Polonesa que venceu Nobel chega ao Brasil em novembro | Plural
10 out 2019 - 21h48

Polonesa que venceu Nobel chega ao Brasil em novembro

Editor da versão brasileira de Sobre os Ossos dos Mortos fala ao Plural

A Todavia estava com o livro certo para lançar no momento exato. Sobre os ossos dos mortos, romance de Olga Tokarczuk, chega às livrarias em novembro, pouco depois do Nobel de Literatura concedido nesta quinta à autora.

A polonesa, autora de ensaios e romances, nunca havia sido publicada no Brasil. O romance foi traduzido direto do polonês por Olga Bagínska-Shizato e editado por Leandro Sarmatz. Nessa entrevista ao Plural, Sarmatz fala sobre a importância da escritora e do livro que vai apresentá-la aos brasileiros.

Por que vocês decidiram publicar a Olga, e por que exatamente esse livro?
Com uma obra poderosa e diversa, além de ser uma voz inquieta e crítica sobre a política e cultura de sua Polônia natal, Olga Tokarczuk  é uma das mais inventivas autoras contemporâneas. Seus livros, muito diversos entre si, vão do romance ao ensaio, passando por todas as variações nesse espectro: a narrativa de viagens, o romance histórico, o thriller, a sátira, a observação contemporânea. Uma obra que já nasce a um só tempo clássica e profundamente arraigada aos dias de hoje.Esse hibridismo formal, essa visão sobre temas de hoje — autoritarismo, especismo, envelhecimento –, aliados a uma escrita que sempre toma o partido do prazer do texto, fazem da autora um nome incontornável. O leitor brasileiro de boa literatura vai encontrar tudo isso em Olga Tokarczuk, uma autora que, falando do Leste Europeu, conversa com leitores do mundo todo.  

Li um pouco sobre a trama, e parece muito fácil aquilo escorregar para algo comercial ou ingênuo. Mas parece que ela vai para bem longe disso, certo? Conta um pouco sobre o sentido do livro.
É um thriller que lida com temas como envelhecimento, nosso domínio sobre a natureza e a obra de Blake! Não tem nada de comercial e ingênuo, mas sim profundamente humano e todo armado numa escrita empática.

De alguma maneira você acha que a reflexão dela sobre a Polônia, outro país que vem vivendo um regime de direita, se aplica ao Brasil?
Ela é uma crítica contumaz do autoritarismo e da guerra ao conhecimento — na Polônia, claro, mas isso pode se aplicar a Brasil e outros países neste triste momento da vida política mundial.

Pela tua experiência, um Nobel chega a mexer muito com vendas? Como vocês imaginam que deve ser a recepção aqui?
Mexe sim e sobretudo chama a atenção não apenas para o autor premiado, mas para o mundo literário do qual ele faz parte. Acho que vai ser muito boa, como em outros países. Olga é uma ficcionista estupenda!

Tem mais coisas dela que vocês pretendem lançar?
Ano que vem lançamos Viagens, uma mistura genial de romance, ensaio e diário de viagem.

Na Amazon: Sobre os ossos dos mortos

PS: O Plural não tinha percebido que já existe no Brasil uma tradução de Os Vagantes, pela Tinta Negra.

Ei, você! O Plural pretende sempre oferecer conteúdo gratuito e de qualidade. Mas isso só é possível se a gente tiver apoio de quem gosta do projeto. Olha só: você entra na nossa lojinha, faz uma assinatura de R$ 15 e ganha um jornal para a cidade. Tá barato, hein?

Últimas Notícias