Duas semanas após distribuir vermífugo, Paranaguá tem aumento de 66% nas mortes por Covid | Jornal Plural
31 jul 2020 - 20h25

Duas semanas após distribuir vermífugo, Paranaguá tem aumento de 66% nas mortes por Covid

Prefeitura distribui remédio sem eficácia comprovada contra o coronavírus

Já faz 14 dias que a Prefeitura de Paranaguá começou a distribuir o remédio ivermectina para todos os seus 153 mil habitantes. A ideia do prefeito Marcelo Roque (Podemos) era reduzir os efeitos mais graves da Covid-19 no município. No entanto, desde o início da distribuição, o número de mortes por coronavírus na cidade foi de 30 para 50, o que representa aumento de 66%. Os dados são da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa-PR)

Os casos confirmados de Covid-19 também deram um salto em Paranaguá. De acordo com a Sesa, em duas semanas, os infectados pela doença passaram de 1403 para 2205 no município, um aumento de 57%. De acordo com a prefeitura, a ivermectina foi adotada com base em um estudo in vitro, de laboratório feio na Austrália. A informação é de que esse medicamento inibe a replicação do coronavírus. Contudo, essa pesquisa não levou em conta os resultados que o remédio pode apresentar em seres humanos.

Em resposta ao Plural, a Prefeitura de Paranaguá afirmou que os dados de casos confirmados levam determinado tempo para serem computados. De acordo com o Executivo, a justificativa é de que os exames são encaminhados para o Laboratório Central do Estado (Lacen) e pode levar em torno de 10 dias para que o resultado seja informado. Além disso, a alegação é de que há um “atraso” da informação, já que o Estado computa os dados de todos os municípios do Paraná.

Em relação ao aumento nas mortes, a prefeitura destaca que há a necessidade do exame para comprovação de que o paciente contraiu ou não a Covid-19. Segundo a assessoria do Executivo, esse processo também pode levar vários dias.

O município ainda ressaltou que, segundo a 1.ª Regional de Saúde, órgão ligado a Sesa-PR, Paranaguá está acima da média estadual em número de exames para detecção da Covid-19. A prefeitura explica que quanto maior o número de testes, a tendência é que o número de positivados também aumente.

Os dados mostram que Paranaguá testou até a última quarta-feira (29), 2,39% da população, enquanto o Estado testou 1,72% e o litoral como um todo, 1,89% dos seus habitantes.

Piolho e Sarna

A ivermectina é um remédio utilizado no tratamento de parasitas específicos como sarna e piolho. Dados de um levantamento de consultoria especializada em saúde IQVIA, disponibilizado pelo Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos) e pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), mostram que o mercado farmacêutico vendeu cerca de 8,6 milhões de caixas do medicamento em junho. Esse número representa aumento de 1222% se comparado às 650 mil vendidas no mesmo mês de 2019.

Paranaguá adquiriu 1,4 milhão de comprimidos de ivermectina e investiu quase R$ 3 milhões na compra. Esse medicamento é muitas vezes associado à cloroquina e a hidroxicloroquina, como uma espécie de “Kit Covid” para tratamento alternativo do coronavírus. Mas até o momento, não há estudos conclusivos sobre a eficácia desses três remédios contra a Covid-19.

Apesar de todas as recomendações contra o uso da ivermectina, o prefeito Marcelo Roque continua fazendo a distribuição do medicamento. Para isso, alugou os espaços da Arena Albertina Salmon e do Ginásio João Hélio Alves. No início da tarde desta sexta-feira (31), 26.584 pessoas foram atendidas e receberam o remédio.

A Prefeitura de Paranaguá segue mantendo distribuição da ivermectina e deve fazer isso por pelo menos 30 dias, apesar do Ministério Público do Estado do Paraná (MP-PR) estar investigando os termos da compra de comprimidos do remédio, que não tem eficácia comprovada contra a Covid-19. Além disso, o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) emitiu uma recomendação para que a distribuição do vermífugo seja interrompida.

Sem comprovação científica

No último dia 14 de julho, o MP-PR enviou um ofício à Prefeitura de Paranaguá pedindo para que o município esclareça questões como o embasamento técnico para a compra emergencial do medicamento, cópia integral do procedimento de dispensa de licitação e justificativa para a adequada pesquisa para a cotação de preços do medicamento, verificando se o preço pago é compatível com o mercado.

De acordo com a assessoria do Executivo, a compra do medicamento e sua distribuição se deram com base em proposta de profilaxilia (medidas preventivas) formulada por um servidor médico de Paranaguá. Esse plano conta com o aval de profissional médico representante da entidade privada e da sociedade civil.

Na quinta-feira (30), o Tribunal de Contas recomendou que a Prefeitura de Paranaguá interrompa imediatamente a distribuição gratuita de ivermectina. A Corte sustenta que um medicamento sem eficácia comprovada não deve ser oferecido sob o pretexto de prevenir infecções pelo coronavírus. Além disso, sem estudos conclusivos, o TCE afirma que não se pode dizer que o remédio combate a evolução precoce de casos assintomáticos de Covid-19.

O TCE fez um Apontamento Preliminar de Acompanhamento (APA) e encaminhou um relatório ao município no último dia 23 de julho. O documento tomou como base dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da Sociedade Brasileira de Infectologia e da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa-PR).

Para os analistas do tribunal, a Dispensa de Licitação nº 26/2020 – que resultou na aquisição de 352 mil caixas de ivermectina, com quatro comprimidos em cada, sob o valor de R$ 2,9 milhões, careceu de motivação legítima. Por isso, o TCE acredita que a conduta do gestor Marcelo Roque é irregular e foi causadora de dano ao patrimônio público.

