Quase todo mundo morre em “Carcereiros” | Plural
27 nov 2019 - 20h13

Quase todo mundo morre em “Carcereiros”

Não se trata de um spoiler; essa poderia ser a sinopse do filme inspirado na série homônima da Globo

O maior trunfo de “Carcereiro: o filme” é o elenco. Mais especificamente, o protagonista: Adriano, um agente penitenciário interpretado por Rodrigo Lombardi.

Um presídio brasileiro (em São Paulo?) deve abrigar por uma noite um terrorista preso pela polícia federal. O criminoso, Abdel Mussa (Kaysa Dadour), viaja no dia seguinte para os Estados Unidos, onde será julgado.

A presença do terrorista atiça as ambições de uma facção criminosa que controla parte da cadeia. Na visão deles, matar o estrangeiro vai pegar bem para eles, que mostram força, e mal para a polícia e o sistema carcerário do Brasil, que foram incapazes de proteger o criminoso por uma noite.

Numa cena, Adriano tem de se negociar com o mandachuva da facção. O motivo é prosaico: para conduzir o terrorista até a sala onde passará a noite, o agente penitenciário precisa fechar as celas com os bandidos dentro delas, coisa que ele nunca faz (parte talvez dos acordos implícitos entre quem cuida da prisão e quem está preso).

O diálogo é difícil e dá para ver a tensão no corpo e na voz de Adriano. Apesar disso, ele faz um esforço para se impor, para demonstrar alguma firmeza, e ao mesmo tempo meio que implora para os bandidos deixarem ele fechar as celas. Só essa cena diz muito sobre o país e sobre como funcionam os presídios no território nacional.

A certa altura, um grupo de milicianos armados com fuzis invadem a prisão à procura de um homem. Um homem específico que está preso ali. E vão matando todos os outros que encontram pelo caminho.

A invasão acaba detonando uma rebelião e, a partir daí, o filme vira um banho de sangue com muita câmera nervosa, explosões, tiros e gritarias, numa fotografia escura e claustrofóbica. É um massacre.

Em meio à tanta ação, é difícil manter o interesse. Não se sabe mais quem está matando quem, e por quê.

Lá pela metade do filme, você se pergunta se vai sobrar alguém vivo. Sobra. Mas, quando chega o fim, isso já não faz mais diferença.

Serviço

“Carcereiros: o filme” estreia nos cinemas nesta quinta-feira (28).

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