UTFPR aguarda novo reitor entre farpas de candidatos | Jornal Plural
27 ago 2020 - 18h37

UTFPR aguarda novo reitor entre farpas de candidatos

Schiefler acusa Pilatti de articular com deputados para permanecer no cargo; atual reitor nega e lembra que adversário questionou eleições

Dois meses depois da eleição para reitor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), a comunidade acadêmica segue sem saber quem será nomeado para o cargo. Marcos Schiefler Filho foi o vencedor da consulta mas, embora derrotado nas urnas, o atual reitor, Luiz Aberto Pilatti, manteve seu nome na Lista Tríplice, podendo ser nomeado por Jair Bolsonaro (sem partido). Enquanto isso, Schiefler acusa Pilatti de articular com deputados para permanecer no comando da UTFPR.

Schiefler foi eleito pela comunidade acadêmica em votação apertada, com 51% dos votos contra 49% para Pilatti. Antes da definição do governo federal, os dois candidatos continuam trocando farpas. Schiefler fez um protesto formal sobre possível articulação do adversário com deputados do Paraná, o que seria desrespeito à vontade da comunidade acadêmica. Segundo ele, um dossiê com informações falsas teria sido elaborado para prejudicar sua candidatura.

Pilatti negou a articulação e garantiu que, se a campanha difamatória estiver acontecendo, não é com sua autorização. “Não procurei e não vou procurar nenhum deputado para fazer este tipo de pedido.”

O atual reitor também acusou seu adversário, lembrando que, antes da eleição, Schiefler pediu a anulação do processo em razão do pleito ter ocorrido fora de percentuais estabelecidos pela legislação. O reitor garantiu que, apesar de ter perdido no voto popular, não vai judicializar a questão em função de quaisquer fragilidades existentes na eleição. “Acredito no que foi feito e na lisura do processo.”

Respeito ao resultado

Em comunicado publicado no site da E-campus, Schiefler destacou que o compromisso assumido – publicizado pelas duas candidaturas – é para que haja respeito à vontade da comunidade acadêmica da UTFPR.

Em resposta, Pilatti alegou que seu adversário nunca assumiu esse compromisso e sustenta que deixou seu nome na Lista Tríplice em respeito à comunidade, já que a votação terminou, na avaliação dele, perto de um empate.

Expectativas

Em entrevista ao Plural, Luiz Alberto Pilatti argumentou que a escolha do reitor depende exclusivamente do Governo Federal. Ele lembrou que, nas últimas eleições, foram quase 90 dias até que ele fosse nomeado para o cargo.

Segundo ele, é muito difícil fazer qualquer previsão, mas torce para que a nomeação seja feita até o início de outubro. Questionado sobre o que pensa do procedimento de Lista Tríplice, o candidato disse que, independente do governo que está no poder, esse é o processo legal e precisa ser respeitado.

Procurado pelo Plural, Marcos Schiefler Filho ressaltou que o processo de nomeação pode ter seu desdobramento nos próximos dias. Até que isso ocorra, não vai se pronunciar sobre o assunto.

Lista Tríplice

No dia 8 de setembro, o mandato de Pilatti se encerra e sua vice, Vanessa Ishikawa Rasotto assumirá a Reitoria até outubro, quando também deve deixar o cargo. A eleição finalizada em 14 de julho é preliminar no processo de escolha do reitor. Depois que a Lista Tríplice é enviada para o Ministério da Educação (MEC), uma série de etapas precisa ser seguida.

O processo é primeiro analisado na área técnica da Diretoria de Desenvolvimento da Rede de Institutos Federais de Educação (IFES) do MEC, que verifica os procedimentos legais que precisam ser cumpridos. Em seguida, os documentos vão para a Secretaria Executiva; depois, a revisão da análise é feita pela Consultoria Jurídica do Ministério da Educação. Na etapa subsequente, a nomeação vai para o gabinete do ministro Milton Ribeiro. Depois, o processo irá à Casa Civil e, por último, é o presidente Bolsonaro quem dará a palavra final para nomear o novo reitor da UTFPR.

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Um comentário sobre “UTFPR aguarda novo reitor entre farpas de candidatos

  1. Qualquer candidato com o mínimo de moral que ficasse em segundo ou terceiro lugar na votação nem deveria assinar documento de aceite da nomeação do Presidente. Acho estranho também o pessoal nunca ter se preocupado em alterar a Lei da lista tríplice. Lembro também que os governos anteriores a este terraplanista sempre respeitaram a votação, exceto em um caso no governo do FHC.

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