1 dez 2021 - 19h02

Curitiba monitora cinco pessoas que estavam em voo de passageiro confirmado com Ômicron

Um é morador e outros quatro são estrangeiros, informou a prefeitura. Impactos da nova cepa ainda são incertos, mas vacinação continua sendo arma mais eficiente

Uma nova variante do Sars-Cov-2 chegou para dividir a atenção já bem disputada dos cientistas. Identificada pela primeira vez na África do Sul no dia 24 de novembro, a Ômicron foi reportada em todos os continentes desde então. No Brasil, até esta quarta-feira (1), três casos já haviam sido confirmados em São Paulo. Curitiba monitora cinco pessoas que estavam em um voo onde viajou um homem cujos exames confirmaram infecção pela nova cepa. Um deles é morador e outros quatro são estrangeiros, mas todos com testes negativos até o momento.

As primeiras suspeitas no país chegaram com um brasileiro de 29 anos que passou pela África do Sul e desembarcou em Guarulhos no último sábado (27). Ele tinha exame inicial negativo para Covid- 19, mas nova testagem feita ainda no aeroporto indicou o contrário. O paciente foi colocado em quarentena. Nesta quarta, o governo de São Paulo confirmou que a infecção foi pela Ômicron.

No mesmo voo dele até São Paulo estavam seis passageiros cujo destino final foi o Paraná, e agora todos estão sendo monitorados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Nenhum dos exames indicou contaminação.

Cinco cumprem quarentena absoluta em Curitiba. O Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informou que o morador e os quatro estrangeiros “seguem assintomáticos, com teste de antígeno negativo e aguardando resultado de exame RT-PCR em isolamento”.

Nesta terça-feira (30), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou ter enviado para análise confirmatória as amostras de outras duas pessoas vindas da África do Sul e com Covid-19 detectada em São Paulo, antes do casal embarcar novamente para o país africano. O governo paulista já confirmou que se trata de contaminação por Ômicron.

No último domingo (28), Curitiba anunciou quarentena de 14 dias a quem desembarcou na capital vindo de outros países, principalmente da África do Sul, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia, Zimbábue, Angola, Malawi, Moçambique e Zâmbia. Voos com destino ao Brasil que tenham origem ou passagem nesses países foram proibidos proibidos por portarias ministeriais publicadas pelo governo federal no fim de semana, sob orientação da Anvisa.

Na capital paranaense, a recomendação é para quem chegar de viagem internacional entrar em contato com a SMS pelo telefone 3350-9000. As equipes de vigilância do município farão o monitoramento das condições de saúde desses viajantes.

Impacto

Embora classificada como “variante de preocupação” pela Organização Mundial da Saúde (OMS), assim como a delta, não há até o momento evidências científicas capazes de dimensionar o impacto da nova cepa em circulação. Pesquisadores de todo o mundo estão desenvolvendo estudos para melhor compreendê-la.

“Ainda temos mais perguntas que respostas sobre o comportamento da Ômicron em relação à transmissibilidade, à gravidade da doença e sobre a efetividade dos testes, tratamentos e vacinas”, reportou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, em discurso nesta terça.

Por enquanto, chama a atenção o quadro acelerado de contaminação em regiões da África do Sul já sob circulação da nova variante, mas as pesquisas ainda buscam entender se o cenário é decorrente da Ômicron, especificamente, ou envolve outros fatores, diz a OMS. Os números sugerem um quadro já bastante preocupante no país. Em uma semana, o número de casos ativos de infectados por Covid-19 saltou quase 80%, passando de 20.610 para 36 mil, mostra o reporte mais recente divulgado pelo departamento de saúde do país.

Esta semana, o diretor do Centro para Resposta a Epidemias da da África do Sul, Túlio de Oliveira, adiantou que é surpresa entre os pesquisadores a evolução da nova cepa, com 50 mutações identificadas até agora.

