Como era Curitiba no dia da chegada à Lua | Jornal Plural
17 jul 2019 - 22h31

Como era Curitiba no dia da chegada à Lua

A Curitiba que torceu por Neil Armstrong tinha 642 mil habitantes, carros na XV e cinemas de rua

Em 20 de julho de 1969, o homem pisava na lua. Evento fundamental da história do século 20, o pouso dos astronautas foi assistido por uma Curitiba de 642 mil habitantes (segundo o censo do ano seguinte). Uma cidade pouco maior do que a atual Londrina – com um terço da população da capital hoje. Não só era menor. Curitiba era muito diferente.

A cidade era mais concentrada. O Centro ocupava um papel maior na vida das pessoas: ir ao Centro era “ir à cidade”. Bairros que hoje são superpopulosos, como Sítio Cercado, Boqueirão, Tatuquara e Pinheirinho estavam longe de ser o que são hoje.

A Cidade Industrial de Curitiba só seria criada dois anos depois. Seu idealizador, Jaime Lerner, ainda era na data da chegada à lua presidente do Ippuc. Nem sequer era filiado a partido político. Arquiteto de 37 anos, acabava de ter suas filhas e provavelmente não tinha a menor ideia de que seria governador.

Jaime Lerner (dir.) em 1969.

A Rua XV, que também seria modificada por Lerner, não tinha calçadão. O fechamento para carros veio em 1972. Antes disso, o que marcava a rua era a Cinelândia: uma sequência de cinemas perto da Boca Maldita. E, como sempre, os bares e cafés da região.

Dentre os cinemas, destacavam-se a inauguração do Condor, considerado de luxo, e o gigantesco Cine Vitória – o maior da capital, com nada menos do que 1,8 mil poltronas. Quase do mesmo tamanho que o Teatro Guaíra, o cinema passava grandes produções, e já tinha recebido estrelas de Hollywood como Janet Leigh. Havia também cinemas nos bairros, como o Marajó, no Seminário.

A vida noturna tinha muito menos opções do que hoje. Além dos bares (com presença feminina muito menor, apesar do início da revolução dos costumes), havia as sociedades e os clubes.

O Barigui ainda não tinha sido criado, e o principal parque da cidade era o Passeio Público, que também servia de zoológico da cidade.

Os expressos só viriam em 1974, e várias ruas ainda tinham as marcas dos trilhos dos bondes.

Exatamente em 20 de julho, dia da chegada à lua, terminava mais um campeonato paranaense, com o Coritiba conquistando seu 18º título, o segundo consecutivo. O artilheiro da temporada foi Paquito, do União Bandeirante, com 22 gols.

Dalton Trevisan.

Dalton Trevisan, que estreara dez anos antes com Novelas Nada Exemplares, lançava A Guerra Conjugal. Paulo Leminski, jovem, se mudava para viver uma temporada no Rio de Janeiro. O arcebispo era Dom Manuel da Silveira D’Elboux, que faleceria um ano depois.

A repressão aos opositores da ditadura era forte – no ano seguinte, começaria o uso do quartel da Rui Barbosa para torturas.

De 24 a 26 de março, a cidade havia sido a capital da República, para que Costa e Silva pudesse fazer uma graça com sua esposa, que era daqui, e com os aliados do regime que governavam o estado (Paulo Pimentel) e a cidade (Omar Sabbag).

Ivo Arzua, ex-prefeito, era ministro da Agricultura e em dezembro assinaria o AI-5, não sem antes fazer o discurso considerado pelo jornalista Elio Gaspari como o mais patético da sessão que fechou de vez o regime brasileiro.

 

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