Confronto com polícias resultou em 162 mortes | Plural
2 out 2019 - 22h40

Confronto com polícias resultou em 162 mortes

Dados são do Ministério Público do Paraná e correspondem ao primeiro semestre de 2019

As últimas quatro mortes envolvendo jovens do Parolin e policiais militares, registradas em Curitiba no dia 27/9, vão somar nas estatísticas do Ministério Público do Paraná (MP-PR). O órgão divulga regularmente o balanço de mortes em confrontos com policiais. Somente no Paraná, no primeiro semestre de 2019, foram 162 civis que perderam a vida nos embates. O número é menor do que o mesmo período de 2018 – quando foram registradas 179 mortes – mas maior do que o segundo período do ano passado, quando 148 morreram no Estado. As cidades com mais confrontos fatais foram Curitiba, Londrina e Almirante Tamandaré.

Das mortes em 2019, a maioria foi em ações envolvendo policiais militares: 157. No confronto com a Polícia Civil morreram 4 e com a Guarda Municipal 1. Os números representam uma redução de 17% se compararmos com o mesmo período do ano passado (janeiro a junho). Já se a comparação for com o último período divulgado (julho a dezembro de 2018), há um aumento de 9,5% nas mortes.

A comparação dos dados anuais do MP também resulta em aumento na percentagem de dados. Em todo o Paraná, em 2015, foram 247 mortes e em 2016, 264: um aumento 6,9%. Em 2017, foram 275 mortes e em 2018, 327: um acréscimo de 18,9%.

Curitiba está sempre no topo da lista. Em 2017, a Capital registrou 78 confrontos policiais com mortes; em 2018 foram 76 e neste ano, até junho, foram 31. No ranking de 2019, vêm logo em seguida: Londrina (25), Almirante Tamandaré (8), São José dos Pinhais (7) e Ponta Grossa (5).

Todas as operações policiais com mortes são avaliadas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do MP-PR. “A maior parte do que apuramos são condutas legais. Felizmente, são menores os números de casos em que chegamos a denunciar os policiais”, conta o coordenador do Gaeco, o promotor Leonir Batisti. “Lógico que há casos extremos, em que o policial parece tangido da intenção de matar alguém, mas, no calor do momento, ele pode ter uma ação que, apesar de indevida ou irregular, não é ilegal. Ele pode agir em legítima defesa própria ou de terceiros”, diz.

Bandidos mais violentos

Há 11 anos à frente do Gaeco, Batisti acredita que é possível associar o aumento no número de civis mortos com o crescimento no número de criminosos. “Eles estão cada vez em maior número e ainda mais violentos. Com a polícia chegando antes nas ocorrências, há maior risco de enfrentamento e mortes.”

Ele lembra que há treinamentos constantes e procedimentos-padrão. “O policial não deve atirar de modo letal quando não necessário. Se for preciso evitar uma possível agressão, deve ser numa região não letal.”

O problema, segundo ele, é que nem sempre isso acontece. “São pessoas treinadas, mas são humanos e em situação de estresse. Não estamos diante de máquinas e se estivéssemos daria errado também. Eventualmente, acontece aquela avaliação de que os disparos poderiam ter sido evitados, neste caso, levamos à responsabilidade penal.”

Todos os casos com mortes são avaliados pelo Gaeco. “Abrimos investigação, vemos os laudos, ouvidos pessoas e quando percebemos que não há ilegalidade, é arquivado. A maioria das condutas são legais”, revela, destacando que nem sempre os policiais são afastados durantes as investigações. “Apenas quando for evidenciado o excesso ou para atendimento psicológico.”

Batisti investiga o caso dos policiais da Rone, acusados por familiares de executarem, na última sexta-feira (27), quatro jovens do Parolin, três deles adolescentes. “Não vamos comentar este caso pois ele ainda está sob investigação.”

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