11 jan 2022 - 20h23

Covid-19 infectou 45 crianças de 5 a 11 anos por dia no PR; grupo é o próximo a ser vacinado

Veja o que se sabe da imunização das crianças no Paraná até agora

O vírus da Covid-19 contaminou um média de 45 crianças de 5 a 11 anos por dia no Paraná até agora. Ao todo, essa faixa etária já soma 46.764 confirmações no sistema de dados abertos da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Apesar de representar uma fatia pequena na comparação com universo geral de infecções – 2,9 % do total, aproximadamente –, o número não pode, afirmam os especialistas, ser considerado irrelevante. Transmissores em potencial do vírus e com taxas de soroprevalência similares às dos adolescentes e superiores a dos adultos, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), crianças dessa faixa etária são os próximos a serem vacinados, em campanha prevista para começar nesta semana em todo o país.

No Paraná, os profissionais envolvidos na vacinação contra a Covid-19 em crianças estão sendo treinados desde a semana passada. No entanto, não há até agora uma data definida de quando os imunizantes começarão a ser aplicados em Curitiba e nos demais 398 municípios paranaenses, afirmou nesta terça-feira (11) a Sesa.

A estimativa é que pelo menos 185 mil doses sejam enviadas ao estado pelo Ministério da Saúde. A quantidade deve beirar os 200 mil se considerada uma antecipação de 600 mil doses pediátricas para o calendário de janeiro anunciada nesta segunda-feira (10) pelo governo Federal.

Na semana passada, a Sesa já havia confirmado que não irá cobrar prescrição médica para aplicar as vacinas no novo público-alvo da campanha. “Já tínhamos essa postura de não exigir a prescrição médica. Vamos proceder a vacinação contra a Covid-19 nas crianças da mesma forma que fizemos com os adolescentes, com a autorização dos pais”, declarou o secretário Beto Preto.

Antes de oficializar decisões, o Ministério da Saúde chegou a tematizar em audiência pública a obrigatoriedade de receita médica para a vacinação infantil  – o que foi rejeitado. A pasta só incorporou oficialmente a vacinação de crianças contra a Covid-19 ao plano nacional de imunização no último dia 5 de janeiro, mais de duas semanas após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar o uso do imunizante produzido pelo consórcio Pfizer-BioNTech, a Comirnaty, na faixa etária.

Em nota técnica, o governo Federal definiu que a vacinação para brasileiros de 5 a 11 anos não será obrigatória e ocorrerá por faixa etária, com prioridade para os que possuem comorbidades ou deficiências permanentes. Nas crianças sem comorbidades será realizada a imunização por faixa etária conforme a seguinte ordem: de 10 a 11 anos; de 8 a 9 anos; de 6 a 7 anos e, por fim, as de 5 anos.

A aplicação será com intervalo de 8 semanas entre a primeira e a segunda dose. Apesar de são precisar de receita, os pais ou responsáveis devem estar presentes e concordarem com a aplicação. Em caso de ausência, a vacinação deverá ser autorizada por um termo de assentimento por escrito.

No Paraná, 1,07 milhão de crianças de 5 a 11 anos devem ser vacinadas contra a Covid-19.Em Curitiba, devem ser vacinadas cerca de 165 mil.

De acordo com o calendário do Ministério da Saúde, o país tem acordos para receber 4,314 milhões de doses em janeiro; 7,272 milhões em fevereiro e 8,418 milhões em março.

A imunização de crianças contra o vírus Sars-Cov-2 é defendida por autoridades, incluindo a Sociedade Brasileira de Pediatria. A entidade publicou, no último dia 3 de janeiro, um documento científico corroborando a necessidade de imunizar o público infantil.

Segundo a entidade, estudos populacionais de soroprevalência por grupo etário realizados recentemente confirmam “as evidências epidemiológicas que apontavam que crianças e adolescentes são expostos ao vírus da mesma forma que adultos”, destacando ainda que o “papel das crianças na transmissão também já foi demonstrado em diversos estudos, particularmente das crianças maiores, sendo hoje reconhecidas como possíveis vetores de transmissão, mesmo que eventualmente com menor relevância que adultos”.

O texto incorpora dados de um levantamento feito junto aos registros do Ministério da Saúde que apontam que a taxa de  doenças associadas a mortes em crianças por Covid-19 é maior quando comparada aos indicadores relacionados à doença meningocócica, gastroenterite por rotavírus, influenza no ano da pandemia por H1N1, hepatite A, varicela e meningite pneumocócica.

“Os estudos com a vacina de RNAm (BNT162b2) da Pfizer demonstraram que a doença e suas complicações são passíveis de prevenção, inclusive em adolescentes e crianças. Aumentar o universo de vacinados oferece além da proteção direta da vacina, possibilidade de redução das taxas de transmissão do vírus e das oportunidades de surgimento de variantes”, afirma a Sociedade.

Flávia Cunha Gomide, médica paranaense vinculada à Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), corrobora a defesa dos especialistas.

Para ela, embora seja verdade o fato de crianças terem menor chance de desenvolver a forma grave da Covid-19, é verdade também que existe mortalidade entre o público infantil.

De acordo com dados da Sesa, entre março de 2020 até agora, 19 crianças entre 5 e 11 morreram em todo o Paraná vítimas da pandemia – contingente que cresce para 46 se considerados bebês recém-nascidos.

“Vacinar as crianças muito bom para o controle geral, para diminuir a circulação do vírus e para a própria proteção individual. Não dá pra dizer que toda as crianças vão ter quadros leves porque também há efeitos ruins em crianças. Apesar de raros, são mais frequentes que qualquer efeito adverso da vacina”, alerta a médica.

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