Adeus às estações tubo? | Jornal Plural
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10 abr 2019 - 7h00

Adeus às estações tubo?

Prefeitura prevê a revitalização da linha Inter 2 e a substituição do atual modelo de parada de ônibus por um novo conceito

As 12 estações tubo que funcionam como ponto de parada da linha Inter 2 deverão ser substituídas por novos modelos nos próximos anos. A Prefeitura de Curitiba busca viabilizar, com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), um financiamento de R$ 507 milhões. O valor é uma estimativa do custo para revitalizar toda a linha do Inter 2, aumentando sua capacidade de transporte em quase 30%, e substituindo as estações tubo por um novo conceito.

Se isso parece ser um adeus ao icônico modelo dos tubos de vidro inaugurados nos anos 1990, Olga Prestes, integrante da Coordenação de Mobilidade da Supervisão de Planejamento do Ippuc, garante que os característicos tubos não deixarão a paisagem curitibana tão cedo. Os novos modelos devem substituir, a princípio, apenas os pontos da linha revitalizada. “Não pretendemos substituir [as estações] em outras linhas. O que pretendemos é, ao fazer linhas novas, implantar as novas estações. Mas simplesmente substituir não faz parte do plano”, ressalta.

Novo modelo prevê climatização e fotocélula / Imagem: Prefeitura de Curitiba

Ainda não há um detalhamento do novo conceito, apenas um modelo 3D e uma planta com dimensões e cortes. Até o momento, a ideia é que as novas estações sejam energicamente autônomas, contando com fotocélula. “As estações estão passando por uma reformulação do conceito. […] Estamos prevendo que essas estações sejam climatizadas, que não tenham cobrador. É um novo sistema de estação, um novo modelo”, esclarece Olga Prestes. Os projetos executivos ainda precisam ser detalhados.

Outras ações

Além dos novos modelos de estação, outras medidas devem propiciar o aumento de passageiros atendidos pela linha. A proposta é que todas as vias no trajeto do ônibus sejam reestruturadas. O projeto prevê ruas de sentido único, os conhecidos binários, além da implantação de faixas exclusivas de ônibus em diversos trechos. Ao todo, quase 60 quilômetros de vias serão requalificados.

A capital paranaense deverá contar, também, com outras três obras de viaduto – como a da Rua General Mário Tourinho. “Já foram identificados pontos de lentidão, com necessidade de fazer transposições e desvios”, informa Olga Prestes. Com as modificações previstas, o Inter 2 vai se integrar com a Linha Verde, nas estações Xaxim e Tarumã, na Avenida Victor Ferreira do Amaral – que receberá um dos novos viadutos no cruzamento com a Rua Konrad Adenauer. A outra obra acontecerá na Rua José Gomes de Abreu com a Linha Verde, no Novo Mundo.

Hoje, cerca de 91 mil passageiros utilizam a linha Inter 2 todos os dias. Com as ações, a Prefeitura espera atender 118 mil pessoas ao dia, um aumento de 29%. Encurtando o tempo de operação, será possível aumentar a frota em circulação. Para Roberto Gregório da Silva Junior, professor do Departamento de Transportes da UFPR e ex-presidente da Urbs (de 2013 a 2017), a mudança é possível. “Toda infraestrutura que for implantando, referente ao transporte público, é muito bem-vinda e deve ser apoiada”, afirma o professor.

No entanto, há uma série de questões em Curitiba a serem observadas. “Precisamos entender que o sistema hoje demanda uma revisão, principalmente frente à questão dos aplicativos que estão sendo utilizados”, ressalta Gregório. Segundo ele, outros fatores que também impactam na questão são o valor da tarifa paga pelo usuário e as políticas de incentivos para a aquisição de veículos. Para Gregório, agregar valor ao período de deslocamento, com ações como a disponibilização de internet, também pode ser um atrativo importante na retenção de usuários. A segurança e a qualidade do serviço prestado, como horários regulares, limpeza e conforto dos veículos, bem como a iluminação nos pontos de ônibus, são também fatores de relevância. “O poder público precisa de pessoal, de um sistema de informação, para que possa fiscalizar a qualidade dos serviços. Sem isso, a sociedade acaba refém dos operadores do transporte coletivo”, salienta.

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Todas as mudanças, no entanto, não contam com datas exatas e devem acontecer ao longo dos próximos dois anos. Do valor total financiado, R$ 405,8 milhões seriam provenientes do BID e R$ 101,4 milhões serão contrapartida do município – um recurso que só deve chegar à cidade em um ano e meio após o Ippuc apresentar estudos técnicos. Antes, o município deve tratar da contração dos projetos executivos e das licitações.

Roberto Gregório faz um alerta importante: “Quando falamos de transporte coletivo, o foco deveria ser nas pessoas e não onde elas moram, não na quantidade. Devemos ter o olhar atento para as pessoas, para quem precisa se locomover na cidade”.

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