Eleição para reitor leva UFPR aos assuntos mais comentados do Twitter | Jornal Plural
2 set 2020 - 22h22

Eleição para reitor leva UFPR aos assuntos mais comentados do Twitter

Estudantes foram às redes sociais pedir que chapa derrotada na consulta acadêmica se retire da Lista Tríplice

A consulta acadêmica para a próxima gestão da UFPR – que deu vitória folgada ao atual reitor, Ricardo Marcela Fonseca – chegou aos assuntos mais comentados do Twitter na noite desta quarta-feira (2). Com as hashtags “Retira Horacio” e “Retira Chapa 1”, estudantes foram para a rede social exigir que a chapa derrotada se retire da Lista Tríplice, que definirá a administração da universidade pelos próximos quatro anos.

Isso porque, mesmo o pleito não sendo definitivo, ainda pairam dúvidas sobre a consideração dos votos da comunidade acadêmica. Pela tradição das instituições federais, as chapas derrotadas retiram seus nomes da Lista Tríplice, que segue para o governo federal. Habitualmente, o presidente da República acaba nomeando o candidato mais votado por docentes, alunos e servidores.

No entanto, os professores Horácio Tertuliano Filho e Ana Paula Cherobim, que encabeçam a Chapa 1, perdedora no pleito, nunca confirmaram estar de acordo com o trâmite tradicional. Alinhados ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido), eles não defenderam publicamente manter o nome da Chapa na Lista, mas também nunca negaram a possibilidade.

A prática é ininterrupta na UFPR desde 1985 e foi assentida, por exemplo, pelo agora ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Facchin. Professor do curso de Direito, na época, ele perdeu as eleições de 2001 da Reitoria com uma margem de apenas 3%, mas não manteve o nome na Lista Tríplice.

“A nossa expectativa, evidentemente, é que os concorrentes que perderam a eleição de maneira tão minoritária, diante da voz eloquente da nossa comunidade acadêmica, façam como todos e todas que concorreram nas consultas fizeram desde 1985, sem exceção”, declarou ao Plural o reitor Ricardo Marcela Fonseca, na noite desta quarta. “Se isso não for respeitado, vai ser muito ruim para a universidade, não do ponto de vista político, mas do ponto de vista da eficiência.”

À frente da Chapa 2, ao lado da atual vice-reitora, Graciela Ines Bolzon de Muniz, Fonseca obteve 83% dos votos da comunidade acadêmica. A oposição teve 14,5%, nesta que foi a maior votação da história da UFPR.

Reprodução do Twitter

“Essa foi a maior votação e a que teve a maior margem de votação de uma chapa na história democrática da UFPR. De longe, nunca teve uma vitória com uma margem tão expressiva. O número de técnicos decresceu significativamente e o de professores e estudantes se manteve estável, o que mostra que essa vitória é real e não vegetativa, o que torna essa consulta ainda mais legítima”, defende o reitor.

O professor Horácio Tertuliano não retornou aos contatos da reportagem.

Lista Tríplice

A possível manutenção do nome da chapa derrotada na UFPR não seria estratégia singular na história recente do país. No ano passado, Bolsonaro ignorou a hierarquia da Lista Tríplice em seis das 14 nomeações que fez para reitor em universidades federais. Em 2020, também já desconsiderou o critério para outras instituições. Uma delas, para a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), com campi no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

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