Temer admite exagero em dados que aprovaram Reforma Trabalhista | Jornal Plural
13 jul 2020 - 20h50

Temer admite exagero em dados que aprovaram Reforma Trabalhista

Ex-presidente prometeu seis milhões de empregos com a reforma. Três anos depois, confessa que ministros elevaram números para aprovar mudanças

O ex-presidente da República, Michel Temer (MDB) afirmou que o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o ex-ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, aumentaram os números que foram utilizados para embasar a aprovação da Reforma Trabalhista do seu governo, em 2017.

A declaração foi feita depois de Temer ter sido questionado sobre os seis milhões de empregos prometidos pela sua gestão. O ex-presidente foi um dos convidados do programa Violações e Retrocessos, coordenado pelos acadêmicos de direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Vitor Capacle e Matteus Henrique. Os advogados Ramon Bentivenha e Rafaella Fácio também participaram da conversa.

“Quero concordar com sua afirmação inicial, final aliás, que o nosso ninistro Meirelles e nosso ministro Nogueira exageram em suas previsões”, afirmou o ex-presidente durante uma pergunta. Segundo ele, seus ministros estavam pautados pela ideia de aprovar a reforma.

“Na verdade, é muito comum no Brasil, você produz uma lei, aí no dia seguinte, o céu é azul e você não tem desemprego, não tem insegurança. Lembro que no dia seguinte da promulgação da Constituição Federal de 88, as pessoas acreditavam que o Brasil seria outro. Quando você produz uma lei, tem que aguardar um certo período para que ela produza efeito“, destacou o ex-presidente.

Meirelles chegou a falar que o projeto iria gerar seis milhões de vagas de emprego em dez anos; Nogueira disse que esperava um aumento de dois milhões. Contudo, o Cadastro Geral de Desempregados (Caged) do Ministério da Economia mostrou que, nos primeiros dois anos da Reforma Trabalhista, apenas 1,1 milhão de empregos foram gerados.

Temer citou na entrevista uma parte de seu governo que o marcou: o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), em novembro de 2016. Na época, o primeiro conselheiro a receber o microfone, o publicitário Nizan Guanaes, fundador do Grupo ABC de Comunicação, enfatizou que o então presidente deveria se aproveitar da sua impopularidade para fazer todas as reformas necessárias para o país.

Além disso, o medebista alega que a sua Reforma Trabalhista foi na verdade uma modernização de leis. Para Temer, sua gestão paralisou o desemprego e não houve qualquer violação a direitos fundamentais dos trabalhadores. No entanto, os números mostram que o ex-presidente teve problemas em controlar o desemprego durante seu governo.

Quando ele assumiu a presidência, em maio de 2016, o número de desempregados estava em 11,4 milhões. Em dezembro de 2018, no último mês da Era Temer, o desemprego atingia 12,8 milhões de brasileiros, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o ex-presidente, as medidas impopulares levam tempo para serem compreendidas, diferente das populistas, que podem trazer danos a curto prazo para a economia.

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