Traiano determina votação da reforma da previdência de Ratinho na Ópera de Arame | Plural
4 dez 2019 - 11h09

Traiano determina votação da reforma da previdência de Ratinho na Ópera de Arame

Prédio da Assembleia está ocupado por manifestantes que protestam contra as medidas do governo. Votação deverá ocorrer na tarde desta quarta-feira

O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Ademar Traiano (PSDB), decidiu que a primeira votação da reforma previdenciária proposta pelo governador Ratinho Jr. (PSD) acontecerá na Ópera de Arame. É a mesma estratégia usada por Rafael Greca (DEM) e pelos vereadores em 2017, para fugir da população revoltada, na época, com o pacote de ajuste fiscal.

A sessão será fechada, sem a presença da população. Só a imprensa credenciada poderá entrar na Ópera de Arame, além dos deputados e dos servidores da Assembleia envolvidos com a sessão. O policiamento na região da Ópera já é forte.

A votação deve acontecer na tarde desta quarta-feira (4), depois de um dia tumultuado na Assembleia. Nesta terça (3), a sessão foi encerrada mais cedo depois que servidores protestando contra a reforma forçaram a entrada, passaram pelo forte esquema de segurança armado pela PM e tomaram o prédio da Assembleia.

O dia terminou com dois feridos, uso de balas de borracha, spray de pimenta e com os deputados esvaziando o plenário às pressas. À noite, Traiano conseguiu uma liminar para desocupar a Assembleia, inclusive usando força policial, mas a medida não chegou a ser cumprida até o momento.

A reforma de Ratinho inclui o estabelecimento de idades mínimas para aposentadoria (65 anos para homens e 62 para mulheres) e o aumento da contribuição mensal dos servidores de 11% para 14%. Nesta terça, algumas medidas amenizaram o pacote, que mesmo assim continua sendo muito criticado pelos sindicatos.

Em coletiva na manhã desta quarta, Traiano usou a ocupação do prédio da Assembleia como pretexto não só para a votação na Ópera como também para outra decisão igualmente polêmica: votar a PEC da Reforma integralmente hoje, desrespeitando a exigência constitucional de interstício de cinco sessões entre cada uma das três votações.

Vários setores, como educação e agentes penitenciários, já declararam greve contra a reforma do governo. Ratinho, por sua vez, diz que está meramente alinhando o estado com as medidas tomadas por Jair Bolsonaro (PSL) em relação ao funcionalismo federal. O governador diz haver um déficit anual de R$ 5,4 bilhões nas contas da previdência estadual, número questionado pela oposição e pelos sindicatos.

A decisão de Traiano foi duramente criticada pelos sindicatos. “É um golpe contra a nossa constituição, contra a população e contra os servidores. O autoritarismo do governo e de seus aliados não tem limites e não iremos nos calar”, afirmou Hermes Leão, presidente da APP-Sindicato, que representa professores e servidores da educação.

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