Banheiro de shopping vira provador em Curitiba | Jornal Plural
11 dez 2020 - 13h56

Banheiro de shopping vira provador em Curitiba

Lojas e clientes desrespeitam regras contra Covid-19; faltam máscaras, distanciamento e água para os funcionários

Pessoas sem máscara, comendo pelos corredores e lojas, não cumprimento do distanciamento social, aglomerações, falta de álcool em gel, descontrole na entrada e ninguém aferindo a temperatura. Estes são alguns relatos que o Plural recebeu de funcionários e clientes de shoppings de Curitiba. Segundo eles, os empreendimentos não estão tomando os devidos cuidados com a pandemia de coronavírus.

“A gente vê muitas pessoas andando pelos corredores sem máscara, ou com a máscara abaixada”, é o que relata uma ex-funcionária do Shopping Mueller. “Pegam algo na praça de alimentação, suco, chopp, casquinha de sorteve e ficam circulando pelos corredores, sem tomar as devidas precausões. Dentro das próprias lojas, a gente está vendo muita situação de aglomeração.”

Ela conta que justamente por estas situações, de não cumprimento das regras de sáude, decidiu buscar outro emprego.

“O banheiro virou provador de roupa, as pessoas estão indo para o banheiro experimentar roupa, em várias lojas, até grandes redes. Estão indo se aglomerar no banheiro, experimentar roupa porque não pode usar vestiário (por conta do último decreto municipal), e a situação só está piorando”, diz ela.

“Principalmente na questão de banheiro. Tem dias que das torneiras não sai água direito, não tem álcool lá dentro, só nos corredores do shopping. Eles não estão fazendo aquele distanciamento entre as pessoas na escada rolante, o negócio lá está feio mesmo!”, afirma.

Frequentadores do shopping Mueller, localizado no Centro Cívico, também confirmaram ao Plural que não há medição de temperatura na entrada, álcool em gel somente em alguns locais e aglomerações em lojas.

Sem máscara e sem água

Outro funcionário, desta vez do Shopping Ventura, no Portão, relata que o dia já começa com uma luta na lotação nos ônibus, conforme já mostrou o Plural. “Depois, temos a entrada no shopping, e se você chega alguns minutos antes, já vê as filas de funcionários e clientes, muitos fumando ou aproveitando para respirar sem máscara antes de ter que ficar com ela por 6 a 12 horas consecutivas.”

Ele conta que os bebedouros do shopping estão desligados para evitar a propagação do vírus, porém, as lojas e os patrões não fornecem água, que tem que ser desembolsada pelos próprios funcionários. “A gente passa o dia todo tendo que falar com pessoas que vão se aglomerando, tirando as máscaras, e reclamando quando pedimos para colocá-las, ou entrando com sorvetes e outras comidas para poder ficar sem máscara. O medo vai crescendo.”

“Há aferição de temperatura na entrada, mas eu duvido que os termômetros realmente funcionem”, questiona um cliente. “Já notei diversas vezes que os resultados de temperatura nunca passam dos 33 ou 34 graus e isso quando os seguranças não esperam sequer o aparelho apitar para liberar a entrada dos clientes. Além disso, é  normal ver as crianças de qualquer idade sem máscara, clientes com máscaras no queixo, ou tirando-as para comer sorvetes ou outros aperitivos enquanto andam por todo o shopping, sem nenhum segurança abordá-los”, percebe.

“A praça de alimentação ensaiou uma tentativa de manter o distanciamento social, separando mesas e deixando algumas sem cadeira, mas basta você passar lá no horário do almoço ou do happy hour para ver grupos juntando mesas, rearranjando cadeiras e etc. A própria entrada de pessoas parece não ser contabilizada, não vi em nenhum dia algum segurança barrar a entrada devido à lotação máxima”, enfatiza.

Ônibus lotados ao fim do dia

Excesso de passageiros na pandemia já foi registrado pelo Tribunal de Contas. Foto: TCE/PR

O trabalhador do shopping, que preferiu não se identificar, diz que na volta também enfrenta aglomerações no transporte público, pois todos os shoppings encerram as atividades no mesmo horário: 22h. Seu ônibus, que passa por quatro grandes shopping de Curitiba, fica lotado.

O problema dos coletivos lotados já foi mostrado pelo Plural. A ocupação, que deveria ser de no máximo 70% da capacidade de passageiros, é constantemente maior, em especial nas linhas que cortam a cidade, como os Interbairros. A situação se agrava em horários de pico, já que as novas regras decretadas pela Prefeitura de Curitiba alteram o período de funcionamento do comércio apenas aos domingos.

“Tenho medo de pegar a doença, de passá-la para alguém da família ou de ter complicações, medo pelas pessoas que têm que cuidar de pais ou avós. É só pensar um pouco para ver o absurdo que é manter um ambiente fechado como são os shoppings em funcionamento para vender itens não essenciais, sem conseguir manter padrões de segurança, higiene e fiscalização mínimos, colocando em risco tantas vidas”, acrescenta o funcionário.

Respostas

O Shopping Mueller, em nota, diz que está atendendo às determinações de organizações de saúde e decretos municipais e estaduais, continua aplicando as medidas de controle e prevenção da proliferação da Covid-19. Segundo o empreendimento, foram reforçadas as medidas de limpeza e higienização de ambientes com maior fluxo e toque de pessoas.

O shopping, “inclusive, adquirindo equipamentos de sanitização do ar, continua aferindo a temperatura dos clientes que chegam; mantêm a redução de assentos nas áreas de alimentação; continua também com placas orientativas de distanciamento por todo o hall; e reforça aos colaboradores e lojistas para que adotem práticas que colaborem para a melhora do atual cenário de Curitiba”.

Para acesso ao Mueller, “é obrigatório o uso de máscaras e caso eventuais clientes retirem a proteção durante o passeio são orientados pela nossa equipe de segurança para que sigam as determinações das instituições de saúde e adotadas pelo Shopping Mueller.”

O Shopping Ventura foi procurado pelo Plural, mas não respondeu ao questionamentos até o fechamento desta reportagem.

Colaborou: Matheus Koga

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4 comentários sobre “Banheiro de shopping vira provador em Curitiba

  1. Trabalho no centro cívico e frequento shopping mueller está reportagem e lamentável e sua publicação deveria ser excluída e responsável processado por calúnia e injúria pois não condiz com a realidade dos fatos shopping mede a temperatura e orienta os clientes quanto ao banheiro pelo menos no masculino não vi ninguém experimentando roupas

  2. Não só o shopping mueller que desrespeita ordem sanitária, quanto o shopping estação e Curitiba. Com coronavirus não se brinca são vidas.. comprou uma casquinha de sorvete pode desfila sem máscara é carnaval agora

  3. Se a pessoa já comprou a roupa, ela experimenta onde ela quiser, melhor ainda se for um lugar privado como o banheiro. Tá que a pessoa ai da reportagem pediu demissão por causa das regras supostamente infringidas pelo shopping, conversa pra boi dormir.

  4. Não somente os termômetros não funcionam, assim como medir no pulso não é tão efetivo quanto medir na testa, e também li relatos de pessoas com temperatura corporal alta, mas entram do mesmo jeito pois segundo os seguranças “iam ter que barrar muita gente”. De que serve então as medidas sanitárias se pessoas contaminadas e com sintomas podem circular livremente em ambientes fechados sem preocupação porque o decreto não está sendo cumprido?

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