Filme sobre nerds aficionados por cubos mágicos é um tributo à amizade | Jornal Plural
31 jul 2020 - 8h45

Filme sobre nerds aficionados por cubos mágicos é um tributo à amizade

Documentário na Netflix acompanha dois campeões de speed cubing, os adolescentes Feliks Zemdegs e Max Park, amigos e rivais

“Magos do cubo” é uma daquelas coisas raras de se encontrar na Netflix: um média-metragem, com 40 minutos de duração, com começo, meio e fim.

Num acervo de séries que precisam de dezenas de horas para serem consumidas, um filme com pouco mais de meia hora de duração pode funcionar como um respiro.

O documentário é despretensioso e uma das coisas mais legais que você pode ver neste fim de semana. Melhor que vídeos divertidos de animais e fotos fofinhas de bebês (embora estejam todos no mesmo grupo, de alguma forma).

Ele narra um naco da vida de dois jovens nerds: o australiano Feliks Zemdegs e o americano Max Park, ambos campeões de speed cubing.

Cubos mágicos

Speed cubing vem a ser o esporte em que crianças e adolescentes (curiosamente, adultos não fazem parte da modalidade) tentam resolver um cubo mágico – também chamado de cubo de Rubik – em poucos segundos. Se a última frase não fez sentido nenhum para você, não se preocupe e veja este vídeo:

O jovem (no vídeo) que conseguiu montar o cubo mágico em menos de seis segundos é Max Park. Quanto mais rápido você é ao montar o cubo, melhor.

Para efeitos de comparação: montar o cubo em menos de sete segundos é bem rápido; em menos de seis, você é o Usain Bolt do speed cubing.

O documentário de estreia de Sue Kim vai além do tema nerd inusitado quando procura falar sobre a amizade entre Park e Zemdegs, apesar de ambos serem adversários em várias competições.

O australiano Zemdegs surgiu primeiro e se tornou um fenômeno depois de ganhar o campeonato mundial três vezes seguidas e quebrar todos os recordes possíveis.

Para entender o encanto do speed cubing, tenha em mente que ele poderia estar na mesma categoria do xadrez. É um esporte de cálculo, estratégia e velocidade. Um cubo de Rubik é resolvido com algoritmos e, para se tornar um speed cuber, é preciso memorizar algo em torno de 300 algoritmos – são sequências de movimentos necessárias para mover as peças de uma face para outra do cubo.

Autismo

“Magos do cubo” seria só um filminho curioso se não fosse por um detalhe que acaba humanizando a narrativa toda: Max Park é autista. A mãe explica que ele levou seis anos para começar interagir em brincadeiras. Foram seis anos em que ele mal era capaz de reconhecer a presença de outra pessoa ao lado dele.

E a ponte entre Max e o resto do mundo acabou sendo a resolução de cubos mágicos e, anos depois, o speed cubing. Era um negócio que fascinava o guri e foi quando ele começou a se interessar por outras pessoas (também speed cubers).

Mas o herói de Max era (e ainda é) Feliks Zemdegs.

Por sorte, Zemdegs é um piá bom. Do tipo capaz de comemorar com Max quando ele venceu o campeonato mundial (ainda que isso implique no fato de ele mesmo ter perdido para Max).

É nesse aspecto humano, da relação entre os dois meninos, que o documentário transcende a nerdice dos cubos mágicos.

Streaming

“Magos do cubo” está disponível na Netflix.

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