19 ago 2021 - 7h44

Em plena pandemia, Aly Muritiba emplaca longas em Gramado e Veneza

Cineasta radicado em Curitiba consolida carreira internacional com “Deserto Particular” e estreia adaptação de Lourenço Mutarelli

O cineasta Aly Muritiba conseguiu um feito raro para qualquer momento, mas ainda mais para um ano de pandemia: colocou dois longas-metragens diferentes ao mesmo tempo em festivais relevantes de cinema. “Jesus Kid” será exibido no Festival de Gramado; já “Deserto Particular” foi escolhido para participar do Festival de Veneza, um dos três mais importantes do calendário europeu.

Radicado em Curitiba, Aly tem um histórico importante em festivais. Já foi inclusive premiado em Sundance, o maior festival de cinema independente dos Estados Unidos. Em Veneza, já esteve presente com um curta-metragem em 2013 e participou em 2019 de um evento dedicado a roteiristas. Na época, apresentou justamente “Deserto Particular”, que agora retorna ao festival depois de dois anos de filmagem e pós-produção.

O diretor diz que o fato de estar com dois longas prontos em 2021 foi resultado de uma confluência que ele nem desejava. Um dos projetos, “Jesus Kid”, existia desde 2012. Trata-se de uma adaptação de um texto de Lourenço Mutarelli. “Eu já conhecia e admirava o trabalho dele, mas nunca tinha pensado em adaptar, até porque trabalho mais com dramas políticos e sociais, e o Mutarelli tem um tom cômico”, disse Aly em entrevista ao Plural. Mas quando o convite surgiu, ele topou.

A história fala de um escritor que há algum tempo produz livros de faroeste, mas que enfrenta dificuldades. Aí surge a possibilidade salvadora de fazer um roteiro para cinema com Jesus Kid, seu personagem mais famoso, passando para as telas.

A ideia de “Deserto Particular” surgiu depois. E aqui Aly Muritiba está em seu território: o filme tem um caráter mais dramático ao abordar um romance que começa na Internet e acaba no sertão baiano. O personagem deixa Curitiba em busca da mulher por quem se apaixonou virtualmente e cruza o país atrás dela.

“Foi uma coincidência ter aparecido a grana para os dois projetos ao mesmo tempo, e aí usei o período da pandemia para fazer a finalização dos dois”, diz o cineasta. A decisão, tomada em conjunto com os produtores, foi de apostar em carreiras para os dois filmes, levando um para o mercado nacional e o outro para o estrangeiro.

“É um baita privilégio estar com dois longas num momento em que a maior parte das pessoas nem está conseguindo filmar, por causa da pandemia e desse governo fascista”, afirma Aly.

Além do diretor, que nasceu na Bahia e passou por São Paulo antes de vir estudar cinema no Paraná, há vários curitibanos e ex-alunos da FAP nos projetos. “Sempre que posso estou levando meus colegas juntos, até para mostrar a qualidade dos profissionais que estão sendo formados em Curitiba”, diz Aly.

Fernando Severo, coordenador do curso de cinema da FAP e fã confesso de Aly Muritiba, diz que desde 2005 o Curso de Cinema e Audiovisual da FAP/Unespar teve grande impacto no cinema paranaense, e depois também fora do estado.

“O curso é o único do gênero em uma universidade pública e gratuita mantida pelo estado do Paraná, e tem revelado grandes talentos, entre os quais se destacam Aly Muritiba, o roteirista Henrique Dos Santos e os produtores Antonio Gonçalves Junior e Marisa Merlo”, diz o cineasta.

Serviço: Jesus Kid será exibido nesta quinta (19), no Canal Brasil, às 21h30.

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