10 fev 2022 - 18h23

“Exorcismo sagrado” oferece alívio imediato para quem curte filmes de terror

Produção estreia nos cinemas, faz referências ao clássico “O Exorcista” e garante uma boa quota de sustos

Com rituais medievais e padres-celebridades, o exorcismo é um daqueles mistérios católicos que provocam curiosidade até em ateus, ocupando um lugar de destaque no imaginário popular. Histórias que exploram o sobrenatural e falam sobre a expulsão de demônios e outras entidades estão sempre em demanda na literatura, no cinema e na televisão. “Exorcismo sagrado” faz parte desse subgênero do terror.

Com razoáveis 1h38, o filme presta as devidas homenagens ao clássico “O Exorcista”, recriando cenas ou referenciando passagens, e oferece uma boa quota de jump scares (os sustos dados com mudanças repentinas de cena e golpes da trilha sonora), para os que apreciam um pouco de alívio imediato com filmes de terror.

Dirigido por Alejandro Hidalgo, que assina o roteiro ao lado de Santiago Fernández Calvete, “Exorcismo sagrado” acompanha o padre Peter Williams (Will Beinbrink), um novato que ainda não terminou seu treinamento como exorcista e se arrisca a realizar um ritual sozinho. Possuído pelo demônio que tentava expulsar, ele comete um pecado que volta para assombrá-lo 18 anos depois, quando a entidade resolve tomar posse definitiva de sua alma.

Iconografia

A principal qualidade de “Exorcismo sagrado” reside na ousadia de seus conceitos visuais e iconografia, que inevitavelmente passam pelos dogmas da Igreja Católica. O filme se apropria de imagens como a de Cristo crucificado para criar seus monstros. O histórico dessas imagens e do “terror sagrado” alerta o espectador para o fato de que o crucifixo que se eleva a três metros do chão, aqui, não é uma visão tranquilizadora, mas uma expectativa aterrorizante. Poucas coisas são tão medonhas quanto o filho de Deus chorando em um canto escuro, com as feridas abertas e os olhos cegos.

Nem só de sangue vive esse terror religioso, mas de um roteiro incauto, que falha em perceber as implicações de suas escolhas. Mais assustador do que o demônio é um padre com histórico de abuso sexual – estabelecido nos primeiros minutos de filme – constantemente cercado por crianças vulneráveis. Enquanto a intenção de Hidalgo e Calvete é introduzir o padre Peter Williams como um homem potencialmente santo, o incomodo não diegético está presente sempre que ele realiza boas ações.

Completando o time de exorcistas, o padre Michael Lewis (Joseph Marcell) aparece com alguns toques de humor e inesgotável – além de exaustivo – sarcasmo. “Exorcismo sagrado” segue o exemplo da Igreja Católica e não investe em suas personagens femininas, que aparecem apenas como corpos a serem possuídos por homens e demônios.

Cinema

“Exorcismo sagrado” está em cartaz nas salas de cinema.

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