Lark, a quadrinista que enfrenta seus fantasmas no Instagram | Jornal Plural
4 jan 2021 - 14h16

Lark, a quadrinista que enfrenta seus fantasmas no Instagram

Curitibana seguida por dezenas de milhares nas redes sociais lança primeiro livro

Há todo um universo de quadrinistas no Instagram e no Facebook. Gente que talvez nunca tenha publicado em jornal mas que tem dezenas de milhares de seguidores. Uma delas é a curitibana Lark, autora de uma série de tiras sobre os fantasmas da vida cotidiana que agora virou livro pela Editora Arte e Letra.

Nesta conversa, Lark conta de onde veio a ideia dos fantasminhas e conta a história de como conheceu o editor de seu primeiro livro.

De onde saiu a ideia de fazer quadrinhos? É uma espécie de hobby?
Eu faço quadrinhos desde pequena, sempre escrevi historinhas com outros personagens, mais como um passa-tempo. Em 2018, eu estava passando por uma fase bem difícil e tinha muita dificuldade de me expressar, e decidi colocar na prática essa ideia dos fantasmas, que já tinha há algum tempo. Eu imaginei como um hobbie e uma válvula de escape, mas a página foi crescendo e muitas pessoas vinham falar comigo sobre o meu trabalho, então acabei me empenhando em fazer postagens consistentes, participar de eventos, etc.

Até um tempo atrás o veículo básico de quadrinhos era jornal. Você é da geração que já começou no Instagram. Muda alguma coisa?
Difícil dizer a diferença entre jornal e redes sociais, porque eu nunca publiquei em jornal. Eu consumia muitos quadrinhos de jornais e revistas quando era criança, e lembro que a quantidade limitada sempre me deixava louca pra ler mais. Acredito que a principal vantagem das redes sociais seja realmente essa facilidade de acesso, de encontrar artistas e conhecer muito mais a fundo o trabalho deles!

Como você foi construindo esse público incrível?
Meu foco nunca foi crescer a página ou ganhar muitos seguidores. Eu só queria publicar meu trabalho e ser honesta com a minha forma de me expressar. A maior qualidade dos artistas é colocar realmente a sua alma no que fazem, e eu procurei me manter fiel a isso. Isso é o que gera conexão com as pessoas, e acredito que foi isso que trouxe tantas pessoas sensíveis e fantásticas para acompanhar minha arte!

Vi que você sempre escreve as tiras em inglês também. Conta por quê?
Eu morei fora do país por um tempo. Fiz muitos amigos e só me comunicava em inglês com eles, por isso quando comecei a postar os quadrinhos, fazia em inglês para que eles pudessem ler também. Depois, isso acabou sendo muito conveniente, já que tornou o alcance da página muito maior também.

De onde surgiu a ideia dos fantasminhas?
Eu tive a ideia dos fantasmas por volta de 2013. Como faz muito tempo, eu não me lembro direito como ela surgiu, mas eu acho que queria personificar de alguma forma esse meu lado imaginativo, sonhador e irrealista. Os fantasmas acabaram nascendo como um apoio de caráter para a personagem principal, e eu vejo que até hoje eles funcionam muito bem!

Tuas referências de quadrinhos vêm da Internet também. Pode citar alguns?
Tenho referências antigas e recentes. Minha “velha guarda”preferida sem dúvida é Fernando Gonsales (Níquel Náusea), Quino (Mafalda) e Bill Watterson (Calvin& Hobbes). Algumas das minhas maiores inspirações hoje são Sarah Andersen (Sarah’s scribbles), Nathan W. Pyle (Strange Planet), Li Chen (Exocomics) e Reza Farazmand (Poorly Drawn Lines). Acompanho de pertinho meus quadrinistas brasileiros preferidos também, Paulo Moreira, Wesley, Will Leite e Silva João!

Como apareceu a ideia do livro?
A história de como o livro nasceu é uma que guardo com muito carinho. Era um dia de chuva muito pesada, e eu estava participando de uma feira de rua aqui em Curitiba, a Mamute. Por causa da posição pouco estratégica da minha mesa, tive que recolher meu trabalho às pressas e estava a ponto de desistir de participar da feira, quando alguém gentilmente ofereceu compartilhar metade da sua mesa em uma área mais “seca” da feira comigo. Eu aceitei, e descobri que essa pessoa era o Thiago Tizzot, dono do meu café/livraria preferido em Curitiba, a Arte e Letra. No meio das nossas conversas, ele jogou a ideia de fazermos essa parceria para lançar o livro, e o resultado foi esse que temos aí hoje!

Serviço:
Como lidar com seus fantasmas
Lark
Arte & Letra, R$ 30,00

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