Fiz o exame de Covid-19 no SUS | Jornal Plural
Clube Kotter
14 set 2020 - 12h50

Fiz o exame de Covid-19 no SUS

Como estamos numa pandemia, ir ao médico se tornou uma decisão complexa

Exame RT-PCR no SUS: se for positivo, equipes ligam para o paciente

Há um mês, comecei a sentir calafrios, o nariz entupido, dor de garganta, dor no corpo e dor de cabeça. Os dias passaram e o mal-estar não passava. Seria Covid-19, apesar de eu estar em isolamento em casa desde março? Minhas únicas interações sociais fora de casa se restringem a atender entregas e ir ao mercado.

Como estamos numa pandemia, ir ao médico se tornou uma decisão complexa. E se eu me expor a alguém contaminado e, assim, expor meus filhos e marido à doença?

Lá no início da quarentena passei por uma situação semelhante. Caí na escada de casa e virei o pé. No fim, decidi tratar em casa (coisa que não recomendo para ninguém). Como foi só uma torção, o pé melhorou sem maiores problemas.

Dessa vez, a preocupação era estar com Covid-19 e, pior, passar a doença para meus bebês. Sem plano de saúde, tentei evitar ir direto na UPA. O posto de saúde da minha região, que costumo frequentar, está atendendo só para aplicação de vacinas e entrega de remédios.

Para decidir o que fazer, primeiro entrei no site de triagem virtual do Robô Laura, que foi cedido para a Prefeitura de Curitiba. O questionário é bem simples e objetivo. Pergunta sobre sintomas, condições pré-existentes e se estou em algum grupo de risco.

Com base nas respostas, o sistema apontou que eu deveria ligar na central de atendimento do coronavírus da Secretaria Municipal de Saúde, no (41) 3350-9000. “Baseado em suas respostas, notamos que alguns sinais merecem atenção, mas este não é um diagnóstico”, informou o aplicativo.

Na ligação, a atendente voltou a perguntar meus dados e os sintomas. Também pediu informações sobre as pessoas que moram comigo. Em menos de dois minutos, confirmou a indicação para fazer o teste de Covid-19. E agendou a coleta para o dia seguinte, às 7h, num Posto de Saúde que não é da minha área, mas também próximo.

Cheguei cedo no dia seguinte na Unidade de Saúde Vila Guaíra, ao lado do Paraná Clube. Uma tenda sinalizada com cartaz indicava a entrada especial para atendimento da Covid-19. Entrei, me identifiquei e pediram para aguardar.

Naquela manhã, entre 7h e 7h30 apenas eu e uma senhora fomos atendidas. Para aguardar o atendimento, os pacientes ficam na tenda, do lado de fora do prédio, o que achei ótimo. Lá dentro, a enfermeira pede que eu me sente, mede minha temperatura (não tenho febre) e minha oxigenação (98%).

Ela preenche um formulário bastante longo, com perguntas sobre meu histórico de saúde, profissão, com quem eu moro e onde posso, se estiver contaminada, ter contraído a doença (digo que no supermercado).

Após preencher todo o formulário, ela me explica o protocolo de isolamento e pede que eu assine. Como sou alguém com suspeita de Covid-19, tenho que ficar isolada (ou seja, sem sair de casa, sem interagir com entregadores ou outras pessoas de fora da minha casa e reduzir o contato com meus filhos e marido).

Ela também recomenda que eu fique de máscara em casa sempre que possível. Muito embora reconheça que, como tenho filhas bebês ainda, é provável que seja difícil eu conseguir fazer isso.

A outra paciente é atendida ao mesmo tempo, por outra enfermeira que segue o mesmo ritual.

Por fim, me encaminham para um local isolado, para fazer a coleta para o exame RT-PCR (ou teste molecular). Para tanto, é usado um cotonete longo para raspar o fundo do nariz. É um único cotonete para as duas narinas. A enfermeira me explica que essa é uma mudança no protocolo, que antes usava dois.

Como o cotonete precisa entrar no orifício que há no fundo da narina, a coleta em si é desagradável, causa desconforto e dor, mas é suportável e rápida.

Depois da coleta, a mesma enfermeira me entrega uma cópia do termo em que me comprometo a ficar isolada e explica que o resultado deve sair em até cinco dias (mas normalmente sai antes, me diz).

Se o exame der positivo para Covid-19, alguém do Posto irá me ligar, avisar. Mas no caso de ser negativo, não. Ela explica que, se os sintomas não piorarem, a equipe da Unidade de Saúde acompanha o paciente por telefone.

Minha companheira de exame médico, que parece estar com sintomas mais graves (tem febre, tosse muito e está respirando com dificuldade), é encaminhada para consulta médica ali mesmo, na Unidade de Saúde. Vai ser atendida em seguida.

A enfermeira diz que posso consultar com a médica, se quiser. Decido que, muito embora esteja me sentindo mal, não é uma boa ideia permanecer por lá mais tempo. Além disso, meus sintomas são leves. Volto para casa antes das 8 horas.

Antes de deixar o posto, a enfermeira ainda me orienta a procurar a UPA caso sinta dificuldade em respirar ou outro sintoma mais grave.

Cinco dias se passaram e ninguém me ligou, o que significa que meu resultado deu negativo para Covid-19. Nesses cinco dias, meus sintomas também melhoraram. Posso ir até a Unidade de Saúde retirar o laudo (ou pedir que alguém vá no meu lugar, com meu documento de identificação), mas não encontrei uma razão para isto.

Sem Covid-19, estou liberada para ir ao mercado, se necessário. E posso abraçar a beijar meus bebês sem culpa. Mas sair do isolamento, mesmo, só quando tivermos uma vacina.

Se puder, assine o Plural. Você pode escolher o valor que quer pagar. Isso faz muita diferença para nós: ser financiados por leitoras e leitores. As assinaturas nos mantêm funcionando com uma equipe que hoje tem oito pessoas e dezenas de colaboradores. Somos um jornal que cobre Curitiba em meio aos obstáculos da pandemia e fazemos isso com reportagens objetivas, textos de opinião e de cultura, charges e crônicas. Obrigado pela leitura.

Um comentário sobre “Fiz o exame de Covid-19 no SUS

  1. Ne desculpe mas os exames RT-PCR em Curitiba estão levando de 7 a mais dias para ficarem prontos – isso desde Junho/20…a Sec de saúde não está medicando com NADA além de Paracetamol (mesmo nos casos confirmados) e está ligando para “indicar” a alta, aos pacientes acometidos, com aproximadamente 12 dias de doença, o que é uma temeridade, pois a”negativação” do vírus tem ocorrido inúmeras vezes somente no 20° dia da dça!! Será que ISSO explica estarmos por taaaanto tempo em alta nessa Pandemia em Curitiba??! #ficaadica

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimas Notícias