“Tais recursos poderiam ser utilizados para o reforço de medidas sabidamente eficazes, considerando-se ainda que se trata de momento de franca queda de arrecadação em todas as esferas da federação”, sustenta o texto do ofício do TCE.

O APA pede para que o município não distribua a ivermectina à população acometida pela Covid-19, contudo, destaca que o medicamento pode ser armazenado e receitado para pessoas que estavam com verminoses que possam ser “realmente curáveis” pelo remédio. Esse procedimento vai dar ao prefeito de Paranaguá, a oportunidade de corrigir a falha apontada.

Caso isso não aconteça, o município pode estar sujeito a uma Tomada de Contas Extraordinária. Se o TCE encontrar irregularidades, o prefeito pode ser multado e condenado a devolver recursos e valores proporcionais ao suposto dano ao patrimônio público.

Tratamento preventivo

Em nota enviada ao Plural, a Prefeitura de Paranaguá informa que já encaminhou toda a documentação solicitada pelo Tribunal de Contas e que está em análise. A prefeitura sempre divulga em suas plataformas oficias e em pronunciamentos dos porta-vozes que a Ivermectina é um tratamento profilático. Segundo o Executivo, vale destacar que a aquisição e distribuição do medicamento está sendo feita seguindo todas as normas de segurança e protocolo médico.

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18 comentários sobre “Duas semanas após distribuir vermífugo, Paranaguá tem aumento de 66% nas mortes por Covid

  1. Terraplanismo aplicado à Saúde Pública dá nisso:
    – Além de não trazer nenhum benefício, gasta o escasso dinheiro da saúde pública, deseduca e expõe a população a riscos desnecessários!
    Isso deveria ser punido com CADEIA!
    #covid19

    1. Este comentário foi apagado porque alegava falsamente que o número de casos e óbitos de Covid-19 em Paranaguá havia caído por conta da automedicação promovida pela administração municipal. Essa informação não corresponde aos dados da Secretaria de Estado da Saúde, que estão aqui
      Número de casos confirmados por data de diagnóstico, em Paranaguá.

  2. Essa distribuição de medicamento não comprovado é péssimo, acaba causando uma falsa sensação de proteção, o que acaba fazendo com que as pessoas que o tomaram acharem que estão protegidos, o que não é verdade e acabam se expondo. O resultado é um número maior de doentes.

      1. Olá José Nilton, o jornal tem responsabilidade legal para com o que é publicado, o que inclui comentários de leitores. Portanto não publicamos comentários que estejam em desacordo com a legislação, o que inclui sugestão de automedicação, que é crime contra a saúde pública.

  3. Parte deste comentário foi excluído por incentivar auto-medicação e uso de medicamentos contra a Covid-19 sem eficácia comprovada.
    E na pior das hipóteses, o Prefeito consegue barrar a Dengue, Zica e a chikungunya .
    Matéria como esta só pode ser da turma dos Vermelinhos ! que torce para dar errado e ajudar a China dominar nosso País.

  4. O problema ñ é da distribuição do remédio. O problema ta nas pessoas ignorante q acham q o remedio tem super poderes que ao tomarem podem ficar sem máscara batendo pernas sem necessidades. O prefeito fez a parte dele mas o povo ñ colaborou infelizmente

    1. O problema está na distribuição dos remédios uma vez que o Brasil tem uma legislação de controle de tais substâncias e receitar remédio é ato médico, não atividade governamental.

  5. Este comentário foi apagado porque alegava falsamente que o número de casos e óbitos de Covid-19 em Piraquara havia caído por conta da automedicação promovida pela administração municipal. Essa informação não corresponde aos dados da Secretaria de Estado da Saúde, que estão aqui
    Número de casos confirmados por data de diagnóstico, em Piraquara.

  6. Este comentário foi apagado porque alegava falsamente que o número de casos e óbitos de Covid-19 em Paranaguá havia caído por conta da automedicação promovida pela administração municipal. Essa informação não corresponde aos dados da Secretaria de Estado da Saúde, que estão aqui
    Número de casos confirmados por data de diagnóstico, em Paranaguá.

  7. Péssimo jornalismo. Alguns comentários com pontos de vista diferentes são apagados porque sugerem auto medicação. Cen-su-ra. Só vale a opinião de quem concorda com o jornal, que curiosamente se chama Plural.

    1. Não publicamos comentários que estejam em desacordo com a legislação, o que inclui sugestão de automedicação, que é crime contra a saúde pública.

    2. Este comentário foi apagado porque alegava falsamente que o número de casos e óbitos de Covid-19 em Paranaguá havia caído por conta da automedicação promovida pela administração municipal. Essa informação não corresponde aos dados da Secretaria de Estado da Saúde, que estão aqui
      Número de casos confirmados por data de diagnóstico, em Paranaguá.

  8. Este comentário foi apagado porque alegava falsamente que o número de casos e óbitos de Covid-19 em Paranaguá havia caído por conta da automedicação promovida pela administração municipal. Essa informação não corresponde aos dados da Secretaria de Estado da Saúde, que estão aqui
    Número de casos confirmados por data de diagnóstico, em Paranaguá.

  9. FOI LOUVADA A ATITUDE DO PREFEITO, Este trecho do comentário foi editado por conter estímulo a auto-medicação. VÃO CONDENAR A BENZEDEIRA TAMBÉM?
    VAMOS NOS AGARRAR EM QUALQUER OPÇAO QUE POSSA NOS AJUDAR.

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