Aulas presenciais podem voltar só em 2021 | Jornal Plural
2 ago 2020 - 21h45

Aulas presenciais podem voltar só em 2021

Governo do Paraná fala em retomar ensino em sala de aula em setembro, mas nos bastidores admite-se que isso parece improvável

O governo do Paraná informou na semana passada que está tomando as medidas necessárias para que as aulas presenciais retornem em setembro. Foram anunciadas quantidades gigantescas de álcool em gel e de máscaras a serem compradas, além de regras a serem seguidas. No entanto, nos bastidores, já se admite que pode mesmo ficar tudo para o ano que vem.

As aulas presenciais, tanto nas escolas públicas quanto nas particulares, foram interrompidas no Paraná na última semana de março, quando a pandemia de Covid chegou. Desde lá, as aulas têm sido feitas à distância, na expectativa de que o pico do contágio passe e os alunos possam retornar – com os devidos cuidados – às salas de aula.

Porém, mais de quatro meses depois da interrupção, o cenário só se agrava em todo o estado. E embora as autoridades continuem, no discurso, apostando em uma volta para o segundo semestre, em off servidores e políticos dizem que provavelmente não haverá condições para isso. Além das dificuldades operacionais, existem os receios, mais do que justificados, de pais e dos profissionais de educação.

”Não vejo a menor condição de voltar este ano”, disse sob condição de confidencialidade ao Plural uma fonte próxima ao prefeito Rafael Greca (DEM), de Curitiba.

”Eles dizem que volta em setembro”, afirma uma pessoa de dentro da Secretaria de Estado da Educação, do governo de Ratinho Jr. (PSD). ”Mas é muito improvável, do meu ponto de vista. Imagina o que significaria para o governo liberar as aulas e começarem a morrer crianças.”

Receio

De fato, o governo do Paraná parece com receio das consequências da possível volta às aulas. Na semana passada, ao anunciar o protocolo para retomar o ensino presencial, a Secretaria de Educação incluiu um documento que deveria ser assinado pelos pais isentando as autoridades de qualquer tipo de contágio que pudesse ocorrer. Houve pressão e o governo recuou.

Outra medida que o governo pretende adotar é uma enquete com a população para saber o que pais e mães pensam do ensino presencial no atual momento. A pesquisa já chegou a ser mencionada por autoridades da Secretaria da Educação. A ideia é que de pouco adiantaria retomar as aulas caso ninguém tivesse coragem de mandar seus filhos.

Neste domingo, uma prévia do que pode acontecer surgiu nas redes sociais do líder do governo Ratinho na Assembleia Legislativa, Hussein Bakri (PSD). O deputado fez uma enquete com seus seguidores e, das centenas de comentários, pouquíssimos eram favoráveis ao retorno das aulas.

Quem defende a volta às aulas, como no caso de associações que representam escolas particulares, diz que há como prevenir o contágio com alguns cuidados. A baixa periculosidade da doença para crianças também seria um fator a ser levado em conta.

Riscos

Por outro lado, além de poder haver transtornos para as crianças, há riscos para professores e funcionários das escolas, e os alunos podem ainda servir de vetor para levar o vírus para dentro de casa, passando para familiares mais velhos e pessoas da vizinhança, por exemplo.

A APP-Sindicato, que representa professores e técnicos da rede estadual de ensino, já se manifestou contra a volta às aulas presenciais durante a pandemia.

“Não há condição de retorno das aulas durante a pandemia. Por isso, a APP-sindicato continuará exigindo um debate amplo e com indicadores, na defesa da vida dos trabalhadores da educação e de toda a comunidade escolar. Precisamos de garantias de segurança sanitária e epidemiologia, o que não temos no horizonte para os próximos meses”, afirma Walkiria Olegário Mazeto, dirigente do sindicato.

(Uma versão anterior deste texto dizia que 2022 seria o ano provável da volta às aulas presenciais. A informação correta é 2021. A correção foi feita.)

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