Três poemas inéditos de Marcelo Sandmann | Jornal Plural
Clube Kotter
1 fev 2019 - 0h00

Três poemas inéditos de Marcelo Sandmann

Poeta dos bons, Marcelo Sandmann envia três inéditos seus para os leitores do Plural. Tem desde uma esquisita autobiografia até um poema suave dedicado a Leila Pinheiro.

O Plural dedica toda sexta-feira um espaço para a produção literária. Nesta semana, o convidado é Marcelo Sandmann, autor de seis livros de poesia e professor de Letras na UFPR.

Sandmann enviou três poemas inéditos que, bem diferentes entre si, servem para dar uma ideia da variedade de estilos de sua obra. Que logo será aumentada com mais um volume.


MARCELO SANDMANN NÃO ESTÁ NO FACEBOOK

                     “P.S. Eu tenho um novo plano: enlouquecer.”
                                            (Fiódor, ao irmão Mikhail)

Marcelo Sandmann não está no Facebook
Marcelo Sandmann não está no Twitter
Marcelo Sandmann não está no Tinder
Marcelo Sandmann está com a macaca

Marcelo Sandmann resolveu dar um tempo
Marcelo Sandmann vai fechar pra balanço
Marcelo Sandmann saiu hoje de férias
Marcelo Sandmann está pra lá de Marrakech

Marcelo Sandmann não torce pro “timão”
Marcelo Sandmann não bebe “a número 1”
Marcelo Sandmann não quer bacalhau
Marcelo Sandmann vai fazer uma fezinha

Marcelo Sandmann anulou seu voto
Marcelo Sandmann disse a que veio mas não veio
Marcelo Sandmann fez xixi nos vasinhos
Marcelo Sandmann quer se jogar da janela

Marcelo Sandmann não curte pancadão
Marcelo Sandmann não pula carnaval
Marcelo Sandmann é bom da cabeça
Marcelo Sandmann é firme do pé

Marcelo Sandmann cancelou o cartão
Marcelo Sandmann picotou o crachá
Marcelo Sandmann fumou o diploma de Letras
Marcelo Sandmann foi morar na Ilha do Mel

Marcelo Sandmann n’est pas une pipe
Marcelo Sandmann is only rock’n’roll
Marcelo Sandmann? Yes, he can’t!
Marcelo Sandmann’s Lonely Hearts Club Band


EIS O OFÍCIO

do poeta)

fazer sua língua
língua estrangeira
eis o ofício) e
nessa língua
buscar seu exílio
(do poeta
mesmo o asilo
negado (eis
o ofício) o
visto indeferido

a língua
materna (do poeta
fazê-la madrasta
fazê-la pedestre
(eis o ofício
caminhar no
deserto sem
mapa ou (do
poeta) destino
viver em perigo

(eis o ofício


O PÁSSARO DA VOZ

                     para Leila Pinheiro

Esse pássaro que passa
Pela voz quando se canta

Essa voz que se compassa
E no canto se decanta

Esse canto que tem asa
E se alça contra o vento

Essa asa que se espraia
Sobre o azul, sobre o cinzento

Sobre o sol que se dissolve
De oriente a ocidente

Sol que em lua se resolve
Lua nova já crescente

Com seu halo de alegria
Com seu toque de quebranto

Eis no céu da fantasia
Meu fervor, meu acalanto

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