Coronavírus avança do Centro para os bairros de Curitiba | Plural
9 jul 2020 - 20h43

Coronavírus avança do Centro para os bairros de Curitiba

Levantamento aponta que o Sul da Capital teve o maior acréscimo de casos de Covid-19 nos últimos dois meses

Uma comparação entre os meses de abril e junho de 2020 mostra que a contaminação por coronavírus está se deslocando do Centro para os bairros de Curitiba, especialmente os da região Sul da Capital. O acréscimo de casos chega a ser 11 vezes maior em alguns deles, como Sítio Cercado, Umbará, Tatuquara e Campo do Santana. Houve ainda aumento expressivo do vírus na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). São Brás, Seminário, Guaíra e Pilarzinho também aparecem com grandes variações positivas da doença.

Os dados são da Plataforma PR contra Covid, desenvolvida por pesquisadores da área de planejamento urbano com base nos números da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba. Os profissionais integram a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), o Ministério Público do Paraná (MP-PR) e o Núcleo Curitiba do Observatório das Metrópoles.

“Trabalhando com a variação ocorrida entre os dois períodos, observa-se claramente o deslocamento da doença do Centro para os bairros periféricos, atingindo expressivamente os bairros ao Sul de Curitiba, como Sítio Cercado, Umbará, Campo do Santana e Tatuquara, onde o acréscimo no número de casos variou entre 221% e 1.000%, ou entre 2,21 e 11 vezes para mais”, aponta o último relatório dos profissionais.

“Também bairros sem continuidade física, espalhados pela cidade, como São Brás, Seminário, Guaíra e Pilarzinho, aparecem na lista com variações positivas significativas, que vão de 267% a 333%.”

A análise dos mapas mostra a taxa de casos confirmados de Covid-19 por 100 mil habitantes nos bairros de Curitiba, nos dias 3 de abril e 3 de junho de 2020. “No mês de abril, a maioria dos casos concentrava-se em bairros próximos à região central, como Batel, Bigorrinho e Água Verde (taxas variando de 5 a 30 casos a cada 100 mil habitantes), mas também espalhando-se para bairros mais periféricos como o Cajuru, Uberaba, Boqueirão, Xaxim, Sítio Cercado e CIC, onde as taxas chegaram à pior situação, de 65 casos a cada 100 mil habitantes.”

Em junho, o deslocamento da doença se dá do Centro para bairros ao Norte da Capital, como Bairro Alto, Bacacheri e Santa Cândida. “Justamente os que possuem terminais de transporte coletivos. Além do agravamento dos indicadores nos bairros periféricos indicados no mês de abril, houve também um aumento expressivo de casos em bairros como o Sítio Cercado, que passou de 25 para 77 casos por 100 mil habitantes, e CIC, que passou de 65 para 133 casos por 100 mil habitantes.”

Segundo os pesquisadores, se divulgadas com regularidade, estas informações dariam condições de planejar ações de enfrentamento da pandemia, tanto por parte do poder público quanto da sociedade.

“O mapeamento desse panorama de capacidade de resposta do Estado e Município com relação às políticas de Assistência Social e do sistema de Saúde, os locais de maior vulnerabilidade, de maior insegurança social nesse momento, tem como objetivo criar subsídio para atuação do poder público, mas também para  que a sociedade civil, possa saber a situação da Cidade e fazer pressão no Município, influenciando-o a tomar providências para mitigar o impacto do vírus nessas áreas que apresentam maior insegurança social”, explica a professora da UFPR, Maria Carolina Maziviero.

Segundo ela, existe dificuldade na obtenção de dados desagregados, de dados diários do isolamento pela menor unidade territorial e com amplitude de dados, para caracterizar gênero, raça, faixa etária e doença prévia. “Esse subsídio que tivemos são retratos estáticos. Não são de hoje. A gente ainda não tem a qualidade de dados que precisaria para monitoramento mais próximo”, completa.

Além dos mapas com o deslocamento por bairros dos registros de coronavírus entre a população de Curitiba, a Plataforma PR Contra Covid apresenta artigos técnicos e acadêmicos sobre registros em cartório, mapa de ações de solidariedade, dados sobre a cidade de Paranavaí e índices de vulnerabilidade de pessoas em situação de rua em todo o Paraná.

*Com informações do Instituto Democracia Popular

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