12 dez 2021 - 17h09

“Adeus, Idiotas” é uma comédia pastelão com muito a dizer

Violência policial e consequências do trabalho excessivo são temas de comédia francesa

Com direção de Albert Dupontel, que também roteiriza e atua no filme, Adeus, Idiotas teve uma estelar carreira na Europa antes de vir para o Brasil. Foram 12 indicações ao César e 7 vitórias incluindo Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Ator Coadjuvante para Nicolas Marié. O filme também recebeu indicações aos prêmios Goya e Lumière.

Em Adeus, Idiotas a cabelereira Suze Trappet (Virginie Efira) descobre que, aos 43 anos, tem uma doença grave e sem cura. Ela decide procurar o bebê que foi forçada a abandonar quando tinha 15 anos e, para isso, precisa enfrentar a infindável burocracia do sistema de adoção da França. Para ajudá-la em sua busca Suze recruta Jean-Baptiste (Dupontel), um técnico de TI caçado pelas autoridades depois que sua tentativa de suicídio foi confundida com um atentado terrorista, e Serge Blin (Nicolas Marié), um arquivista cego com pavor da polícia.

Adeus, Idiotas é uma comédia pastelão com muito a dizer. O roteiro assinado por Dupontel, Marcia Romano e Xavier Nemo trata de uma variedade de assuntos. O histórico de Blin com a polícia, embora retratado de forma bem-humorada, é um óbvio aceno aos crescentes casos de violência policial ao redor do mundo. A doença de Suze é consequência direta de seu trabalho, bem como o plano de Jean-Baptiste para tirar a própria vida. Ele se dedicou incansavelmente por décadas apenas para perder uma oportunidade de avanço profissional por conta da idade. A morte como consequência do trabalho é um retrato mais verdadeiro da nossa sociedade do que gostaríamos de admitir. E todo esse discurso sombrio está nas profundezas de Adeus, Idiotas, proferido de forma que, em alguns momentos, é difícil acreditar que o filme realmente se utiliza destes temas para contar sua história.

Para além da crítica social, Adeus, Idiotas conta com personagens cativantes pelos quais torcemos a cada minuto. Mesmo os coadjuvantes, como o doutor Lint (Jackie Berroyer), que fez o parto de Suze, são encantadores em suas pequenas aparições. O sistema, banalmente mau, também tem seu momento no holofote. Sua comicidade deriva de sua incompetência, exatamente o que de Jean-Baptiste tentava remediar quando era parte da organização.

Entre os diversos prêmios que acumulou desde sua estreia está o merecido César de melhor fotografia para Alexis Kavyrchine, que cria composições vivas e vibrantes, um interessante contraste com a jornada que os personagens seguem.

O Plural é um jornal independente mantido pela contribuição de nossos assinantes. Ajude a manter nosso jornalismo de qualidade. Assine o Plural. Você pode escolher o valor que quer pagar. E passa a fazer parte da comunidade mais bacana de Curitiba.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Os comentários feitos em textos do Plural são moderados por pessoas, não robôs, e não são publicados imediatamente. Não publicamos comentários grosseiros, agressões, ofensas, acusações sem provas nem aqueles que promovem tratamentos sem comprovação científica.

Últimas Notícias

Post adultera áudio e mente ao afirmar que Lula foi xingado em Caruaru

É falso conteúdo publicado no Facebook afirmando que Lula foi hostilizado ao participar da festa junina em Caruaru, Pernambuco. A publicação sofreu edição com a introdução de um áudio com gritos de “ladrão”. No conteúdo original, o ex-presidente é aplaudido durante um ato político de um aliado em Uberlândia, Minas Gerais. No post, é tocado um jingle de pré-campanha eleitoral

Projeto Comprova

É de graça


E vai continuar assim. Mas o nosso trabalho só existe porque ele é financiado por você, leitora e leitor, e por parceiros. Ajude o Plural a continuar independente. Apoie e assine por valores a partir de R$ 5 por mês.

Já é nosso assinante?
Faça seu login com email ou nome de usuário

Não é assinante?  Assine por valores a partir de R$ 5 por mês.

This will close in 20 seconds