Coronavírus: Curitiba tem cinco casos. O que esperar? | Jornal Plural
Clube Kotter
12 mar 2020 - 14h27

Coronavírus: Curitiba tem cinco casos. O que esperar?

Todos os casos são importados. Quarentena voluntária e cuidados de higiene visam reduzir risco de contaminação

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, durante entrevista coletiva sobre o novo corona vírus.

A Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba confirmou nesta quinta-feira cinco casos de coronavírus na cidade. São as primeiras ocorrências da doença na capital. No Brasil, o Ministério da Saúde anunciou que 60 casos já foram confirmados e outros 19 foram informados por outros órgãos, o que faz o total de doentes no país passar de 70.

Com a chegada do vírus, a ansiedade em torno da pandemia entre os curitibanos aumentou. Mas o que esperar dos próximos dias?

Na última quarta-feira, dia 11 de março, a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou oficialmente a situação de pandemia, ou seja, uma situação de expansão da doença em todo o mundo. Já estão confirmados 126 mil casos e 4,6 mil mortes.

Os cinco casos confirmados em Curitiba são todos de pacientes que estavam no exterior e voltaram para a cidade neste início de ano. Ou seja, ainda não há na capital casos de transmissão aqui. Isso significa que as medidas tomadas pelas autoridades sanitárias visa restringir as oportunidades de contaminação.

Segundo a OMS a ocorrência de contaminação doméstica é inevitável. Mas os pacientes e pessoas com suspeita da doença estão sendo orientadas a ficar em quarentena doméstica voluntária para reduzir sua exposição a pessoas saudáveis.

Por isso, as medidas tomadas até o momento devem aumentar a busca e tratamento de pessoas com suspeita de ter contraído o vírus. O que deve levar ao cancelamento de eventos, como o do Festival de Curitiba, anunciado há pouco.

A Secretaria Municipal de Saúde também está orientando que quem estiver com sintomas respiratórios, ou  febre associada a outro sintoma respiratório e esteve em países com casos confirmados da doença deve procurar a rede de saúde privada ou pública. É fundamental informar o histórico da viagem no momento do atendimento.

O quão grave é a doença?

O coronavírus é uma família de vírus em formato de coroa conhecida desde a década de 1960 e que causam infecções respiratórias. O Covid-19, que começou a ser registrado no fim de 2019, na China, é uma variedade desse grupo. Dados da doença levantados até o momento indicam que em 80% dos casos a evolução dos sintomas é leve.

Pessoas com problemas respiratórios e cardíacos existentes, além de idosos tem mais chances de, ao contrair a doença, registrar uma evolução mais severa dos sintomas. Por isso a orientação de evitar visitas desnecessárias a idosos.

E se houver transmissão local?

Para a OMS, a ocorrência de transmissão local nas cidades em que o vírus já chegou é inevitável. Quando a situação se apresentar, é possível que se tomem medidas para restringir o contato, como a suspensão de eventos com muitas pessoas, a determinação de mudanças em locais públicos para garantir a distância recomendada de um metro entre pessoas.

Em algumas cidades do Brasil há medidas de suspensão de aulas, mas são iniciativas pontuais, como em Araraquara, onde a Unesp cancelou as aulas de uma turma que teve contato com uma estudante contaminada.

Prevenção

A principal medida de prevenção da doença é a higiene constante das mãos, o cuidado ao tocar olhos, boca e nariz e o uso de lenços descartáveis. Também se recomenda que se cubra a boca com o braço e a parte de trás do cotovelo quando espirrar ou tossir, de forma a evitar que pingos de saliva se espalhem.

Quem esteve no exterior, especialmente em países com casos confirmados, deve redobrar a atenção e procurar permanecer em quarentena caso apareçam sintomas no período de 14 dias após o retorno para o Brasil.

Segundo o GISAID, uma iniciativa que mapeia os dados genéticos de vírus, a cepa do COVID-19 que chegou ao Brasil veio da Inglaterra, Alemanha e Norte da Itália.

Pacientes curitibanos

Todos os casos de Curitiba foram importados e confirmados oficialmente por exames realizados pelo Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen-PR), considerado referência pelo Ministério da Saúde.

Dois deles são um homem de 54 anos e uma mulher de 25 anos, da mesma família, que estiveram em viagem recente para Espanha, Portugal e Holanda. Foram atendidos em um hospital da rede privada de Curitiba. O histórico destes dois pacientes já havia sido divulgado ontem, respectivamente, como caso provável e caso em investigação.

O homem tinha resultado positivo para o novo coronavírus em laboratório particular. E a mulher tinha laudo inconclusivo no mesmo laboratório, após um resultado positivo e outro negativo. Agora, os dois tiveram exames positivos pelo Lacen-PR.  

Além deles, há outros dois homens com idades respectivas de 15 e 43 anos, de mesma família, com registro de retorno de viagem da Itália. Um deles foi atendido em um serviço de saúde privado e o outro em um serviço da rede pública de Curitiba.

O quinto caso é um homem de 58 anos que também esteve na Itália. Ele buscou por atendimento em um serviço de saúde da rede pública de Curitiba.

Além dos cinco casos da capital, há o da paciente de Cianorte que esteve no Oriente Médio.

Ei, você! O Plural pretende sempre oferecer conteúdo gratuito e de qualidade. Mas isso só é possível se a gente tiver apoio de quem gosta do projeto. Olha só: você entra na nossa lojinha, faz uma assinatura de R$ 15 e ganha um jornal para a cidade. Tá barato, hein?

Um comentário sobre “Coronavírus: Curitiba tem cinco casos. O que esperar?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimas Notícias