7 jan 2022 - 10h25

Após temporal, muro desaba e prédio tem garagem e elevadores alagados no Cabral. Veja vídeos

Segundo moradores do edifício Torre di Ravello, que fica em frente ao antigo presídio do Ahú, esta não é a primeira situação de alagamento

A chuva que atingiu Curitiba na noite desta quarta-feira (5) causou transtornos para os moradores do edifício Torre di Ravello, na Rua São Luiz, no Cabral. Com o desabamento do muro do antigo presídio do Ahú, que fica em frente ao prédio residencial, além da inundação dos elevadores, cerca de 15 carros foram atingidos pelo alagamento que invadiu a garagem no subsolo do edifício. 

De acordo com Taylla Zanoni, moradora do residencial há 15 anos, desde que foi concluída a obra no antigo presídio do Ahú, que hoje abriga a sede do Centro Judiciário de Curitiba, os alagamentos na Rua São Luiz são recorrentes. 

Taylla conta que na noite desta quarta, ela, o marido e os filhos estavam fora e por isso não tiveram os veículos prejudicados. Logo depois de retornarem ao apartamento, por volta das 21h30, o muro do fórum criminal desabou, o que fez com que toda a água acumulada no local invadisse a Rua São Luiz – já alagada – e consequentemente o prédio de Taylla.

Além da garagem, os poços dos elevadores do condomínio foram completamente inundados, o que impediu o funcionamento da estrutura. “Essa foi a vez que causou mais prejuízos e danos. Os elevadores estão todos paralisados, provavelmente vão ficar assim de 10 a 15 dias. É um prédio de 21 andares, eu moro no 15º. Agora toda vez para sair de casa vamos ter que pensar muito bem”, relata a moradora.

Segundo Taylla, a água chegou na altura das maçanetas dos carros. Como o prédio tem três andares de garagem, apenas os veículos do subsolo foram afetados, alguns tendo perda total. O edifício acionou o seguro e contratou um caminhão para limpar a garagem e a frente do prédio da lama e entulhos que restaram.

“É complicado. Essa não é a primeira vez que aconteceu esse incidente aqui. Graças a Deus não teve nenhuma vítima, mas a coisa pode piorar e uma hora pode acontecer uma tragédia maior. O sentimento de todos os moradores mais antigos é de que está tão complicado que daqui a pouco teremos que deixar o imóvel. A gente fica um pouco revoltado com isso”, afirma Taylla.

De acordo com Vanderlaine Gritlet, outra moradora do prédio, o problema é que, no Centro Judiciário foi construída uma espécie de caixa de contenção que retém apenas uma pequena vazão de água. “Com a chuva de ontem, a tubulação não aguentou e arrebentou o muro, e aí a água que estava lá veio toda para cá. Que eu me lembre é a terceira já. Mas essa foi a pior”, relata.

Apesar da preocupação com novas chuvas que possam causar mais danos à estrutura do prédio, a moradora reforça que o edifício não tem risco de desabamento. “Agora que não tem mais o muro tem mais perigo de vir mais água para cá se der um novo temporal, mas aqui não corre risco de desabamento. O que corre risco é o resto do muro do TJ [Tribunal de Justiça], a gente está vendo que as contenções não vão segurar. Chamamos uma engenheira hoje para fazer um laudo para ver se tinha algum abalo na estrutura do prédio e não tem nada demais, tirando os danos materiais dos carros e elevadores”, garante. 

Até a manhã desta quinta-feira (6), a via, que liga o Cabral ao Centro da cidade, estava interditada. No entanto, as barreiras que indicavam o bloqueio parcial de uma das faixas, sinalizadas pela Setran, já foram retiradas. Equipes da Secretaria do Meio Ambiente (Arborização e Limpeza Pública), da Defesa Civil e da Coordenadoria de Segurança de Edificações e Imóveis (Cosedi), além de guardas municipais e agentes de trânsito, passaram a manhã prestando atendimentos emergenciais e fazendo a limpeza da rua. 

O que diz a prefeitura

Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Defesa Social e Trânsito afirmou que há iminência de risco estrutural no muro frontal do terreno do Tribunal de Justiça e que notificou o responsável pelo imóvel para que ele faça a demolição e execute medidas que garantam a estabilidade estrutural do muro.

Em nota, a Secretaria Municipal de Obras Públicas informou que obras de macrodrenagem, parte do Programa Curitiba Contra as Cheias, estão sendo realizadas nos bairros Alto da XV, Cristo Rei, Hugo Lange e Cabral. Quando finalizadas, as obras devem diminuir a incidência de alagamentos nas áreas.

“São galerias de detenção em concreto no Rio Juvevê em três ruas da região central [Rua Camões, Rua João Américo de Oliveira, e Rua Herval]. Quando estiverem prontas, as galerias reservatórias terão a função de armazenar temporariamente a água da chuva que reforça o caudal do Rio Juvevê, controlando a velocidade da sua vazão até que o temporal diminua. Juntas, as três galerias terão capacidade de reserva de 9 mil metros cúbicos de água.”

Danos 

A chuva desta quarta-feira causou estragos e transtornos por toda a cidade. Além do muro do Cabral, outras quatro estruturas nos bairros Ahú, Santa Cândida, Batel e Bigorrilho estão com risco de desabamento ou desmoronamento, conforme boletim da Defesa Civil desta quinta-feira (6).

Segundo a prefeitura, a chuva acumulada chegou aos 80,2 mm em um período de 24 horas, equivalente à metade do previsto para todo o mês de janeiro, de acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Foram registradas 21 solicitações para retirada de árvores e galhos grandes caídos, além de um acidente de trânsito no bairro Parolin.

Houve ainda cinco entregas emergenciais de lonas nos bairros Xaxim, Bacacheri, Boa Vista e Santa Felicidade; ao menos 11 pontos com alagamentos mais expressivos no CIC, Bairro Alto, Seminário, Bacacheri, Novo Mundo, Jardim Botânico, Centro e Fazendinha, além de 11 cruzamentos semaforizados que ficaram inoperantes durante o período da noite.

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