Retrospectiva 2019: Câmara de Curitiba foi fiel a seu triste passado | Plural
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12 dez 2019 - 22h09

Retrospectiva 2019: Câmara de Curitiba foi fiel a seu triste passado

Com Sabino Picolo na presidência, o verniz democrático da Câmara, já desgastado, acabou saindo e tudo foi voltando ao normal

O falecido Ulysses Guimarães criou aquele clichê que compara a política às nuvens: você olha um instante depois e já mudou tudo. Não funciona para a Câmara de Curitiba. Você pode sair da cidade, ir morar fora por anos, voltar e vai encontrar tudo igual.

Na retrospectiva de 2019, porém, a Câmara merece destaque por ter sido mais igual do que vinha sendo em anos recentes. Com Sabino Picolo (DEM) na presidência, a Câmara entrou num túnel do tempo e ressurgiu do outro lado com ares de puro derossismo.

Desde a queda de Derosso, em 2012, a Câmara tinha passado uma camadinha de verniz para ocultar seus defeitos mais aparentes. Começou com João do Suco (um sujeito curiosamente subestimado na história do Legislativo municipal); depois vieram Paulo Salamuni e Airton Cordeiro. E as coisas pareciam estranhamente civilizadas.

Em 2017, a dupla Rafael Greca (DEM) e Serginho do Posto (PSDB) mostrou que a velha Câmara tinha estado lá o tempo todo – nada podia ser mais revelador do que o triste episódio na Ópera de Arame. Com Sabino, o verniz democrático já desgastado, tudo foi voltando ao normal.

Neste ano, a Câmara fez coisas que sempre faz (como se ajoelhar diante do prefeito, oferecer dezenas de prêmios inúteis, aprovar propostas esquisitas) e voltou a fazer o que tinha parado. Como um ex-fumante que recai no vício, passou a ocultar informações, aprovar projetos com regimes de urgência duvidosos e mandar projetos com pegadinhas para criar cargos para amigos.

Os vereadores continuaram mostrando o que pensam da função: assim que puderam, quatro titulares saíram correndo da Câmara para pegar qualquer migalha na prefeitura ou no governo do estado. Teve até ex-petista migrando para o lado de Ratinho.

Vidros quebrados após confusão na Câmara. Foto: Rodrigo Fonseca/CMC

O mais estranho foi o PDT. Gustavo Fruet (PDT) não aceitou mais o regime de guarda compartilhada de seus vereadores com Rafael Greca. Assim, quem quis ficar ao lado do prefeito pagou a conta. O partido virou um hotel de alta rotatividade, com vereadores saindo e entrando todo mês. Atualmente, é o terceiro ou quarto suplente que está no mandato, ninguém sabe mais.

A oposição a Greca cresceu numa porcentagem assustadora. Hoje, para sair da sessão, os opositores já precisam pedir dois Ubers compartilhados. (Trata-se de um avanço: na gestão de Fruet, a oposição era apenas Noêmia Rocha e Professor Galdino.)

O momento mais grave do ano ocorreu quando servidores protestaram contra o novo pacote de ajuste fiscal de Rafael Greca. Em mais uma versão miniaturizada do 29 de abril, a Guarda Municipal e a Polícia Militar confrontara, os manifestantes, que queriam impedir a votação em regime de urgência (tudo que o prefeito deseja é urgente) de projetos que tiravam mais uma vez seus direitos.

O caso acabou com gente ferida, servidores presos, gás de pimenta e uma porta de vidro estilhaçada. Mas, claro, os vereadores aprovaram o que Greca queria.

Ah, e se você quiser saber desde já a retrospectiva de 2020 da Câmara não é difícil adivinhar. É só requentar a desse ano e acrescentar a eleição.

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