Ao redor de todo o mundo, cientistas voltaram a trabalhar em velocidade quase paralela para acelerar a concretização de indicadores. Enquanto isso, autoridades reafirmam que a principal resposta que se tem até agora é a vacinação – medida com a qual até o próprio governo federal veio à público concordar. Em toda a África, apenas 7% de toda a população do continente está completamente imunizada, conforme a regional da OMS no continente. Na África do Sul, o contingente já beneficiado pela vacinação é maior que a média, mas ainda muito pequeno se comparado aos países mais ricos: apenas 24,1%. No Brasil, por exemplo, mais de 80% da população acima dos 18 anos está plenamente vacinada.

Nesta segunda-feira (29), o Ministério da Saúde e Pfizer assinaram um contrato para a compra de 100 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 para aplicação em 2022, um indicativo positivo para as doses de reforço. A BioNTech, coprodutora da vacina da Pfizer, afirmou que já trabalha para adaptar a resposta do imunizante também à Ômicron.

Por enquanto, nenhum dos quatro laboratórios com vacina em uso emergencial no Brasil sabe exatamente como é a reação da nova cepa em relação às fórmulas disponíveis no mercado. A Universidade de Oxford, na Inglaterra, disse que também poderá adequar a AstraZeneca, se necessário, e que processos já estão sendo elaborados. O mesmo foi adiantado pela Janssen, braço farmacêutico da Johnson&Johnson, e pelo laboratório da Coronavac, a Sinovac, parceira do Instituto Butantan de São Paulo.

Independente de mudanças, a Organização Mundial da Saúde reforça o papel da vacina como o mais importante mecanismo para reduzir severamente taxas de contaminação e morte, inclusive contra a variante mais predominante no mundo neste momento, a delta. Por isso, completar o esquema com as duas doses – e eventualmente a terceira, a quem já está permitido – continua sendo a essência do trabalho global contra o vírus.

No país inteiro, mais de 21 milhões de pessoas precisavam voltar aos postos de vacinação para tomar a segunda dose, conforme dados de meados de novembro divulgados pelo governo.

Em Curitiba, a taxa de “faltosos” ainda mobiliza a Secretaria Municipal da Saúde (SMS). Até esta quarta-feira, cerca de 79 mil curitibanos que já deveriam tomado a segunda dose ainda não haviam retornado aos postos de vacinação.

Para a superintendente de gestão da pasta, Flavia Quadros, trata-se de uma quantidade que não deve ser ignorada, mas que ainda não compromete o trabalho da cidade.

“Ela não é uma taxa alarmante porque ainda assim nos dá controle da situação. Mas não é porque está sob controle que a gente não vai dar conta disso”, disse a gestora da prefeitura.

Para fazer moradores completarem o esquema vacinal contra a Covid-19, diversas capitais do país adotaram medidas de estímulo. Essa semana, São Paulo deixou de exigir comprovante de endereço para aplicar o imunizante. Em Salvador, a prefeitura fechou parceria com o comércio da cidade para oferecer descontos a quem comprovar ter tomado a segunda dose. Em Recife, na semana, a Saúde local implantou o ‘carro da vacina’. O automóvel se desloca entre bairros para imunizar a população.  

A superintendente de gestão da SMS de Curitiba afirmou que a capital não terá medidas diferente das que já vem praticando porque, ao contrário de outras cidades, tem um cadastro próprio da população imunizada.

“A nossa diferença é que a  gente tem no cadastro a pessoa o prontuário dela, o endereço dela, o telefone dela. Então eu sei onde ela mora, e a gente vai atrás. As equipes ligam e vão ao domicílio”, explica Quadros.

Segundo ela, o que tem se observado é que muitos dos que deixam de completar a imunização o fazem por terem apresentado reação após a primeira dose da vacina. Há também uma parcela que acabou tomando a segunda dose em outros municípios – informações que a prefeitura vem buscando no cruzamento dos dados da base do Ministério da Saúde.

“A população também precisa entender da necessidade dessa vacina. Nossa prefeitura tem a legislação que todo servidor deve tomar, então também pedimos o apoio da sociedade que cobre de seus amigos, de seus parentes, de seus funcionários que vão atrás dessa vacina”, ressalta.

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