Ambientalistas querem revogação da facilitação do uso de armas de caça | Jornal Plural
Clube Kotter
27 ago 2020 - 21h19

Ambientalistas querem revogação da facilitação do uso de armas de caça

Cota para caçadores subiu de 12 para 30, metade de uso restrito, como fuzis semiautomáticos

Um conjunto de 137 organizações da sociedade civil – incluindo 14 entidades paranaenses – assinou uma carta contra a expansão de compras e registros de novas armas de fogo. A manifestação coletiva tem a ver com alterações em decretos e portarias do Exército feitas pelo governo Bolsonaro. Os ativistas falam em ameaça à biodiversidade.

O documento foi enviado aos presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado Federal, Davi Alcolumbre, além de líderes de partidos. O texto menciona o fato de o Governo Federal ter editado 11 portarias “que procuravam facilitar a compra e o uso de armas de fogo, o que resultou em um acréscimo de quase 140 mil novas armas em poder da população”, sendo que algumas foram “revogadas por serem inconstitucionais”.

Os signatários também consideram “de extrema gravidade o fato de o Governo haver revogado três portarias do Exército que permitiam a rastreabilidade de armas, dificultando, e até impossibilitando, a identificação dos perpetradores de delitos os mais diversos”.

Na categoria “caçadores”, o documento lembra que foi ampliada a cota de armas de 12 para 30, sendo até 15 de uso restrito, o que inclui fuzis semiautomáticos. Por esses e outros motivos, o número de caçadores teria crescido muito no primeiro ano de governo Bolsonaro, agravando a “situação de penúria da nossa biodiversidade”.

Entre outros dados, os ambientalistas citam um relatório de 2018 da World Wide Fund for Nature (WWF) para mostrar como a biodiversidade do planeta já está ameaçada. “As populações de vertebrados (mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes) sofreram mundialmente uma queda de 60% desde a década de 1970. E nas Américas do Sul e Central a perda foi ainda mais dramática: 89%”.

A carta é finalizada falando em justiça intergeracional. “Não podemos permitir que tal cenário apocalíptico seja pago por nossos filhos e netos”, escrevem os ativistas, pedindo medidas urgentes por parte do parlamento brasileiro.

Maioria é contra porte de armas

Os ambientalistas afirmam que a população brasileira está de acordo com a reivindicação, visto que mais de um milhão de pessoas já assinaram petições on-line contra projetos de lei pró-armas que tramitam no Congresso Nacional.

Dados do Ibope também são citados: “73% dos brasileiros são contra a flexibilização do porte de armas por cidadãos comuns; 61% são contrários a mais facilidade para possuir arma em casa e 93% dos brasileiros são contra a caça”.

Gato Maracajá. Foto: Repraas

Organizações paranaenses

Confira quais foram as organizações paranaenses que assinaram o documento:

– Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária – AMAR (Araucária/PR)

– Associação MarBrasil (Pontal do Paraná/PR)

– Grupo de Pesquisa em Conservação da Natureza e Educação Ambiental – CONEA/UTFPR (Curitiba/PR)

– Grupo de Pesquisa em Direito Animal do UNICURITIBA -Centro Universitário Curitiba (Curitiba/PR)

– Grupo Universitário de Pesquisas Espeleológicas – GUPE (Ponta Grossa/PR)

– Instituto Os Guardiões da Natureza – ING (Prudentópolis/PR)

– Instituto de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental – SPVS (Curitiba/PR)

– Instituto Internacional Arayara (Curitiba/PR)

– Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais (Curitiba/PR)

– Observatório Educador Ambiental Moema Viezzer, da UNILA – Universidade Federal da Integração Latinoamericana (Foz do Iguaçu/PR)

– Observatório de Justiça Conservação – OJC (Curitiba/PR)

– Organização Ambiental Sócio Agro Arte Cultural Brinque e Limpe (Curitiba/PR)

– União Brasileira de Mulheres – UBM-Paraná (Curitiba/PR)

– Associação de Saúde Ambiental – TOXISPHERA (Curitiba/PR)

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