“Projeto Gemini” tem efeitos demais e história de menos | Plural
8 out 2019 - 23h22

“Projeto Gemini” tem efeitos demais e história de menos

Will Smith interpreta um assassino em crise de consciência que tem de enfrentar um inimigo improvável: seu próprio clone

Henry Brogan (Will Smith) é um assassino prodígio que trabalha para o governo americano e que sonha com a aposentadoria. E, quando digo “prodígio”, me refiro a assassinar um indivíduo dentro de um trem, em movimento, a dois quilômetros de distância. Mais surreal que isso, só – talvez – a possibilidade de ser perseguido por outro assassino, tão bom quanto ele: seu próprio clone, em versão mais nova.

A história é do clássico anti-herói meio arrependido que, atingindo a maturidade, resolve “fazer algo de bom para o mundo”. “Me vejo evitando espelhos”, diz Brogan ao ser questionado quanto às razões de sua aposentadoria. Mais do que seu próprio reflexo, o assassino se vê confrontado por si mesmo. O ponto é que, em sua última missão (a do trem), Henry acabou descobrindo algumas coisas meio suspeitas sobre seus empregadores.

Com um roteiro clássico dos thrillers de ação, não faltam – óbvio – cenas de luta e de perseguição por belas paisagens ao redor do mundo. Tudo isso meio misturado com uma série de diálogos sentimentais, que tentam dar mais profundidade aos conflitos de consciência de um assassino torturado pelas próprias escolhas. Não cola muito, mesmo com a boa atuação de Smith e do vilão da história, interpretado por Clive Owen.

A parte legal da coisa, se você for do tipo que tem mil piras com o uso de tecnologia no cinema, é toda a computação gráfica usada para rejuvenescer o protagonista da história. Nesse sentido, o orçamento de US$ 138 milhões fez um bom trabalho: são poucos os incômodos visuais gerados pelo superefeito especial – nada que vá te tirar a atenção da narrativa.

A direção ficou por conta de Ang Lee, premiado por seu trabalho em “A vida de Pi” (alô, efeitos especiais!) e pelo dramático “O segredo de Brokeback Mountain”, mas não passa muito do típico blockbuster americano. Afinal de contas, Oscar não faz milagre…

Para os aficionados por versões 3D, vale observar em quantos frames por segundo o longa será exibido na sua sala favorita. Melhor prestar atenção nisso do que nos diálogos.

Serviço
“Projeto Gemini” estreia nesta quinta-feira (10). Classificação: 14 anos. Em Curitiba, o filme entra em cartaz nos Cinemarks Barigüi e Mueller; nas salas Cinépolis Pátio Batel e Jockey Plaza Curitiba; no Cinesystem do Shopping Curitiba e do Total; no Espaço Itaú de Cinema; e no UCI Palladium e no UCI Shopping Estação.

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