28 jan 2022 - 13h30

Descarte indevido de medicamentos prejudica o meio ambiente

Remédios vencidos ou em desuso devem ser entregues em locais de coleta, e não no lixo comum ou vaso sanitário

O Brasil está entre países que mais consumem medicamentos no mundo. Ocupando o 10.° lugar no ranking em 2019, as estimativas são que o país chegue à 6.ª posição, movimentando US$ 38,4 bilhões em vendas, em 2024. As informações são da Abradimex (Associação Brasileira dos Distribuidores de Medicamentos Especiais e Excepcionais), Por conta desse alto consumo da população, muitos medicamentos acabam descartados, seja porque venceram ou por desuso, mas não de maneira correta. 

O descarte incorreto desses resíduos afeta diretamente o meio ambiente. Se desfazer do remédio pela privada ou pia, por exemplo, faz com que ele vá para o esgoto e, posteriormente, para a estação de tratamento. Acontece que as substâncias químicas dos medicamentos não são totalmente eliminadas no processo de purificação da água, podendo causar danos à natureza e seres vivos. Já o descarte pelo lixo normal, pode gerar gás metano nos aterros sanitários e atingir lençóis freáticos por meio de dissolução pelo solo. 

Segundo o Conselho Regional de Farmácia do Estado do Paraná, o CRF-PR, o Brasil produz cerca de 10 mil toneladas de resíduo de medicamentos por ano. O Descarte Consciente, maior programa do país para dar destinos a remédios vencidos ou em desuso, já descartou corretamente 633 toneladas de produtos, além de 284 bilhões de litros de água preservados. O programa tem parceria com várias redes de farmácias e fabricantes de remédios. 

10 mil toneladas

é quanto o Brasil produz de resíduo de medicamentos por ano.

A professora Cristiane da Silva Paula de Oliveira, do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Paraná, explica que no ano de 2020, foi publicado um decreto federal que instituiu o sistema de Logística Reversa de Medicamentos, que está sendo implantado nas capitais dos estados e municípios com população superior a 500 mil habitantes. “Apesar deste decreto ser recente, já tem alguns anos que isso vem acontecendo de forma voluntária por parte das farmácias. É sempre importante o consumidor estar informado sobre quais as possibilidades de descarte.”

Sobre os riscos do medicamento na natureza, Cristiane informa que ele pode causar danos aos seres vivos, incluindo o homem. “A contaminação dos recursos hídricos pode comprometer a existência de diversas espécies da fauna e flora do local e do homem. Já foi observado em alguns estudos a ‘feminilização’ de peixes causada pela presença de hormônios nas águas dos rios. Alguns estudos também sugerem que bactérias resistentes podem se desenvolver, em parte, pelo descarte incorreto de antibióticos. As consequências dependem das características dos medicamentos e na maior parte das vezes ainda são desconhecidas. Anti-inflamatórios, por exemplo, já foram encontrados na Antártida, e podem representar um risco para o ecossistema que precisa ser avaliado.”

Sobre o que é feito com esse medicamento após o descarte correto, Cristiane explica que as distribuidoras e a indústria farmacêutica os recolhem. “Elas fazem, respectivamente, a retirada e encaminhamento de tudo o que foi coletado nos diversos municípios para uma empresa, licenciada pelos órgãos ambientais, que será responsável pelo tratamento e encaminhamento ambientalmente adequado. O tratamento mais comum e preferencial é a incineração. Para que esse processo não represente risco de contaminação do meio ambiente, só é permitido que ele aconteça em usinas de incineração, que devem seguir uma série de normas técnicas e ambientais, que mantém sob controle os equipamentos e os gases emitidos.”

“A contaminação dos recursos hídricos pode comprometer a existência de diversas espécies da fauna e flora do local e do homem. Já foi observado em alguns estudos a ‘feminilização’ de peixes causada pela presença de hormônios nas águas dos rios. Alguns estudos também sugerem que bactérias resistentes podem se desenvolver, em parte, pelo descarte incorreto de antibióticos.”

Cristiane da Silva Paula de Oliveira, professora do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Paraná.

Onde descartar?

Você pode descartar remédios vencidos (até 10 kg) no caminhão de lixo tóxico da prefeitura. Ele faz um rodízio nos terminais de Curitiba. Você pode conferir o calendário aqui.

Farmácias também realizam a coleta de medicamentos. Não são todas as redes que aceitam, mas algumas lojas da Droga Raia, PanVel, Nissei, Pague Menos e Callfarma fazem esse serviço. Para ver as unidades de coleta mais próximas de você, acesse o site.

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