Retrospectiva 2020: humor em tempos de covid-19 - Jornal Plural
21 dez 2020 - 13h49

Retrospectiva 2020: humor em tempos de covid-19

Acompanhe em 40 charges os principais acontecimentos de 2020

Difícil descrever 2020 sem usar uma expressão pessimista ou de baixo calão. Lembro que no final do ano passado escrevi em algum lugar que tinha esperanças de que este seria um ano bom, já que a realidade teria que se esforçar muito para gerar outro ano tão infame quanto 2019. Como sempre, subestimei a capacidade de desgraças que podem se abater sobre nossas cabeças. Olhando as charges que produzi para o Plural em 2020, lembro que o rodízio de personagens se alternando nas maluquices parecia feito para levar a sanidade mental, de qualquer um que não atravessou a risca no chão estabelecida pela razoabilidade dos fatos, ào nocaute. Ah, e tinha o vírus.

O Brasil de 2020 parece uma luta de WWE em que a lógica enfrenta sozinha um séquito de brutamontes terraplanistas vestidos de palhaço. Primeiro Weintraub vomitava sandices no Twitter. Antes de você se recuperar, o Salles entrava em cena e jogava mais sandices no ventilador. Depois os filhos do presidentes. O Guedes, a Damares, aquele sujeito da Fundação Zumbi dos Palmares, o Constantino. O Constantino meu Deus! Ah, e tinha o vírus.

O chargista Paixão costumava dizer que, quando o País vai mal o chargista vai bem. É certo, o enredo de desgraças costuma gerar grandes desenhos, nosso humor se torna mais amargo e os alvos são maiores e mais evidentes. Mas conviver com um governo tão insano começou a me fazer mal. Não sei foi a quarentena, mas ver um presidente da República rir da morte de pessoas não pode fazer bem a qualquer um que não tenha vocação para psicopatia. Em algum momento de outubro eu estava prestes a ter um colapso nervoso. Ah, e tinha o Guedes.

O Guedes me enfiou em uma lista de “detratores”. Sou o número 41. O ministro da Economia devia se preocupar com demandas mais urgentes do que perseguir seus críticos. Fazer o Brasil crescer é um bom começo. Uma ideia seria atrair investimentos estrangeiros. Da indústria dos cosméticos, especificamente shampoos para caspa. Iria gerar empregos, impostos e fazer a cabeça do Guedes reluzir ainda mais. Talvez gerasse 400 bilhões de empregos e mais 7 quaquilhões de reais para o governo. Bem, cada um com suas prioridades. Ah, e tem o vírus.

Se o cão é o melhor amigo do homem, o vírus é o melhor amigo do Bolsonaro. Eles foram feitos um para o outro, têm a mesma estatura moral e se disseminam em nosso sistema respiratório – um deles pelo cheiro do chorume que invade nossos narizes.

No entanto 2020 pareceu reagir e nos permitir vislumbrar um mundo menos pior em 2021. Biden venceu Trump e suas fake news, a vacina chegou, o Plural cresceu. Só falta agora 2021 ser um ano bom. Mas não pretendo mais fazer prognósticos muito otimistas. Se conseguirmos sorrir das nossas desgraças, já será alguma coisa.

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