Quando a única coisa capaz de distrair você é uma comédia de zumbis | Jornal Plural
21 ago 2020 - 16h15

Quando a única coisa capaz de distrair você é uma comédia de zumbis

“Os mortos não morrem”, de Jim Jarmusch, faz parte do gênero “terrir”, dos filmes de terror que também fazem rir

Na próxima vez que você cair no sofá querendo esquecer o dia que acabou, ligar a tevê e ficar passando pelas opções de streaming sem se interessar por nada, talvez seja o caso de apelar para um plano mais drástico: ver um filme de “terrir”.

Alguns filmes de terror são engraçados sem querer. Esses podem ser divertidos, mas mais pelo fracasso da proposta. Os melhores são os filmes de terror pensados para fazer rir. Não existem muitos desses por aí e o exemplar mais recente do gênero está em cartaz nas plataformas de streaming: “Os mortos não morrem”.

O filme é um absurdo sem pé nem cabeça, mas estrelado por um bando de gente famosa – Bill Murray, Adam Driver, Tilda Swinton – e amiga do diretor Jim Jarmusch.

Não bastasse ser uma comédia de terror, “Os mortos não morrem” bota banca de alternativo, recorrendo à metalinguagem e dando umas piscadinhas para o público, como quem diz “Sei que tudo isso é absurdo, mas essa é a ideia”.

Logo no começo, quando os policiais interpretados por Bill Murray e Adam Driver aparecem no carro com o rádio ligado, eles estão ouvindo “The Dead Don’t Die”, de Sturgill Simpson, a música-tema que também dá nome ao filme.

Murray reconhece a música, mas não sabe de onde. E Driver diz para ele: “Ah, sim! É a música que tocou nos créditos iniciais do filme”. Esse tipo de metalinguagem.

Nos zumbis e no humor, “Os mortos não morrem” lembra um pouco “Zumbilândia”, embora seja menos frenético e barulhento. De propósito, Jarmusch faz um filme mais B, com alguns efeitos toscos e várias referências cinematográficas (a personagem de Selena Gomez dirige um Pontiac 1968, o mesmo carro que aparece nos filmes de terror de George Romero).

Se você estiver no espírito, algumas piadas são boas. Como a ideia de que as pessoas, transformadas em mortos-vivos, são atraídas pelas coisas que consideravam mais importantes antes de morrer.

Assim o zumbi vivido pelo cantor Iggy Pop invade uma lanchonete dizendo: “Cooooffee”. Enquanto o zumbi de Carol Kane se arrasta pela cidade repetindo: “Char-do-nayyy”.

Jarmusch é o diretor de “Paterson” (2016) e “Amantes eternos” (2013). É uma figura importante do cinema independente nos Estados Unidos, conhecido por fazer filmes cerebrais. Seu senso de humor também é meio cabeção, e não estranhe se, de repente, revirar os olhos nos momentos mais surreais do filme.

Mas aposto que você vai se distrair.

Filme

“Os mortos não morrem” está em cartaz nas plataformas de streaming. No Google Play, por exemplo, o aluguel do filme custa R$ 11,90. No Looke, R$ 14,99.

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