“O caso Richard Jewell” tem só um problema | Plural
18 dez 2019 - 23h46

“O caso Richard Jewell” tem só um problema

Clint Eastwood faz um bom filme sobre caso real, mas erra ao apelar para estereótipo a fim de alcançar efeito narrativo

27 de julho de 1996. Durante os Jogos Olímpicos de Atlanta (EUA), uma bomba caseira explode no Parque Olímpico. O local servia de palco para apresentações musicais. Duas pessoas morreram, centenas ficaram feridas. Para o FBI, o principal suspeito é Richard Jewell – o segurança foi responsável por reportar o “pacote suspeito”, e a princípio foi visto como herói. A situação, no entanto, se inverteu.

“O caso de Richard Jewell”, dirigido por Clint Eastwood, parte dessa história real, mostrando a caminhada do protagonista para tentar provar o que realmente aconteceu. No filme, e na vida real, foi um jornal local que publicou a teoria de que o segurança-herói era o principal suspeito na caçada do FBI pelo culpado do atentado. Kathy Scruggs foi a repórter do “Atlanta Journal-Constitution’s” que revelou a história.

O filme de Eastwood é bom: a história de Jewell é interessante, as atuações são boas, e o figuro dos anos 1990 chega a ser nostálgico; mas há um problema. Na ficção, Scruggs é retratada como uma mulher sem muitos escrúpulos, cruzando – em vários momentos – os limites éticos da profissão para conseguir histórias. O filme chega a “sugerir” – muito claramente – que a repórter ofereceu sexo em troca de informações. Aqui surge o que talvez seja o único problema do filme de Eastwood.

Reduzida a um estereotipo machista, Scruggs (uma pessoa real, que morreu em 2001) é usada como uma personificação da mídia como vilã. Não há dúvidas de que a publicação da história, e os impactos na vida dos envolvidos, foi um erro. Mas Eastwood erra a mão ao estereotipar, de forma misógina, uma mulher real apenas para alcançar um efeito narrativo. É simplesmente desnecessário.

As críticas à mídia e ao Estado são, claro, mais do que válidas; mas, assim como Eastwood quis salientar: é preciso responsabilidade quando lidamos com a vida, e a história, de pessoas reais.

Serviço
“O caso de Richard Jewell” tem previsão e estreia em 2 de janeiro. Com 129 minutos, o longa tem classificação etária 16 anos.

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