Afetados pela queda nas corridas, taxistas pedem isenção de taxas pagas ao município | Jornal Plural
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19 maio 2020 - 22h16

Afetados pela queda nas corridas, taxistas pedem isenção de taxas pagas ao município

Com a crise do coronavírus, motoristas querem a liberação do pagamento das outorgas em 2020. Categoria ameaça acampar em frente à prefeitura

Afetados pela queda nas corridas em Curitiba devido ao isolamento social causado pela pandemia de coronavírus, os taxistas da cidade estão pedindo isenção de taxas pagas ao município em 2020 e a realização de uma discussão com base técnica para diminuí-las no ano que vem.

Entre os pedidos dos taxistas estão: a isenção das taxas de 2020; a redução da outorga (taxa para liberar o funcionamento dos serviços de táxi) para R$ 270; a não obrigatoriedade de apresentar a Declaração de Regularidade do Contribuinte Individual e apenas a inscrição do INSS; o fim do valor da transferência da titularidade da outorga para espólio ou familiares diretos; ajuda para cestas básicas, álcool gel e máscaras; ajuda financeira de R$ 300 para cada taxista; e flexibilização de roupas para serem usadas durante o trabalho.

De acordo com Paulo Toledo, presidente da União dos Taxistas de Curitiba (UTC), o motorista que vivia exclusivamente do táxi, já não tem mais trabalho. O representante dos taxistas lembrou que a classe vem tendo problemas desde 2016, em razão da concorrência com os aplicativos de transporte. Para ele, a pandemia trouxe uma situação ainda mais extrema. “Além de não ter corrida e não ter trabalho, nós continuamos obrigados a pagar todas aquelas taxas que a Urbs e a prefeitura de Curitiba nos cobram”, diz.

Toledo relata que as condições de trabalho são críticas e que uma campanha para arrecadar cestas básicas foi realizada para ajudar taxistas mais necessitados.

Os taxistas ameaçam acampar em frente à sede do Executivo municipal caso a prefeitura negue isentar as taxas neste ano e diminuir as cobranças em 2021. No último dia 12, os motoristas fizeram uma manifestação contra a Urbs. O protesto começou em frente ao Estádio Dorival de Britto, na Vila Capanema, e seguiu até a sede da Urbs, na Rodoferroviária de Curitiba. Depois os taxistas foram até a Câmara Municipal.

Cerca de 150 táxis participaram da manifestação, sendo que 100 deles ficaram parados em frente à sede da prefeitura. Uma comissão de taxistas se reuniu com o secretário de Governo, Luiz Fernando de Souza Jamur.

A direção da Urbs informou ao Plural que está analisando os pedidos dos taxistas. A autarquia teria ficado de dar uma resposta às demandas nesta terça-feira, mas uma nova reunião foi marcada para quarta-feira (20).

Críticas

Os adversários do prefeito Rafael Greca nas próximas eleições também aproveitaram a manifestação dos taxistas para criticar e cobrar ações efetivas da prefeitura para ajudar os taxistas.

Em seu Facebook, o ex-prefeito Gustavo Fruet argumenta que os taxistas do mundo inteiro estão sofrendo com o coronavírus. Na postagem, ele explica que os 3.000 permissionários querem que a administração municipal os libere em 2020 do pagamento de parte das outorgas. O objetivo é tentar aliviar as dívidas dos motoristas, que têm tido poucas corridas.

Segundo o pedetista, a prefeitura deixaria de ganhar R$ 3,2 milhões com a cobrança dessas taxas e mais R$ 720 mil com a emissão de carteirinhas para os taxistas. A queda de arrecadação seria de quase R$ 4 milhões, valor que, segundo Fruet, representaria 2% do que será passado para as empresas de transporte coletivo. De acordo com ele, quando Greca atende as pressões de alguns setores, a solicitação das demais categorias se torna ainda mais legítima.

De acordo com João Arruda (MDB), os motoristas precisam de apoio financeiro urgente. Segundo ele, a taxa de outorga paga anualmente pelos está em R$ 1.350 e é a mais alta do país. Para Arruda, os taxistas sempre apoiaram a logística do transporte coletivo de Curitiba. O ex-deputado lembrou que os motoristas de táxi estão sendo tratados de forma diferente dos empresários do transporte coletivo.

Para Fernando Francischini, os taxistas só querem a mesma atenção que foi dada para as empresas do transporte coletivo. Segundo ele, alguns motoristas não tem dinheiro para comprar comida.

Um projeto de Francischini, que está tramitando na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), propõe o pagamento de um auxílio emergencial para motoristas de aplicativos, transportes escolares, taxistas, motoboys e do transporte coletivo urbano durante a pandemia. A ideia é que todos ganhem um salário mínimo estadual (R$ 1.383,80) enquanto perdurar o período de calamidade pública.

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