Decreto dobra leitos de UTI e melhora a matemática do combate ao covid-19, mas faltam exames ainda | Jornal Plural
19 mar 2020 - 10h36

Decreto dobra leitos de UTI e melhora a matemática do combate ao covid-19, mas faltam exames ainda

A progressão geométrica da doença coloca o sistema de saúde sob pressão e diminui as chances de quem vai desenvolver as formas mais graves da doença

A pandemia de covid-19 que devasta o mundo desde janeiro é um jogo matemático. Por um lado, a doença tem potencial letal menor que de outras doenças causadas pela mesma família de vírus. Mas a capacidade de transmissão é maior. Com mais doentes, os números absolutos de doentes graves também são maiores.

É essa progressão geométrica, quando os números se multiplicam a cada contaminação, que coloca o sistema de saúde sob pressão e diminui as chances de quem vai desenvolver as formas mais graves da doença.

É o que está acontecendo na Itália, que com milhares de pacientes severos não tem mais leitos suficientes para atendê-los e as equipes médicas estão precisando decidir quem tem mais chance de sobreviver e, portanto, deve ser priorizado quando um leito fica disponível.

Em Curitiba, uma cidade com 1,7 milhão de habitantes, há 12 leitos de UTI adulto no SUS para cada 100.000 habitantes, abaixo dos 12,5 dos italianos. Mas um decreto do prefeito de Curitiba, Rafael Greca, determina que a cidade pode determinar a cessão de recursos de hospitais e entidades de saúde privada para enfrentar a epidemia do novo coronavírus.

A medida, se colocada em prática, dobra o número de leitos de UTI à disposição do Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade. Com isso, a capital ultrapassa a Itália e chega perto da Alemanha em leitos por 100.000.

Atualmente Curitiba tem 211 leitos de UTI adulto no SUS e 261 unidades em instituições privadas. A medicina privada, no entanto, atende menos de 30% da população curitibana.

A inclusão dos leitos de hospitais particulares empurra o índice para 26,9 por 100.000 pessoas, mais perto da situação da Alemanha, que tem 29,2 leitos para cada 100.000 habitantes.

A previsão para isto está no Artigo 3, inciso VI do decreto 421/2020, que declarou Situação de Emergência em Saúde Pública em Curitiba. A medida reduz a pressão sobre o sistema e melhora a matemática de combate ao vírus na cidade.

Dados do Centro Chinês de Prevenção e Controle Sanitário indicam de pouco mais de 80 por cento de todos os casos do novo coronavírus são leves, 13,8% severos e 4,7% classificados como críticos. Isso significa que na hipótese da cidade ter 1.000 diagnósticos de covid-19, entre 47 e 138 pessoas precisarão de cuidados intensivos.

Nesse cenário, os atuais 211 leitos de UTI da cidade atenderiam a demanda, se eles já não estivessem sendo usados por outras demandas médicas. Atualmente, a Secretaria de Estado da Saúde estima que o cancelamento de cirurgias eletivas libera 20% do total de leitos para o atendimento a pacientes do vírus.

Isso, em Curitiba, significa uma disponibilidade de 42 leitos. Com a expansão das unidades para incluir as vagas do atendimento privado, esse potencial aumenta em cerca de 52 leitos.

Mais testes

Mas mesmo com a ampliação de leitos, o potencial do novo coronavírus mostra que só o aumento na capacidade de atendimento não cria uma situação ideal. A prevenção e ações para conter a transmissão na cidade são fundamentais.

No momento Curitiba tem 14 casos diagnosticados e 68 suspeitas de covid-19, mas a aplicação de exames para identificar pessoas contaminadas parece estar muito abaixo da recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Questionada sobre o assunto, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que os testes estão sendo realizados pelo Laboratório Central do Estado (Lacen), subordinado a Secretaria de Estado da Saúde, que também não informa quantos exames estão sendo realizados por dia.

No entanto, o último boletim de Curitiba diz que foram descartados 64 casos, ou seja, foram concluídos 78 exames, dos quais 14 deram positivo e 64, negativo.

Considerando esse total, Curitiba parece estar realizando cerca de 45 exames para cada um milhão de habitantes, muito abaixo dos 178 exames para um milhão conduzidos nos Estados Unidos, país que vem sendo bastante criticado pela lentidão em examinar potenciais doentes.

A Itália, no momento, está realizando 2457 exames por um milhão de habitantes e Taiwan, cujo combate à pandemia está sendo apontado como exemplar, testa 790 pessoas a cada um milhão.

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