“Um amor, mil casamentos” exige que você baixe bastante as expectativas | Jornal Plural
14 abr 2020 - 21h45

“Um amor, mil casamentos” exige que você baixe bastante as expectativas

Comédia romântica em cartaz na Netflix é prova de que algumas coisas na vida são cíclicas

Na vida, algumas coisas são cíclicas: a história, as pandemias e, aparentemente, as comédias românticas sobre casamento com um inglês apaixonado por uma americana.

“Um amor, mil casamentos”, estreia recente da Netflix com título em português inexplicável, parece uma reedição de “Quatro casamentos e um funeral” (neste, pelo menos os números conferem), o filme de 1994 que fez de Hugh Grant um galã improvável.

Um quarto de século depois de Grant se interessar por Andie MacDowell, um roteirista de nome Dean Craig, mais conhecido pela comédia “Morte no funeral” (2007), resolveu estrear na direção com o roteiro próprio de uma história simpática: no casamento da irmã, Jack (Sam Claflin) reencontra a jornalista americana Dina (Olivia Munn), pela qual tinha se apaixonado três anos antes. Uma paixão que na época ele guardou para si porque, além de ser extremamente britânico, ele também é tímido.

Durante o casamento (que é um só, apesar do que diz o título), alguns poucos dramas se desenham, o maior deles é a presença de um sujeito esquisito que não foi convidado, com problemas sérios de dependência química, disposto a declarar seu amor pela noiva e arruinar a cerimônia. Ele estudou com ela na adolescência e acredita que os dois foram feitos um para o outro, apesar das negativas lançadas por Hayley (Eleanor Tomlinson), a noiva em questão, que se diz apaixonada mesmo por Roberto, o noivo italiano.

Hayley pede a ajuda do irmão para dopar o intruso com um poderoso sonífero. Jack vira o remédio na taça disposta no lugar da mesa com o nome do sujeito esquisito: Marc (Jack Farthing). Apesar de não ter sido convidado, ele acabou sendo incluído de última hora na “mesa dos convidados ingleses”, enquanto resto do salão é italiano, da parte do noivo.

Antes da recepção começar, um grupo de crianças surge do nada no salão e bagunça a disposição dos convidados, trocando de lugar os cartões com os nomes de cada um. Quem acaba tomando o sonífero é outra pessoa que não Marc, o sujeito esquisito. Como acontece em filmes desse tipo, as confusões vão se acumulando ao longo de uma hora e pouco para depois serem resolvidas nos 15 minutos finais. Com a pequena diferença que, aqui, a narrativa brinca com outros cenários possíveis, voltando ao momento em que as crianças mexeram nos cartões para fazer outras pessoas tomarem o sonífero. Se fosse melhor executada, talvez essa ideia rendesse um filme diferente. Acontece que o caminho percorrido por “Um amor, mil casamentos” até o fim previsível não é divertido. E chega a ser um pouco irritante.

Talvez porque Sam Claflin, o protagonista, não tenha tanto carisma quanto, por exemplo, Hugh Grant – e mesmo Grant está longe de ser o exemplo em que você pensa quando pensa em figuras carismáticas de comédias românticas. Na comparação, porém, Grant ganha de Claflin.

A maior diferença está no roteiro. Dean Craig perde feio para Richard Curtis, o homem que mais ou menos reinventou a comédia romântica inglesa. Além de “Quatro casamentos e um funeral”, Curtis escreveu “Simplesmente amor” (2003), “Questão de tempo” (2013) e, mais recentemente, “Yesterday” (2019).

Se você baixar as expectativas, mas baixar bastante, talvez consiga se divertir com “Um amor, mil casamentos”. E, por “ser divertir”, quero dizer pensar em qualquer coisa que não envolva o noticiário atual.

Serviço

“Um amor, mil casamentos” está em cartaz na Netflix.

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