“Esgotou esse tema aqui”, diz Romanelli sobre Escola sem Partido | Jornal Plural
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30 maio 2019 - 6h00

“Esgotou esse tema aqui”, diz Romanelli sobre Escola sem Partido

Deputado tirou o tema da pauta e projeto deve enfrentar dificuldades para voltar à pauta

A “fogueira” em que estavam os deputados estaduais do Paraná nesta semana foi abafada pelo requerimento do deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB), que na sessão da última terça-feira (28) pediu para retirar da pauta o polêmico projeto Escola sem Partido. Aprovado por 26  a 22, o requerimento permitiu a retirada do texto da votação, por dez sessões. Com isso, a maioria dos parlamentares respirou aliviada já que o projeto, considerado inconstitucional, deixa muitos em embaraço – seja para encarar o partido ou a base eleitoral. Mesmo que por prazo determinado, o projeto deve enfrentar nova resistência para voltar à votação.

“Esgotou esse tema aqui”, acredita Romanelli. “Ele não é de competência deste Legislativo e é inconstitucional. Há um convencimento de que o projeto é impróprio e tenho a convicção de que a Alep nunca o aprovará, pois há muitos aqui de bom senso e razoáveis, que honram os bons argumentos. Todos sabem que um projeto como esse não vai melhorar em nada o processo ensino-aprendizagem, pelo contrário, isso só leva ao acirramento de posicionamento e de ânimos”, ressalta o deputado.

Ele diz que a apresentação do requerimento foi a forma que encontrou para acolher os apelos de muitos colegas que apresentaram a intenção de não votar a respeito. “Não há uma única lei de Escola sem Partido em vigor no país. Nesse momento, precisamos focar no que é importante para mudar a realidade do país e retomar o processo de crescimento.”

Segundo Romanelli, há muita desinformação. “O projeto foi colocado contra a esquerda, a doutrinação, a ideologia na sala de aula, quando na verdade isso é uma grande bobagem, um grande faz de conta, pois isso vai abalar a relação de confiança entre o professor e o estudante. Temos que respeitar a Constituição, que traz um pluralismo pedagógico expressado de forma muito objetiva”, afirma.

Os professores também devem continuar a fazer pressão. “Queremos a retirada total do projeto da pauta. Esse fôlego que temos agora, de dez sessões, vai garantir que possamos conversar novamente com os deputados. Lutaremos pela retirada ou derrubada dele”, garante Nádia Brixner, da APP, sindicato,que representa os professores da Rede Estadual de Ensino.

“Vamos continuar fazendo a mobilização e defesa de uma escola laica, plural, que faça o debate que sempre fizemos nas escolas. Se há equívocos, isso tem que ser apurado. Mas os estudantes têm que ter direito de debater todas as diversidades dentro da escola. Nós  precisamos garantir a confiança entre professores e estudantes. Não dá pra ir pra escola desconfiando do professor.  Essa insegurança pedagógica que o projeto quer instalar é muito preocupante. Por isso a nossa luta pela educação pública de qualidade continua dia a dia”, avalia Nádia.

Decepção

Para o autor do Escola sem Partido, o deputado Missionário Arruda (PSL), a retirada do texto da pauta foi uma articulação normal da Casa mas que trouxe decepção. “Pra mim foi uma decepção, não uma derrota. Tenho a votação como ganha”, defende Arruda. “O projeto é legítimo, está há dois anos e meio em pauta, não tinha que ‘barrigar’ mais dez sessões. Não sei qual o objetivo de ganhar tempo. Eles achavam que o TJ ia embargar a votação e não foi isso que aconteceu porque ele é legal. Então temos votação pra aprovar”, sustenta.

De acordo com Arruda, foi feita uma contagem de votos favorável ao projeto. “Tanto é que pediram pra prorrogar. Se não tivessem dúvidas, colocavam pra votar.”

Missionário Arruda: decepção, não derrota

 

Confira como os deputados votaram pela retirada do Escola sem Partido:

A favor da retirada

Alexandre Curi (PSB)

Anibelli Neto (MDB)

Arilson Chiorato (PT)

Cristina Silvestri (PPS)

Delegado Jacovós (PR)

Delegado Recalcatti (PSD)

Dr. Batista (PMN)

Evandro Araújo (PSC)

Francisco Bührer (PSD)

Galo (PODE)

Goura (PDT)

Jonas Guimarães (PSB)

Luciana Rafagnin (PT)

Luiz Cláudio Romanelli (PSB)

Mabel Canto (PSC)

Marcio Pacheco (PDT)

Mauro Moraes (PSD)

Michele Caputo (PSDB)

Nelson Kuersen (PDT)

Paulo Litro (PSDB)

Professor Lemos (PT)

Reichembach (PSC)

Requião Filho (MDB)

Tadeu Veneri (PT)

Tercílio Turini (PPS)

Tiago Amaral (PSB)

Contra a retirada

Alexandre Amaro (PRB)

Artagão Junior (PSB)

Boca Aberta Junior (PROS)

Cantora Mara Lima (PSC)

Coronel Lee (PSL)

Delegado Fernando (PSL)

Delegado Francischini (PSL)

Do Carmo (PSL)

Douglas Fabrício (PPS)

Emerson Bacil (PSL)

Gilberto Ribeiro (PP)

Gilson de Souza (PSC)

Homero Marchese (PROS)

Luiz Carlos Martins (PP)

Luiz Fernando Guerra (PSL)

Nelson Justus (DEM)

Plauto Miró (DEM)

Ricardo Arruda (PSL)

Rodrigo Estacho (PV)

Soldado Adriano José (PV)

Soldado Fruet (PROS)

Subtenente Everton (PSL)

Abstenção

Marcel Micheletto (PR)

Não votaram

Ademar Traiano (PSDB) – presidente, só vota em caso de empate

Cobra Repórter (PSD) – ausente

Elio Rusch – (DEM)

Hussein Bakri – PSD

Tião Medeiros (PTB) – ausente

Requerimento teve 26 votos a favor e 22 contra

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