10 maio 2022 - 13h01

Marcelo França Mendes narra aventura de abrir o Estação Botafogo, cinema que marcou época no Brasil

No livro “Eu que amava tanto o cinema”, fundador do Estação Botafogo fala sobre sua viagem pessoal com riqueza de detalhes, bastante humor e humanidade

Quem já leu algum livro que ensina a escrever roteiros, seja para cinema ou televisão, conhece uma frase que diz que todo mundo tem pelo menos uma boa história para contar: a sua própria. O carioca Marcelo França Mendes seguiu essa máxima e escreveu “Eu que amava tanto o cinema”, lançado pela editora Cobogó com o subtítulo “Uma viagem pessoal pela aventura do Cineclube Estação Botafogo”.

Mas toda boa história pessoal tem ramificações bem maiores e abrangentes do que pode aparentar inicialmente. E nesse caso, o relato feito por Marcelo França Mendes (confira a entrevista) traça um painel da cultura cinematográfica brasileira das últimas quatro décadas tendo como centro a fundação de uma sala de cinema em um bairro do Rio de Janeiro que ganhou projeção nacional.

Estação Botafogo

O Cineclube Coper Botafogo foi fundado em junho de 1985 por cinco amigos: o sociólogo Adhemar Oliveira; o economista Nelson Krumholz; a jornalista Ilda Santiago; a estudante de Ciências Sociais Adriana Rattes; e o mais jovem deles, o estudante de Cinema Marcelo França Mendes. O grupo se conheceu no antigo Cineclube Macunaíma, onde se encontravam todos os sábados para assistir a filmes que não eram exibidos no circuito comercial.

Cinco meses depois, em novembro de 1985, o Cineclube Coper Botafogo virou o Estação Botafogo (hoje, é o Estação NET Cinema), espaço que nasceu de maneira tímida e despretensiosa e se transformou em uma rede de cinemas, uma distribuidora de filmes, uma promotora de festivais, uma videolocadora, uma editora e muito mais. Um grande ícone cultural que mudou e moldou o hábito de gerações de cinéfilos de ir ao cinema ver filmes, falar sobre filmes, enfim, viver a sétima arte em sua plenitude.    

O livro

Dividido em 147 pequenos capítulos inseridos em oito partes, com direito a um trailer e um curta antes do filme principal, o autor segue a estrutura clássica da maioria das narrativas: começa pelo começo, vai até o meio e depois segue para o fim. Mas aí você poderia me perguntar se uma história como essa seria interessante. E eu lhe respondo: não só é interessante, como é empolgante!

O que Marcelo França Mendes relata no livro, mais do que sua história pessoal, é um retrato precioso da cultura brasileira e, em certa escala, até mundial, nos últimos 40 anos. A “aventura do Estação Botafogo” é, em sua essência, uma grande aventura cultural do cinema (em particular) e da arte (em geral).

E essa aventura, filtrada pelo olhar do autor, nos leva para o “olho do furacão”. Há momentos de grande coragem e ousadia. Há também obstáculos imensos a serem superados, bem como reviravoltas estonteantes e surpreendentes. Há, também, na mesma medida, carinho, suor, amizade, conflitos, viagens, paixões e amor, muito amor por uma ideia, por um objetivo, pela sétima arte.

Contexto

Pode até parecer que se trata de um livro de conteúdo hermético, voltado para um certo nicho de público. Obviamente que quem tiver tido a experiência de ver filmes em cineclubes ou, mais especificamente, ter vivido na capital carioca nos anos 1980, 1990 e 2000, se identificará com mais facilidade com a história que o autor nos conta. Mas ele é generoso o bastante para sempre situar muito bem o que está sendo relatado e mesmo quem não se encaixa nesse perfil específico conseguirá acompanhar tudo e entender o contexto dos acontecimentos.

Humor e detalhes

“Eu que amava tanto o cinema” resgata uma história recente que poderia ficar restrita à memória de quem a viveu de dentro, como o próprio Marcelo França Mendes e seus amigos/companheiros de aventura. Felizmente, ele resolveu nos contar, nos revelar, compartilhar sua experiência. Com riqueza de detalhes, bastante humor e humanidade.

Se hoje temos o Espaço Itaú de Cinema, o Cine Petra Belas Artes e o Reserva Cultural, em São Paulo; a Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre; as salas da Fundação Joaquim Nabuco, em Recife; o Cine Passeio, em Curitiba; o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza; e o Una Cine Belas Artes, em Belo Horizonte; o Cine Banguê, em João Pessoa; o Cine Metha Glauber Rocha, em Salvador, além de muitos outros espalhados pelo Brasil, é em decorrência daquele pequeno cineclube que surgiu do desejo de cinco amigos, que não tinham dinheiro, mas tinham muita paixão e acreditaram em um sonho.  

Livro

“Eu que amava tanto o cinema”, de Marcelo França Mendes. Cobogó, 336 páginas, R$ 65. Memórias.

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