algumas das questões que permeiam o caso:

“Nós temos um problema aí, as famílias das vítimas não estavam presentes. Em segundo lugar, o que ainda não foi desmentido é que os rapazes fizeram o roubo. Outra coisa que está clara para nós é que a polícia, em determinado momento, viu um carro com determinadas características e iniciou o acompanhamento. Aí a questão agora é verificar se houve uma necessidade de intervenção, porque os rapazes estavam armados e os policiais ameaçados. É isso que vamos analisar com a apuração.”

O caso

Durante perseguição policial,  três homens morreram no domingo (17) no limite entre Sarandi e Maringá, no norte do Paraná. Segundo a polícia, os três eram suspeitos de arrombar uma casa e roubar outra residência em Marialva, cidade próxima da região. Foram encontradas no veículo mais de 50 marcas de tiros.

Reportagem produzida por Jully Ana Mendes sob orientação de João Frey

Se puder, assine o Plural. Você pode escolher o valor que quer pagar. Isso faz muita diferença para nós: ser financiados por leitoras e leitores. As assinaturas nos mantêm funcionando com uma equipe que hoje tem oito pessoas e dezenas de colaboradores. Somos um jornal que cobre Curitiba em meio aos obstáculos da pandemia e fazemos isso com reportagens objetivas, textos de opinião e de cultura, charges e crônicas. Obrigado pela leitura.

14 comentários sobre “Gaeco abre inquérito para investigar morte de três pessoas pela PM na região de Maringá

    1. Oi Keyla, trabalho policial bom é aquele que investiga com competência e previne crimes, ou então quando o crime acontece, identifica os criminosos e prova na Justiça a culpa. A polícia que mata só serve para punir de forma desproporcional e ilegal o bandido pequeno, enquanto os grandes criminosos permanecem impunes. Isso não reduz a criminalidade (só analisar o Anuário de Segurança Pública brasileiro), mas contribui para aumentar a violência dos criminosos contra o cidadão comum. Ou seja, você aplaude, mas isso um dia pode te colocar em risco ou pela maior violência do criminoso, ou porque a polícia, na ânsia de matar supostos bandidos pode acabar transformando você em alvo. Sugiro muitíssimo a leitura de Rota 66, de Caco Barcellos e a consulto ao site do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Segurança Pública é um assunto grave demais pra ser analisado no calor do momento. Informe-se.
      Abraço,

      1. Oi Rosiane!

        Porque vc não presta concurso para um cargo das forças policiais; peça para trabalhar na linha de frente; sem hora extra, adicionais, auxílios, vale-isdo, vale-aquilo; passe por uma situação real de confronto com bandidos, com balas passando zumbindo ao seu ouvido e vc desesperada sem saber se vai poder rever sua família ou se vai morrer ali mesmo.
        Duvido que nessa situação vc vaise preocupar em graduar ou não bandido. Ora, se um bandido atira em uma guarnição policial o que ele espera.
        Nesse caso, fotos mostram que foi efetuado um disparo no parabrisa da viatura, bem na posição do motorista cujo projétil teria se alojado no colete salva vidas do policial .
        Quer defender bandido fique a vontade mas, até para isso (defensor de bandido!), a pessoa precisa ser coerente.

        1. Oi Belar, pelo seu raciocínio podemos dizer o mesmo para quem é policial, mas não quer seguir as regras. Se não topa as condições, vá procurar outra função. Agora, claro, esse não é um argumento adequado numa discussão tão importante. Primeiro porque ninguém aqui está defendendo bandido. Muito pelo contrário, sou contra a polícia também se tornar criminosa. Homicídio é crime. Tem também aquele mandamento cristão: não matarás, que não tem adendo. Ou seja, não é “Não matarás, mas se for bandido pode”.
          Ainda seguindo seu raciocínio, se o bandido está melhor armado (o que é uma consequência do aumento da letalidade da polícia), você não pode reclamar, afinal é isso que a política que você defende causa.
          Sobre as condições de trabalho dos policiais, se é isso que te incomoda, então vamos debater isso. Mas não, você está debatendo outra coisa, que é relevar e manter na força policial profissionais ruins (sim, porque o bom policial neutraliza o criminoso com o menor esforço e dano possível). Só que esse policial que não atira 50 vezes para matar 3 pessoas não ganha aplausos de vocês, né? Esse policial que precisa de melhores condições não tem você ao lado dele.
          Fica aí o convite a reflexão,
          Obrigada pela audiência
          Rosiane

