SJP distribui remédios sem eficácia comprovada contra Covid à população | Jornal Plural
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23 jul 2020 - 19h37

SJP distribui remédios sem eficácia comprovada contra Covid à população

Medicamento só pode ser receitado com autorização do paciente

A Prefeitura de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, está distribuindo mais um remédio sem estudos comprobatórios contra a Covid-19. Trata-se da ivermectina – antiparasitário que trata sarna e piolho – que supostamente ajudaria a diminuir os efeitos do vírus nos seres humanos. Contudo, não há comprovação de que isso realmente aconteça.

A Secretaria de Saúde do município estabeleceu no mês de maio um protocolo municipal por meio do parecer médicos do Comitê de Crise e do CEPAME- Câmara Técnica de Padronização de Medicamentos. Nesse período, a cloroquina foi habilitada como parte do protocolo de oferta para pacientes com Covid-19. Nesse mês de julho, a ivermectina também se torna oficialmente parte da cesta municipal.

Segundo a assessoria da prefeitura, o uso do mediciamento foi baseado na chamada Declaração de Helsinque, da Associação Médica Mundial de 1964, que permite que, quando não há tratamentos, o médico deve estar livre para adotar novas alternativas ou usar métodos não comprovados para tentar ajudar o paciente.

De acordo com o médico infectologista e vice-presidente da Sociedade Paranaense de Infectologia, Dr Jaime Rocha, não existe tratamento preventivo para a Covid-19. Segundo ele, há pesquisas em andamento que já mostraram que hidroxicloroquina e ivermectina não funcionam para a prevenção. O médico esclarece que as formas leves da doença estão sem opção de tratamento. “O uso desse medicamento é contraindicado pelas sociedades científicas do país como a Sociedade Brasileira de Infectologia”, afirma.

Medicamento experimental

A nota orientativa da prefeitura pra os profissionais de saúde da Cidade sugere que o uso do medicamento ainda é experimental e sem comprovação científica. Além da medicação convencional, o médico que examinar o paciente terá que decidir mediante análise individual de cada caso, se há a necessidade de prescrever os medicamentos desse “Kit” no protocolo do município. Os remédios só podem ser receitados em caso de anuência do paciente.

A Secretaria de Saúde segue a orientação do Ministério da Saúde. Com isso, o uso pode ser descontinuado a qualquer momento, dependendo de novos indícios científicos sobre o medicamento. Os pacientes de serviços privados poderão retirar os medicamentos prescritos pelos médicos desde que comprovadamente para tratamento.

Atendimentos

O paciente que tiver suspeita de estar com Covid-19 deve ligar no telefone com a linha especial para atendimento a pacientes com suspeita de coronavírus ou se dirigir à Unidade de Atendimento Avançado Rui Barbosa.

A unidade conta com equipe especializada para atendimento a essa e outras síndromes respiratórias. O paciente deve usar máscaras e só ir acompanhado em caso de necessidade.

Uso sem comprovação científica

O município se torna mais um na lista do Paraná que está aderindo a remédios sem prova de eficácia contra a Covid-19. Paranaguá, por exemplo, está distribuindo ivermectina para a população desde sexta-feira. O prefeito Marcelo Roque (Podemos) chegou a alugar um ginásio para fornecer o medicamento para todos os 150 mil habitantes da Cidade.

Em razão da possível ineficácia do tratamento, Roque está tendo os gastos de R$ 3 milhões investigados pelo Ministério Público Estadual do Paraná (MP-PR). O prefeito comprou 1,4 milhão comprimidos de ivermectina. O MP fez os seguintes pedidos de esclarecimento ao município: embasamento técnico da compra emergencial; cópia integral do procedimento de dispensa de licitação; e a justificativa para a adequada pesquisa para a cotação de preços do medicamento.

Outro caso de uso de remédios sem eficácia comprovqada está em União da Vitória, no Sul do Paraná. O município está ofertando o chamado “Kit Vida” para toda a sua população. Os medicamentos que estão sendo distribuídos são Cloroquina, Azitromicina, Oseltamivir e Sulfato de Zinco. Em caso de febre alta, um medicamento antipirético também será receitado.

O prefeito Santin Roveda (PR) acredita que esses medicamentos podem fazer a diferença no tratamento. A confiança do Chefe do Executivo se reflete na página oficial da prefeitura do município, que se coloca como “destaque” na entrega desses remédios para toda sua população. Mesmo em caso de sintomas gripais leves, quem quiser terá direito ao Kit da Prefeitura.

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