Greca reeleito | Jornal Plural
15 nov 2020 - 19h55

Greca reeleito

Favorito nas pesquisas de intenção de voto, candidato é o primeiro a levar três eleições na capital

O prefeito Rafael Greca (DEM) venceu neste domingo (15) em primeiro turno a sua terceira eleição municipal, tornando-se o primeiro prefeito da cidade a ser três vezes eleito para o cargo. Os resultados ainda não são finais, uma vez que o TSE enfrenta problemas com a totalização. No entanto, com 95% das urnas apuradas, Greca aparecia com mais de 59%. O segundo colocado foi o deputado estadual Goura (PDT).

Greca construiu a sua vitória desde as articulações nas prévias. Após conseguir o apoio do governador Ratinho Jr. (PSC), Greca viu vários candidatos sendo forçados a abrirem mão de concorrer à prefeitura. A desistência mais importante foi a de Ney Leprevost (PSD), que em 2016 chegou ao segundo turno contra Greca. Luizão Goulart do Republicanos e Luciano Ducci do PSB também passaram a apoiar Greca.

Último candidato de peso da oposição a Greca, Gustavo Fruet (PDT) se viu sozinho, sem dinheiro do partido e, temendo uma campanha vexaminosa, preferiu desistir. Seu sucessor foi o deputado Goura, que embora não tenha tido sequer tempo para articular uma coalizão, acabou ficando em segundo lugar na disputa.

Publicidade farta

Lives nas redes sociais e carreatas compuseram a reta final da campanha, que começou muito antes do período eleitoral: em quatro anos de mandato, o prefeito gastou cerca de R$ 50 milhões em propaganda com dinheiro público. Só para dizer aos curitibanos que tapou buracos nas ruas, foram mais de R$7,5 milhões em vídeos e cavaletes. Até o início de 2020, Greca fez a Câmara aprovar um endividamento de R$ 150 milhões para pavimentação e recorreu a outro empréstimo de R$ 250 milhões, parte dele destinado a recape.

O asfalto, por sinal, continua a ser promessa de campanha do candidato urbanista e conservador. Ele promete pavimentar os 187 km de ruas de saibro da cidade que ficaram de fora no mandato anterior.

Trinta anos de vida pública

Rafael GFreca, de 68 anos, começou a vida pública no Ippuc. Pelo PDT, se elegeu vereador e, com o apoio de Jaime Lerner, chegou à prefeitura na eleição de 1992. Exerceu o mandato por quatro anos como fiel seguidor de Lerner, inclusive mudando para o PFL junto com o ex-prefeito.

Depois da prefeitura, fez uma votação histórica para deputado federal e acabou sendo chamado para ocupar o Ministério do Turismo e do Esporte de Fernando Henrique Cardoso. Em dois anos, se viu às voltas com denúncias de supostas irregularidades em bingos e com o fracasso da nau que celebraria os 500 anos do descobrimento.

Demitido, voltou a se abrigar sob Lerner, na época governador. Foi secretário de Comunicação Social e depois acabou rompendo com o ex-mentor quando ele preferiu apoiar Beto Richa para o governo do estado.

Ostracismo e retorno

Em 2002, Greca acabou mudando de lado e passou para o grupo político de Roberto Requião (MDB), que se elegeu governador. Eleito deputado estadual, Greca ganhou a presidência da Cohapar e manteve a parceria com Requião até mesmo depois da eleição dele para o Senado: o atual prefeito ficou com um cargo comissionado no gabinete do senador. Nem deputado estadual nessa época ele conseguiu se eleger, ficando como suplente.

Em 2012, Greca voltou a disputar a prefeitura, justamente pelo PMDB, mas não teve sucesso, perdendo para Gustavo Fruet (PDT). Em quatro anos, a carreira política de Greca deu um cavalo de pau e ele passou para o PMN, onde obteve adesões da direita (do DEM ao PSC) e conseguiu se eleger para um segundo mandato.

No novo mandato, promoveu um ajuste fiscal com um arrocho violento, congelando planos de cargos e salários, aumentando impostos e retirando R$ 600 milhões da previdência. Investiu em asfalto e na zeladoria do município. Terceirizou UPAs e aprovou a contratação de PSS para praticamente todas as áreas possíveis da prefeitura, tudo para diminuir custos.

Pandemia

Com o início da pandemia, na China, Greca subestimou a doença, dizendo que seria fácil Curitiba se livrar do problema. Depois, teve de admitir o tamanho do problema: fechou mais de 30 unidades de saúde e duas maternidades para concentrar esforços na atenção ao Covid. Rejeitou a ideia de um hospital de campanha, preferindo acordo para usar instalações fechadas.

O prefeito, que se viu ele próprio contaminado pelo coronavírus (uma das três internações a que foi submetido no mandato) também sonegou dados, foi pouco transparente na pandemia e chegou a mudar os critérios para evitar que a cidade tivesse de decretar uma quarentena mais severa à beira das eleições.

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