Debate final na UFPR é marcado por acusações e tensão | Jornal Plural
26 ago 2020 - 0h20

Debate final na UFPR é marcado por acusações e tensão

Candidato Horácio Tertuliano não compareceu e foi representado por sua vice

A ausência de um dos candidatos transformou aquilo que deveria ser o último debate antes das eleições para a Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em uma série de monólogos. Horácio Tertuliano, que encabeça uma das chapas, alegou problemas de saúde e não compareceu. Sua vice, Ana Paula Cherobim, representou a chapa e teve direito a 20 minutos de fala. A chapa do atual reitor, Ricardo Marcelo Fonseca, que tenta a reeleição, teve o mesmo tempo em seguida.

Embora não tenha contado com confrontos diretos, o debate foi tenso. Os dois lados fizeram acusações fortes e insinuações. Em razão da pandemia, a eleição será virtual e vai acontecer a partir das 7 horas do dia 1º de setembro e vai até às 18 horas do dia seguinte.

Embora seja favorito nas urnas, Ricardo Marcelo enfrenta uma dificuldade para conseguir o segundo mandato, uma vez que seus adversários contam com a possibilidade de serem nomeados mesmo em caso de derrota. Com um discurso de direita e posições parecidas com as do presidente, como a defesa da cloroquina, a chapa de Horácio Tertuliano imagina que poderá ser nomeada por Jair Bolsonaro (sem partido) por questões ideológicas.

Críticas a atual gestão

Com a ausência de Horácio, sua vice na chapa “UFPR Forte”, a professora de administração, Ana Paula, usou o tempo para se dirigir diretamente à comunidade acadêmica. Apesar da sua fala só ter 20 minutos, ela manteve o tom já demonstrado pela campanha e na maior parte do tempo, fez ataques à gestão do atual reitor Ricardo Marcelo Fonseca.

Já no começo, Cherobim procurou prestar contas sobre sua trajetória na UFPR, afirmando que nunca causou nenhum prejuízo à Universidade e nem recebeu qualquer remuneração acima do teto constitucional dos servidores públicos. A referência da vice de Horácio foi, de forma indireta, ao fato de Ricardo Marcelo estar cedido, do cargo de procurador da Advocacia Geral da União (AGU) há 12 anos, optando pelo salário de origem. O atual reitor esclareceu a questão no primeiro debate entre os candidatos e respondeu que a cessão estava amparada por lei.

Ana Paula também fez referência a desvios em bolsas de pesquisa na UFPR, descobertos em dezembro de 2016 pela Polícia Federal. As ilegalidades ocorreram na gestão anterior, do reitor Zaki Akel, mas vieram à tona apenas dois meses depois de Ricardo Marcelo tomar posse na reitoria.

Outras discussões que vieram à tona foram relacionadas a cargos de direção (CD) na Universidade e à gestão do orçamento. Segundo a vice do candidato Horário, o atual reitor mantém excesso de CDs loteados na reitoria, e uma reforma precisaria ser feita. Ricardo Marcelo também foi acusado de usar a máquina administrativa para atacar sua oposição.

Ana Paula destacou que o objetivo da chapa 1 é fazer com que a Universidade cresça, inserindo cada vez mais pessoas na comunidade acadêmica. “Queremos uma Universidade inserida na sociedade e devolvendo o que foi investido. Queremos uma Universidade nos jornais, com o resultado das nossas pesquisas e com as conquistas da nossa comunidade”, afirmou.

“Soluções que atendam a sociedade”

A chapa do atual reitor cobra que seu adversário cumpra com uma tradição de mais de 30 anos na UFPR, e retire seu nome da lista tríplice caso seja derrotado nas urnas. No debate desta terça, a cobrança voltou a ocorrer.

A fala da chapa 2 começou com a candidata a vice, Graciela Bolzón de Muniz, que destacou os projetos da atual gestão, principalmente aqueles ligados à área de pesquisa científica. A professora, que também é pesquisadora, afirma que está lutando por maior representatividade feminina na reitoria e nas bolsas de pesquisa. Segundo ela, apenas 33% das bolsas de produtividade e pesquisa vão para as mulheres.

Graciela destacou os avanços da UFPR em rankings de pesquisa, inovação e graduação, tudo usando um processo de acolhimento e diálogo. Segundo ela, a Universidade deve buscar soluções que atendam a sociedade, como no caso do desenvolvimento de testes rápidos a R$ 10 no Campus do Litoral. Além disso, no caso possível vacina contra o coronavírus está sendo testada no Hospital de Clínicas. “A UFPR é mais humana, inclusiva e plural”, diz a candidata.

Para ela, esse investimento na ciência possibilita com que projetos de pesquisa para o pós-pandemia sejam potencializados. A candidata a vice também declarou que para um segundo mandato, a chapa estará mais qualificada, experiente e calejada. “A Universidade nos faz avançar sempre”, ressaltou Graciela.

Caminho democrático

Ao começar a sua fala, Ricardo Marcelo se defendeu de algumas das acusações e garantiu que sua chapa tem consciência de que trilhou um caminho democrático nos últimos três anos e oito meses, passando por toda “a sorte e dificuldade”.

O atual reitor fez um balanço da sua gestão e reforçou que sempre levantou a voz em todos os ataques que a Universidade recebeu. Na operação da Polícia Federal que descobriu o desvio nas bolsas por exemplo, Ricardo destacou que a professora Graciela foi inocentada de todas as acusações contra ela no episódio.

Ricardo agradeceu as manifestações de apoio que recebeu da maioria das lideranças das Universidades. Segundo ele, a UFPR enfrentou mares tumultuados, principalmente ao conviver com falta de verbas e com ataques contínuos à instituição pública. Entretanto, apesar dos desafios, ele argumentou que a Universidade subiu em rankings de transparência e de qualidade de ensino. “A UFPR está maior, mais grandiosa e mais reconhecida”, diz.

“Estamos com o respeito de nossa comunidade, farol da Universidade paranaense, nao envergonhando a nossa democracia interna. Estamos fartos de ver o debate encaminhando para esse lugar. A chapa 2 tem propostas, feitas por várias pessoas, sem fazer propostas mirabolantes, sem fazer compromissos que não fossem reais”, afirmou o atual reitor.

Ricardo Marcelo sustenta que sua gestão será feita com o mesmo ânimo de quatro anos atrás, com respeito aos servidores da Universidade e com políticas para incluir estudantes e trabalhar no futuro dos universitários. Segundo ele, um novo mandato será feito com base em respeito e com um discurso sincero pela valorização de quem faz parte da UFPR. “Pra nós o que importa é a vontade da comunidade, o respeito à comunidade”, destacou.

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