Muito além da Netflix | Plural
3 set 2019 - 13h47

Muito além da Netflix

Onipresença da gigante americana acaba ofuscando outros serviços legais de streaming – e o mais divertido é experimentar as várias alternativas

É mais ou menos consenso dizer que a Netflix agrada mais aqueles que gostam de séries e menos aqueles que preferem ver filmes. Quem curte cinema, tem opções melhores, mais baratas (Prime Video, da Amazon) ou ligeiramente mais caras (Telecine Play, HBO Go e Mubi).

O Prime Video é uma versão digital do que, vinte anos atrás, seria uma boa videolocadora de bairro. Tem poucos lançamentos, mas o catálogo pode surpreender. A Amazon investe menos que a Netflix na produção de conteúdo original (todo mundo investe menos que a Netflix, na verdade), mas tenta compensar montando um acervo simpático de filmes e séries.

No Telecine Play, você não encontra séries. O negócio deles é cinema e, fazendo os cálculos, há pelo menos um filme novo por dia. Agora, por exemplo, acabou de estrear a cinebiografia do Freddy Mercury (“Bohemian Rhapsody”) e o trabalho mais recente de Lars Von Trier (“A casa que Jack construiu”). Eles oferecem listas legais – “o melhor do cult” e “filmes que não cansamos de assistir” – e têm um acervo impressionante de produções francesas recentes (“Conquistar, amar e viver intensamente”, de Christophe Honoré, é uma das novidades).

Cena do francês “Conquistar, amar e viver intensamente”, de Christophe Honoré, em exibição no Telecine Play. (Divulgação)

Hoje, a HBO Go é a maior concorrente da Netflix – e pensar que poucos anos atrás era o contrário – porque também investe pesado em produções próprias. Séries, em sua maioria, e com um detalhe importante: a HBO detém exclusividade sobre seu acervo. Por exemplo: “Família Soprano”, “Game of Thrones” e “Chernobyl” não existem em nenhum outro lugar que não seja a HBO.

Uma Thurman e Matt Dillon em cena de “A casa que Jack Construiu”, de Lars Von Trier, uma das estreias desta semana no Telecine Play. (Divulgação)

Bem mais específico é o Mubi, um serviço que mira um público cinéfilo interessado em ver um exemplar do cinema congolês, um classicão francês ou um japonês alternativo (para citar exemplos de filmes que estão atualmente em cartaz).

O formato do Mubi é diferente: eles têm sempre 30 filmes em exibição. A cada dia, estreia um título novo ao mesmo tempo que o mais antigo da lista sai de cartaz. A curadoria procura equilibrar produções novas, antigas, brasileiras e estrangeiras. Eles levam o cinema a sério.

Na era digital, é fácil perder o controle do número de serviços que você assina pagando um valor mensal, somando o vê, ouve e lê. Uma ideia é fazer a família compartilhar: a namorada pega HBO Go, o pai curte Mubi, a vó assina Netflix e você compra Prime Video. Se esse cenário não for possível, você ainda pode variar, experimentando serviços diferentes por um tempo até encontrar aquele de que mais gosta, ou seguir revezando entre as opções disponíveis, sem problema. Mas tenha em mente que o mundo está bem maior que a Netflix.

Nos Estados Unidos, até o fim deste ano, a Disney e a Apple (entre outras produtoras) devem lançar seus serviços de streaming e a briga por assinantes vai ser linda – com mais opções e, possivelmente, melhores preços.

Serviço

O Prime Video, da Amazon, dá 7 dias grátis e depois cobra R$ 7,90 por mês por seis meses. A partir do sétimo mês, passa a custar R$ 14,90.

Ao assinar a Netflix, você ganha o primeiro mês grátis. Os planos começam em R$ 21,90 por mês.

O Mubi cobra R$ 27,90 por mês, também oferecendo os 7 primeiros dias de graça.

A HBO Go custa R$ 34,90 por mês.

O Telecine Play sai por R$ 37,90 ao mês (e é grátis para quem tem todos os canais Telecine no esquema de tevê por assinatura, da Sky).

*

(Neste texto, optei por falar dos serviços que conheço melhor. Existem outros. O divertido é experimentar. Minha namorada, por exemplo, assinou a HBO Go só para ver “Game of Thrones” e depois descobriu que era da HBO a série que adaptou o livro “A amiga genial”, de Elena Ferrante; aí emendou na série “Veep”, uma paixão fulminante. Quando não se animou a ver mais nada, cancelou o serviço. Meu pai, para citar só mais um exemplo, não suporta ver série. Ele cansou da Netfix e prefere filme. Se for francês, melhor ainda. Ele assina o Mubi. Eu gosto de escarafunchar esses serviços todos, mas admito que ando meio impaciente para ver séries. O que mais me dá prazer hoje, na frente da tevê, é rever filmes.)

(Há ainda a questão técnica: nem todas as tevês têm os aplicativos para acessar serviços como o Mubi e o Prime Video. De fato, só a Netflix é onipresente. Ainda assim, existem opções. Você pode ver direto no computador ou no celular. Ou conectar o computador à tevê – um cabo de HDMI resolve o problema. Se for um computador da Apple, além do cabo HDMI, você vai precisar também de um adaptador de Mini DisplayPort para HDMI.)

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