"Empresas abrem mão do lucro", diz Prefeitura sobre transporte | Jornal Plural
23 abr 2020 - 22h09

“Empresas abrem mão do lucro”, diz Prefeitura sobre transporte

Urbs quer garantir frota para evitar superlotação e proliferação do coronavírus. Custos serão de, pelo menos, R$ 54 milhões ao Executivo

A Câmara Municipal de Curitiba deve votar, nesta segunda-feira (27), o regime de urgência do projeto da Prefeitura que pretende subsidiar o transporte coletivo da Capital. A proposta “institui o regime emergencial de operação e custeio” do sistema.

O valor previsto de repasse para as concessionárias é de R$ 54 milhões e esse auxílio deve durar três meses. A ideia, segundo a Prefeitura, é garantir o pagamento dos salários e empregos dos funcionários de transporte, assim como os serviços de ônibus.

A Prefeitura ressalta que as empresas de ônibus vão abrir mão do seu lucro, como uma forma de contrapartida da iniciativa privada. No entanto, o Executivo deve bancar os custos operacionais para que os ônibus continuem rodando pela cidade. Os repasses devem ser utilizados para: tributos administrativos, gastos com manutenção nos veículos, folha de pagamento de funcionários, plano de saúde, cesta básica e seguro de vida.

O prefeito Rafael Greca (DEM) disse vai usar recursos do Fundo de Recuperação e Estabilização Fiscal (Funrec) para o transporte coletivo. Dos R$ 500 milhões que estão nessa reserva, R$ 300 milhões vão para enfrentar o coronavírus na saúde e os outros R$ 200 milhões são para a economia – sendo parte para o transporte.

Frota

Atualmente, Curitiba circula com 875 dos 1.250 ônibus, uma frota equivalente a 70% nos dias úteis. Em 10 de março, uma semana antes de a Prefeitura decretar estado de emergência por conta da pandemia, o movimento era de 759,5 mil passageiros no sistema; hoje este número está em 230 mil, uma queda de 69%.

A Urbanização de Curitiba (Urbs) alega que a cidade está com uma frota maior do que esta demanda por conta das exigências sanitárias de distanciamento entre passageiros, como uma forma de prevenção ao coronavírus.

Transporte lotado

Uma das consequências da diminuição gradual do isolamento social é o aumento das aglomerações nos espaços públicos. Na capital, isso tem sido cada vez mais perceptível, apenas 48% da população continua de quarentena e os relatos de superlotação no transporte coletivo começaram a reaparecer.

Na noite de quarta-feira (22), uma imagem viralizou nas redes sociais e mostrou uma superlotação na linha de ônibus Circular Sul, no bairro Boqueirão. A foto mostra os passageiros aglomerados a menos de meio metro um do outro. Além disso, também não havia álcool gel disponível no interior do veículo.

Foto: Mesael Caetano

Em resposta à superlotação, a Urbs assegura que está monitorando o fluxo de passageiros do transporte coletivo todos os dias e que deve continuar fazendo adequações. Ainda destaca o reforço nos ônibus das linhas expressas e troncais, por onde passam muitas pessoas todos os dias. Também disse que o aumento no número de passageiros está diretamente ligado com a reabertura de alguns comércios.

Sobre a linha Circular Sul, a Urbs destaca que os quatro ônibus articulados serão substituídos por biarticulados, com capacidade para até 250 pessoas cada. Além disso, afirma que a lotação só aconteceu porque o ônibus seguinte chegou oito minutos atrasado, em razão de problemas operacionais na garagem.

A Guarda Municipal também atua para evitar aglomerações dentro dos ônibus e nos terminais, fiscalizando o uso de máscaras, que é obrigatório. A orientação é para que a população não entre em veículos lotados e sempre espere pelos próximos ônibus.

Limpeza em tubos e terminais

No fim de março, foi lançada uma ação para limpeza dos espaços públicos da cidade. Ela vem sendo feita à noite, em lugares como: hospitais, unidades de saúde, praças e pontos com grande circulação de pessoas.

Os tubos e 22 terminais receberam a limpeza com peróxido de hidrogênio, produto com poder desinfetante,foi doado por empresas e prestadoras de serviço de limpeza. A primeira fase acabou e a Prefeitura ainda negocia a reposição do desinfetante para prosseguir com a segunda fase da higienização contra o coronavírus.

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