Cota parlamentar: gasto médio foi de mais de um salário mínimo por dia | Plural
16 jul 2019 - 23h13

Cota parlamentar: gasto médio foi de mais de um salário mínimo por dia

Em quatro meses, custeio de combustível, locação de carros, alimentação e demais verbas de ressarcimento para parlamentares custaram R$ 5 milhões aos cofres da Assembleia

Já pensou em ter um vale compras de R$ 1.133,67 por dia para pagar combustível, alimentação, telefonia, pedágio, locação de veículos e mais uma série de despesas? Melhor. E se esse recurso sequer fosse descontado do seu salário? Saiba que este é o valor médio diário gasto pelos 54 deputados paranaenses da Assembleia Legislativa da cota parlamentar desde o início do mandato, em fevereiro passado.

O valor equivale a 113% de um Salário Mínimo Nacional, estipulado em R$ 998 no início deste ano. Comparado com os salários dos brasileiros, o valor é superior à renda de mais de 50% da população. Com a diferença de que metade da população sobrevive com o valor durante um mês completo, enquanto que os parlamentares usaram o recurso, na média, durante um dia.

Entre fevereiro e maio, segundo dados do portal da Alep compilados pelo Plural, foram R$ 5 milhões a verba usada da cota parlamentar. Se contar janeiro, mês anterior ao início da atual legislatura, a conta sobe para R$ 6,1 milhões. Maio é o mês com maior registro de uso da verba no ano, cerca de R$ 1,4 milhão. O valor se refere aos gastos dos deputados durante a atividade parlamentar.

Além dos salários e da verba para contratar assessores, os 54 deputados têm direito a ter restituídos até R$ 31,4 mil por mês por “gastos com o exercício parlamentar”. Ao apresentar as notas de gastos, o valor é restituído ao parlamentar pela Alep. Pelo regulamento, são 29 tipos de serviços e produtos que podem abranger os gastos dos parlamentar com a cota.

Do total gasto pelos parlamentares desde fevereiro, 35% foi para bancar custos de transporte dos deputados. Entre combustível e locação de veículos foram usados R$ 1,7 milhão da verba de ressarcimento, cerca de R$ 21 mil por dia. Na sequência em ordem de maiores gastos estão serviços técnicos especializados, como advocacia e comunicação. Nos quatro meses foram R$ 577 mil para bancar os pagamentos.

Desde o início do atual mandato, os deputados consumiram ainda R$ 457 mil em pagamento de serviços para divulgar seus feitos na Alep, além de R$ 362 mil em serviços gráficos e de encadernação. Soma-se à lista de maiores gastos com a cota parlamentar a assinatura de jornais, TV a cabo e similares, cerca de R$ 315 mil, pagamento de locação de imóveis, R$ 270 mil nos quatro meses, e pagamento de passagens e taxas de embarque, cerca de R$ 190 mil.

Observatório busca facilitar acompanhamento dos dados

Quer visualizar detalhadamente os tipos de gastos dos deputados mês a mês? Acesse o site “Na Conta do Deputado”, observatório criado pela agência Livre.jor para acompanhar os gastos com a cota parlamentar. Com gráficos divididos por tipos de rubricas, você pode filtrar os gastos por mês, por parlamentar e por ano.

Criado em 2016, o observatório é alimentado mês a mês com os dados publicados pela Alep no portal da transparência No site da agência é possível consultar os dados da atual legislatura e do mandato anterior. Desde que foi criado, o observatório registrou uso de pouco mais de R$ 80 milhões de recurso público em verba de ressarcimento.

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