    1. Oi Kleber, trabalho policial bom é aquele que investiga com competência e previne crimes, ou então quando o crime acontece, identifica os criminosos e prova na Justiça a culpa. A polícia que mata só serve para punir de forma desproporcional e ilegal o bandido pequeno, enquanto os grandes criminosos permanecem impunes. Isso não reduz a criminalidade (só analisar o Anuário de Segurança Pública brasileiro), mas contribui para aumentar a violência dos criminosos contra o cidadão comum. Ou seja, você aplaude, mas isso um dia pode te colocar em risco ou pela maior violência do criminoso, ou porque a polícia, na ânsia de matar supostos bandidos pode acabar transformando você em alvo. Sugiro muitíssimo a leitura de Rota 66, de Caco Barcellos e a consulto ao site do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Segurança Pública é um assunto grave demais pra ser analisado no calor do momento. Informe-se.
      Abraço,

      1. Polícia Militar não investiga, faz patrulhamento ostensivo e prende pessoas em flagrante delito, no caso em específico, havia uma viatura em acompanhamento tentando realizar a prisão.
        Infelizmente não foi possível.

        1. Oi Rodrigo, é, infelizmente é uma união entre a ignorância com a lei do olho por olho, dente por dente. Que pena a gente estar se afastando da civilização diariamente.
          Rosiane

  1. Ação legítima da gloriosa Polícia Militar do Estado do Paraná. Seria legítima em qualquer parte do mundo civilizado. Gaeco, como sempre, desperdiçando o dinheiro público com desenvoltura.

    1. Oi Enio, você está equivocado. Em qualquer outro lugar civilizado, essa ação certamente seria alvo de investigação. O papel da polícia não é matar, é proteger o cidadão e prevenir a violência.
      Obrigada pela audiência.
      Rosiane

      1. Olá Rosiane, estamos no Brasil, local onde a justiça não funciona, prisão não socializa, a sua tese realmente seria aplicável em países que as leis funcionassem como deveriam. Se atiraram na viatura da polícia, como visto nas reportagens, comprovando, os PMs fizeram um excelente serviço. Marginal não tem medo de ser preso, mas tem medo de morrer. Algo construtivo para teses preconcebidas ou puramente teóricas sobre aplicação real das leis, aconselho visitar uma delegacia de PC e conversar 30 minutos com o plantonista, não é livro ou reportagem que agrega o real conhecimento nesse assunto. Isso é Brasil!

        1. Oi Vanderlei, Se a Justiça não funciona (com que critério se chega a essa conclusão?), então a única opção é a barbárie? Porque matar pessoas na rua é barbárie. O que separa a polícia que mata sem critério do bandido? Conversar com o plantonista é melhor que ler livros e estudos que analisam o todo e não um recorte muito particular? Não. É muita arrogância você querer analisar o todo por um recorte. Não é só o livro do Caco Barcellos que trata desse assunto. São inúmeros trabalhos sérios sobre segurança pública (mais uma vez, veja o site do Fórum Brasileiro de Segurança Pública) e que repetidas vezes mostram que apesar da letalidade da polícia aumentar, o número de crimes não diminui.
          Sem falar no custo econômico de sair atirando. Cada bala custa em torno de 7 reais. Ou seja, perdemos o veículos, que foi destruído no tiroteio, mais a grana dos tiros, mais o tempo que esse grupo de policiais ficará afastado para a investigação. E o que se recuperou do suposto roubo?
          Mas claro, para quem quer achar que Justiça é olho por olho, dente por dente, talvez seja o caso de atirar mesmo. Só não dá para reclamar o dia que você ficar preso no fogo cruzado.
          Abraço,
          Rosiane

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimas Notícias

Radiocaos Convescote

Neste episódio os textos e ideias prazerosas de Otto Leopoldo Winck, William Cruzoé Teca, Guilherme Zarvos, Sergio Viralobos, Edilson Del Grossi, Gabriele Gomes, Bernardo Pellegrini, Amarildo Anzolin, Francisco Cardoso de Araujo, Marielle Loyola, Flavio Jacobsen, Maurício Popija, Adriano Samniotto, Leonard Cohen, Wally Salomão, Natalia Barros, Trin London, Daniel Quaranta, Marcelo Brum-Lemos, Michel Melamed, Julio Cortazar, Mauricio Pereira, entre outros não menos alvissareiros.

Redação Plural.jor.br